ÁGUA – MÍDIA LOCATIVA – Segunda Expedição


ÁGUA é um projeto de muitas camadas, atua no contexto midiático e da artemídia, configurando-se como uma mídia locativa. Mas na sua essência é uma intervenção no espaço geográfico com mídias móveis. O projeto instala-se num barco e sai em expedição pelo rio Amazonas, na messoregião do rio Amazonas na rota dos municípios Santarém, Óbitos e Oriximiná, no Estado do Pará, na região Amazônica, norte do Brasil.
Neste percurso o ciclo das águas desta região é mapeado com GPS, vídeos e imagens a vida, o clima, a lua, o tempo do rio vivenciado no seu trajeto. Val Sampaio, autora e coordenadora da intervenção artística, produz e apropria-se da produção e do ponto de vista de seus convidados, artistas, professores, técnicos, programadores, a fim de que o rastreamento do percurso da expedição tenha pontos de vistas diversos do seu, buscando a complexidade e a multiplicidade.
ÁGUA é uma escritura, uma cartografia, um desenho no tempo-espaço por intermédio das novas tecnologias móveis. Sendo uma experiência da mobilidade, do nomadismo físico, atômico, geográfico das relações, dos afetos, da vida. A intervenção tem como objetivo criar autoria no espaço público questionando e tensionando conceitos sobre lugar, espaço público e privado, vigilância, controle e monitoramento.
As mídias locativas são herdeiras da arte eletrônica, da arte urbana, assim como da land art, dos site specific, do happening, da performance, do situacionismo, do letrismo, da arte da deriva e da psicogeografia, iniciada com dadaístas e surrealistas. Somando-se a essa herança as potencialidades criativas e de intervenção por intermédio das novas tecnologias da comunicação e das redes sociais.
As mídias locativas combinam tecnologia e serviços baseados em localização. Esta tecnologia é formanda por um conjunto de dispositivos digitais: GPSs, telefones móveis, palms, Wi-Fi, Bluetooth e Wi-Max, RFID, etc.) que permitem intercâmbio com o mundo físico. Os meios locativos podem ser usados para localizar, mapear, acessar os serviços e informacão sobre o lugar que está sendo “localizado”, neste caso o lugar ÁGUA.
ÁGUA pode ser acessada pelo celular e pelo site que referencia informações sobre o projeto e sobre a região. O site permite acesso às intervenções do projeto a partir de mapa virtual alimentado de forma colaborativa por convidados, que atuam com projetos individuais colaborando com a cartografia do fenômeno de enchente e vazante do rio Amazonas.

ÁGUA é uma intervenção artística no espaço geográfico usando tecnologia digital para construir um espaço de informação com acesso pelos meios de comunicação móvel, GPS e Internet. O projeto fará a apropriação e resignificação do espaço informational da mesoregião do rio Amazonas por intermédio de tecnologia disponível nas redes sociais e da construção de mapa virtual alimentado de forma colaborativa pelos artistas participantes, com projetos individuais de mapeamento do fenômeno da maré e do fluxo do rio Amazonas, sob autoria e coordenação de Val Sampaio.

 Leo PintoMarcus Bastos  , Val Sampaio  , Rosangella LeotePane Tone  , Victor Hugo Rocha , Claudio Bueno, Gilbertto Prado e Adriele Silva.

Informações: agua.midialocativa@gmail.com

Acompanhe o projeto dia-a-dia no Facebook, no YouTube e no Twitter.

Abaixo uma matéria d’O Liberal sobre o projeto em 18.04.2011:

Projeto – As águas do Baixo Amazonas serão o palco do trabalho que envolve novas mídias

A arte contemporânea ganha novas ferramentas e moldes em uma velocidade estonteante. As tecnologias digitais somaram muito para este fluxo intenso, pois além de servirem como recurso para variadas atividades humanas, também são usadas por artistas para produzirem obras cada vez mais situadas no tempo-espaço. É este o mote do projeto “Água”, da artista plástica Val Sampaio, que se utiliza do conceito de mídia locativa para fazer uma intervenção através da dinâmica da maré da região do Baixo Amazonas. Val e equipe partem hoje rumo à Santarém, de onde sairá a primeira expedição do projeto.

“Água” consiste em um mapeamento e monitoramento de movimento do ciclo das águas. O trabalho vem sendo desenvolvido desde o início do ano, quando Val foi convidada a escrever um projeto para a quinta edição do Vivo arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis, cujo tema este ano é “Novas Cartografias Urbanas: Reconfigurações do Espaço Público” e acontece nas cidades de São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Belém. A bordo de um barco, com uma equipe de pesquisadores e artistas convidados, Val irá percorrer a meso-região do rio Amazonas, nos municípios de Santarém, Óbidos e Oriximiná, do Estado do Pará.

Dentro desta temática, em que as mídias móveis servem como suporte para a produção artística, o projeto Água se apresenta através do conceito de mídia locativa, que consiste em um suporte que possibilita o reconhecimento espacial de determinado lugar. O projeto vai operar de setembro a fevereiro de 2011 e será realizado através de expedições, intervenções e performances, oficinas, exposições presenciais e virtuais.

[Obra em Questão] Symbiosis, de Roberta Carvalho

A obra Symbiosis de Roberta Carvalho foi apresentada durante o VIVO ART.MOV na praça do Píer das Onze Janelas, e é um exemplo de como utilizar vídeo e projeções com pertinência em relação ao tema e, principalmente, coerente com a trajetória artística da autora. Esquecendo, qualquer sinopse artística ou justificativa semiótica, o impacto visual gerado pela obra vai além de uma proposta estética e atinge o passante com intensidade e crítica. Roberta usa o projetor multimídia, tão banalizado na arte contemporânea, com o mesmo deslumbre ao espectador das primeiras projeções de cinema do início do século passado, que causavam medo com a chegada do trem na estação, e hoje coloca um rosto melancólico de criança em uma árvore, que amedronta e faz pensar. Muito bom.