Diagrama

Exposição “Diagrama” na abertura da Galeria Elétrica
Em Belém quando pensamos em comprar ou consertar equipamentos de som, luz e imagem a referência é a travessa Frutuoso Guimarães, no Bairro da Campina, com suas mais de 30 lojas voltada ao comércio de eletroeletrônica em meio ao caos do Centro Comercial. Lojas e oficinas onde o low e o high tech , a pirataria de mídias e as rádios-cipó agora compartilham de um espaço ligado à arte contemporânea e suas interfaces tecnológicas. Uma iniciativa do professor e curador Ramiro Quaresma e da museóloga Deyse Marinho, que depois de mais de 10 exposições, em cinco anos, ligadas à arte e tecnologia como o Salão Xumucuís de Arte Digital e o Panorama da Arte Digital no Pará, transformaram o porão de casa na Galeria Elétrica, se inspirando na temática eletroeletrônica da rua e de suas experiências expográficas em artemídia.
As obras de arte digital de trinta artistas brasileiros que participaram das exposições do Xumucuís foram selecionadas para compor a exposição de abertura, “Diagrama”, com obras do acervo dos projetos. “A arte digital, em sua virtualidade e reprodutibilidade, criou novos dilemas para preservação e conservação de obras de arte. O acervo digital é guardado em discos rígidos e em nuvem, e as gravuras digitais já impressas sempre ocuparam as paredes de nossa casa. É uma nova concepção de coleção, não temos a propriedade delas, contatamos os artistas para propor essa exposição que revisita nossas exposições passadas e juntas e neste espaço simbólico adquirem novo sentido” comenta a museóloga Deyse Marinho, assistente de curadoria da exposição.
A proposta curatorial da exposição “Diagrama”, que inaugura a Galeria Elétrica, é composta de videoarte, projeções e gravuras digitais, e é uma referência do curador Ramiro Quaresma ao seu processo de pesquisa, idealização e realização das exposições “o diagrama é a primeira coisa que fazemos, dividindo os artistas em setores, em temáticas, pra depois subverter essa organização primeira para a fruição do público. Diagramar uma exposição é escrever com obras de arte, com o objetivo de levar ao público uma ideia, um conceito, uma imersão artística.”.
Os artistas convidados e que compõe a exposição, em ordem alfabética, são: Alexandre Silveira/sp, Algodão Choque/df, Cléber Cajun/pa, Denis Siminovich/rs, Diego De Los Campos/sp, Diogo Brozoski / rj, Diogo Vianna / pa, Eduardo Montelli/rs, Evna Moura/pa, Flamínio Jallageas/sp, Fernando Gregório & Vitor Negri/sp, Flávia Souza/pa, Henrique Montagne/pa, João Penoni/rj, John Fletcher / pa, Júnior Suci / sp, Leo Venturieri/pa, Lúcia Gomes/pa, Marcelo Armani / rs, Melissa Barbery / pa, Neuton Chagas / pa (in memorian), Paul Setúbal & Verônica Noriega /df, Pedro Vianna / pa, Renata Aguiar / pa, Ruma/pa, Shima /mg, Thales Leite/rj, Turenko/am, Valério Silveira/pa e Vanja Von Seck/pa.

Serviço:
Exposição “Diagrama”
Quando: 15 de Abril de 2016 às 20h.
Onde: Galeria Elétrica, Tv. Frutuoso Guimarães, 602. Campina. Belém-PA
Entrada franca

Anúncios

Exposição “Sussurro dos Rios: Guamá, Jaguaribe”, João Pessoa-PB

Abertura Exposicao Cabo BRanco
Uma semana de expedições, vivências e compartilhamento de técnicas e processos. Artistas paraenses e paraibanos em diversas linguagens artísticas em processos colaborativos. Dois rios de imagens, signos e linguagens convergindo em um só espaço.
Uma realização Xumucuís, com apoio institucional da Prefeitura de João Pessoa, Estação Cabo Branco, Espaço Cultural Energisa e Espaço Mundo, parceria Fora do Eixo e Varadero, em uma realização Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 10ª Edição – Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Artistas Paraenses: Fabio Graf , Jeyson Martins, João Cirilo e VJ Rodrigo Sabbá
Artistas Paraibanos: Antônio Filho, Francisco Dantas, Potira Maia, Edilson Parra, Priscila Lima, Vanessa Guimarães, Thercles Silva, Shirley Tanure, Ton de Souza e VJ A. Richart
Coordenação de Produção (PB) : Maurise Quaresma
Assistente de Curadoria (PB) : Edilson Parra
Coordenação Geral: Deyse Marinho
Curadoria (PB): Dyógenes Chaves
Curadoria: Ramiro Quaresma
Serviço:
Exposição “Sussurro dos Rios [Guamá, Jaguaribe]
Onde: Estação Cabo Branco – João Pessoa (PB)
Visitação até 13 de Junho, de 09 às 21h.
Entrada Franca.

Artistas visuais paraenses em expedição

 

“Rio/ de muitos nomes/ Ser/ de muitas formas e fomes” esse trecho do livro “Porantim”, do poeta e professor de estética João de Jesus Paes Loureiro, foi a nascente desse projeto que tem na relação das cidades com seus rios e as periferias em suas margens sua proposta artística. Segundo Ramiro Quaresma, curador e idealizador do projeto “a arte como uma expedição sempre foi um projeto-sonho nosso, quando começamos o blog Xumucuís (do tupi, sussurro das águas). Depois de três edições do Salão de Arte Digital, vamos concretizar esse projeto criando um hiper_espaço conectando o Pará e a Paraíba, não apenas no ciberespaço, mas em uma experiência vivencial de múltiplas linguagens artísticas”.

 

O projeto «Hiper_Espaço Xumucuís [Guamá, Jaguaribe]», contemplado no Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 10a Edição, fará um intercâmbio entre artistas visuais do estado do Pará e da Paraíba e tem na exposição «Sussurro dos Rios: Guamá/Jaguaribe» sua mostra de resultados e nas experimentações em grafite + pixo, fotografia + estêncil, pintura + intervenção e live cinema + mapping, com jovens artistas/instrutores paraenses. A exposição será pensada e montada de forma colaborativa na oficina “Curadoria em Multimeios” no próprio espaço expositivo. A primeira etapa acontece em João Pessoa na Paraíba no mês de maio em vários espaços da cidade e em junho em Belém no processo inverso. “Conhecemos pela internet vários artistas e produtores paraibanos, constatamos que pouco ou nada se sabia dos caminhos das artes visuais um do outro e esse projeto de intercâmbio pretende criar um link de arte e vida entre os participantes” diz Deyse Marinho, museóloga e coordenadora de produção do projeto.

A exposição tem curadoria de Ramiro Quaresma e Dyógenes Chaves, curadores do Pará e da Paraíba respectivamente, com os artistas Fábio Graf, Jeyson Martins, João Cirilo e Rodrigo Sabbá, que se juntarão a artistas paraibanos no projeto a partir das vivências em João Pessoa. A proposta curatorial é juntar artistas de múltiplas linguagens, que trabalhem em processos híbridos de criação artística com intervenção urbana, e proporcionar o surgimento de obras, individuais e coletivas, das oficinas no espaço Energisa, nas vivências no Espaço Mundo, para a exposição na Galeria da Estação Cabo Branco a ser aberta em 13 de maio de 2014. Em junho será a segunda etapa do projeto em Belém, onde artistas paraibanos selecionados entre as vivências virão a Belém para um novo ciclo de oficinas e exposição. Todas as atividades do evento são gratuitas. A única oficina com pré-requisitos de currículo para inscrição é “Curadoria e Multimeios”, as outras são abertas a todos os interessados com idades a partir dos 14 anos.

Projeto Paraiba Final Novo

«Hiper_Espaço Xumucuís [Guamá, Jaguaribe]» é uma realização Xumucuís, com apoio institucional da Prefeitura de João Pessoa, Estação Cabo Branco, Energisa, Espaço Cultural Energisa e Espaço Mundo, parceria Fora do Eixo e Varadero, em uma realização Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 10a Edição, Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

 

SERVIÇO

 

Oficinas

 “Pintura + Intervenção Urbana” com João Cirilo

05 a 09/05 das 09 às 12h – Espaço Energisa

20 vagas

 

“Grafite + Pixo” com Fábio Graf

05 a 09/05 das 09 às 12h – Espaço Energisa

20 vagas

 

“Pinhole + Estêncil” com Jeyson Martins

05 a 09/05 das 14 às 17h – Espaço Energisa

20 vagas

 

“Live Cinema + Mapping” com Rodrigo Sabbá

05 a 09/05 das 14 às 17h – Espaço Energisa

20 vagas

 

“Curadoria em Multimeios” com Ramiro Quaresma

12 a 13/05 das 9 às 12h e 14 às 18h – Estação Cabo Branco

20 vagas

Bate-papo (Pós-tv) e vivências – Espaço Mundo

07, 08 e 09/05 a partir das 19h.

 

Exposição – Estação Cabo Branco

Abertura – 13 de Maio às 19h

 

Informações

xumucuis@gmail.com / (91) 8239 2476

 

“II Salão Xumucuís de Arte Digital : @mazônia artemídia” selecionado no Edital Conexão Artes Visuais MinC/Funarte/ Petrobras 2012

Conexão_Etapa-de-Classificação

É com grande prazer que comunicamos a aprovação do projeto do II Salão Xumucuís de Arte Digital no edital Edital Conexão Artes Visuais MinC/Funarte/ Petrobras 2012. A realização do Salão será no primeiro semestre de 2013 com 02 exposições, 01 ciclo de plaestrase oficinas e uma mostra de videoarte em espaços públicos. Foram mais de 840 projetos inscritos de todo o Brasil sendo selecionados os 20 mais bem avaliados. O estado do Pará teve 03 projetos selecionados, o “9º Colóquio de Fotografias e Imagem: Autografias” da Fotoativa, “Amazônia, Lugar de Experiência” de Orlando Maneschy e o “II Salão Xumucuís de Arte Digital: @mazônia artemídia” de Ramiro Quaresma, sendo os dois primeiros os mais bem avaliados do certame.

salãoXumucuis (441 of 649)

I Salão Xumucuís de Arte Digital, Sala Valdir Sarubbi, Museu Casa das Onze Janelas. (Foto Valério Silveira)

Também aprovado no Edital de Pautas do SIM/SECULT para 2013 o Salão Xumucuís de Arte Digital se firma na cena das artes visuais na Amazônia pela iniciativa do blog Xumucuís, de Ramiro Quaresma e Deyse Marinho. O edital do Salão será lançado em breve, preparem seus dossiês!

Veja aqui o catálogo da edição passada realizado com patrocínio do Instituto Oi Futuro.

http://pt.scribd.com/doc/86922969/Catalogo-do-I-Salao-Xumucuis-de-Arte-Digital

Veja a classificação final do Edital Conexão Artes Visuais MinC/Funarte/ Petrobras no DOU:

http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=15&data=19/12/2012.

II Salão Xumucuís de Arte Digital – Aprovado no Edital de Pautas SIM 2012

RESULTADO DO EDITAL DE PAUTA SIM 2012
NÚMERO DE PUBLICAÇÃO: 417172
Resultado do Edital de Pauta SIM/2012 – A Comissão de Seleção do Edital de Pauta referente ao Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, Museu de Arte Sacra e Museu do Estado  do Pará, formada por Emanuel Franco, Neder Charone e  Valzeli Sampaio selecionou os projetos dos seguintes artistas/curadores: Ana Luiza Kalaydjian; Leonardo Mota Campos –  AoLeo; Luciana Mena Barreto e Marcelo Lobato; Lucimar Belo;  Paulo Miyada; Ramiro Quaresma e Renato Hofer.

Panorama da Arte Digital no Pará

As fronteiras da arte contemporânea abarcam, hoje, um universo de possibilidades desvelado pela tecnologia e seus constantes avanços. Nossa dinâmica de plataformas digitais e consumo desenfreado de imagens passaram a denotar estruturas de sentimentos diversos, as quais os espaços expositivos, museológicos e eventos em torno da arte se propuseram a assimilar. As novas poéticas, advindas por essa matriz de reinvenções culturais, ganharam um destaque ao relatar novos paradigmas do homem contemporâneo. Nesse contexto, a exposição Panorama da Arte Digital no Pará, com obras dos artistas paraenses Alberto Bitar, Bruno Cantuária, Carla Evanovitch, Cláudia Leão, Flavya Mutran Jorane Castro, Keyla Sobral, Luciana Magno, Melissa Barbery, Orlando Maneschy, Ricardo Macêdo, Roberta Carvalho, Val Sampaio e Victor De La Roque.se torna uma oportunidade única de conhecer, em um único espaço, os novos caminhos artísticos do Pará, na confluência entre arte e tecnologia.

Curadores:

Ramiro Quaresma: Idealizador e curador do I Salão Xumucuís de Arte Digital. Designer de exposições em espaços como Museu Casa das Onze Janelas e Museu Histórico do Estado do Pará. Publicitário, documentarista e produtor cultural.

John Fletcher: Doutorando em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará, Mestre em Artes e autor de textos científicos sobre Arte contemporânea Paraense em Revistas Especializadas.

Serviço:

Panorama da Arte Digital no Pará

Local: Espaço Cultural Banco da Amazônia

Quando: abertura no dia 10/05/2012, às 19:00h

Prêmio de Artes Visuais divulga 4 selecionados

O Banco da Amazônia divulgou o resultado final do Prêmio de Artes Visuais 2012. Foram quatro selecionados que ocuparão as instalações do Espaço Cultural no período de maio de 2012 a fevereiro de 2013.

Para o prêmio foram selecionados quatro projetos: “Outra natureza” do artista plástico Fernando Hage; “Panorama da Arte Digital no Pará” do artista plástico Ramiro Quaresma; “Mosaico Inflamável” de autoria do artista plástico Francisco Pacheco; e “Amazônia, esfinge II” do artista visual Sávio Luiz Stoco.

A exposição “Outra natureza” reunirá obras de artistas que tem se destacado no cenário local e nacional. “Panorama da Arte Digital no Pará” apresenta problemáticas que surgem das crescentes reinvenções tecnológicas. “Mosaico Inflamável”, de autoria do artista plástico Francisco Egon da Conceição Pacheco, apresenta obras produzidas com embalagens de maços de fósforo, rótulos, caixinhas e palitos usados. Tem como proposta o estímulo e a reflexão sobre o complexo contexto geopolítico do Brasil e da Amazônia

O último projeto a ser contemplado pelo edital foi “Amazônia, esfinge II” do artista visual Sávio Luiz Stoco. O artista apresenta na exposição a sequência do documentário terceiro milênio (1978) de Jorge Bodanzky e conta com diferentes técnicas e suporte, entre eles painéis fotográficos, em madeira revestidos por fotografias impressas em tecidos e obras literárias.

Os projetos recebidos foram analisados por uma comissão avaliadora  composta de artistas visuais convidados para desempenharem o papel. O evento é uma realização do Banco da Amazônia e o período para a habilitação dos projetos vai até o dia 30/04/2012, publicado no edital disponível no site do Banco: http://www.bancoamazonia.com.br.

(DOL, com informações da Ascom Basa)

Catálogo do I Salão Xumucuís de Arte Digital

 

Idealização

Deyse Marinho / Ramiro Quaresma

 

Curador

Ramiro Quaresma

 

Juri de Seleção

Orlando Maneschy

Flavya Mutran

Roberta Carvalho

 

Projeto Expográfico

Rosângela Britto

 

Identidade Visual da Exposição e Catálogo

Ramiro Quaresma

 

Artistas Premiados

Flamínio Jallageas (SP)

Grupo Hyenas (RJ)

Míriam Duarte (MG/SP)

Ricardo O’Nascimento (RJ)

Victor De La Rocque (PA)

 

Artistas Selecionados

Aieda Freitas(SP)

Diego Mac (RS)

Mirian Duarte (SP)

Grupo TELEKOMMANDO (SP)

Luis Henrique Rodrigues (SP)

Diego de Los Campos (SC)

IO (RS)

Vitor Lima (PA/RJ)

Cibele Fernandes (SP)

Daniel de Nazareth (SP)

Denis Siminovich (RS)

Flamínio Jallagueas (SP)

Nilvana Mujica (MS)

Ricardo Macêdo  (PA)

Ruma (PA)

Valério Silveira(PA)

Victor de La Roque (PA)

Wily Reuter (RJ)

Cesar Garcia (SP)

Hyenas (RJ)

Camila Buzelin (MG)

Lu Magno, Bruno Cantuária Ricardo Macedo (PA)

Dalila Camargo (SP)

Fernando Velasquez (SP)

Ricardo Nascimento (RJ)

João Penoni (RJ)

Junior Suci (SP)

John Fletcher (PA)

 

Artistas Convidados

Armando Queiroz

Keyla Sobral

Lúcia Gomes

Melissa Barbery

Roberta Carvalho

 

I Salão Xumucuís de Arte Digital – Artistas Premiados

Cinco artistas premiados, entre eles um paraense, duas menções honrosas e mais 28 obras selecionadas. Este é o saldo do 1º Salão Xumucuís de Arte Digital do Pará, que não limitou técnica ou formato. Foram mais de 200 inscrições vindas de todas as regiões do país, mostrando a força que o salão teve nesta sua primeira edição.  O júri foi formado por artistas paraenses que já atuam nesta área da arte digital ou que já tem a experiência da curadoria e de participação em diversos outros júris de salões de arte, como Orlando Maneschy, que é mestre em Semiótica. Além dele, a artista visual Roberta Carvalho e a fotógrafa Flavya Mutran, que vem trabalhando e pesquisando o ambiente da arte na web e suas inúmeras inter relações.

Em dois dias de reunião, 05 e 06 de agosto, foram selecionados para premiação, os artistas:

Flamínio Jallageas (SP), vídeo instalação Platôs (2009);

Grupo Hyenas (RJ), video instalação “A Borboleta e o Tigre” (2011);

Míriam Duarte (MG/SP), vídeo-instalação“Refletir” (2011);

Ricardo O’Nascimento (RJ), com o vídeo-arte “AUTRMX” (2008 );

e Victor De La Rocque (PA), “Not Found” (2011).

Para Flávia, o salão teve êxito pois conseguiu, já em sua primeira edição, ao receber inscrições em todas as categorias que foram listadas no edital, como a Gravura Digital, o Vídeo Arte, a Web Arte, o Vídeo Instalação entre outras, mas não só isso. “ O salão foi feliz não só por ter recebido inscrições de obras que se destacam por sua qualidade, mas também por virem de artistas que já estão há mais tempo nesta cena, participando de outros grandes salões, como a Bienal do Mercosul, por exemplo, e que acreditaram  neste projeto. Isso é muito bom”, avalia. A fotógrafa diz que o salão também tem um caráter inédito, com inscrições realizadas inteiramente on line. “Esta é uma proposta inovadora para a cidade, traz um risco novo e a reposta a forma com que realizou as inscrições foi muito boa”, comenta Flávia.

 

Vídeo-instalação “Refletir”, de Miriam Duarte, premiado no Salão.

Embora a arte digital não seja exatamente uma novidade na cena de salões, mostras e exposições em Belém, é a primeira vez que este tipo de arte poderá ser visualizada em um só espaço, abrindo uma margem de discussão mais direcionada e densa sobre a arte feita sobre a plataforma computacional. “Por mais que as temáticas não sejam novas, no sentido de trazer questões que não estavam antes na arte ou em outros suportes como fotografia, o vídeo e a performance, o salão inova ao reunir estes tipos de trabalho e estes artistas em um só espaço”, afirma a fotógrafa.

Ramiro Quaresma, Roberta Carvalho, Orlando Maneschy e Flavya Mutran.

Para Roberta Carvalho, o salão chegou em tempo, pois assim como em outras capitais, Belém já se alinha nesta linguagem há algum tempo.“Recebemos trabalhos estão com muita qualidade e foi muito prazeroso selecionar este grupo. É tudo muito múltiplo, trazendo ao público as várias maneiras de se trabalhar a linguagem digital. Temos gravura, vídeo-arte, vídeo instalação. São trabalhos muito fortes, alguns mostrando as experiências do digital, onde se trabalha com softwares, mas com rebuscamento”, diz Roberta. Quanto aos premiados ela diz que todos são ótimos trabalhos, que unem a importância da linguagem e a sua força poética. “Não houve muita dificuldade em chegar a um consenso para definirmos o grupo dos cinco”, conclui Roberta.

Há tempo aguardando pela realização de um salão desses na cena artística de Belém, o professor em Semiótica comemora. “Participar deste júri do primeiro salão de arte digital é uma grande felicidade porque há tempos eu queria ver esta cena acontecendo e apesar do desinteresse, de alguns artistas locais, as coisas ficavam engatadas, mas com este projeto, consigo ver uma cena se solidificando, porque tem artista de vários estados do país e que trazem inscrições de diferentes trabalhos,  desde arte interativa”, diz Maneschy.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital de Belém foi criado a partir do blog Xumucuís, com curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação geral de Deyse Ane Ribeiro Marinho. Para Maneschy este fato já tona o evento de uma particularidade indescritível. “O espaço que começa na internet , segue para um projeto maior de arte e físico na verdade você tem o plano da internet , mas trazer pra dentro da Casa das Onze Janelas, espaço da arte contemporânea em Belém, é muito diferenciado e especial”, conclui.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital, que ganhou o patrocínio da Oi Futuro, por meio da Lei Semear, do Governo do Estado, será aberto ao público no dia 18 de agosto, na Sala Valdir Sarubbi, da Casa das Onze Janelas. Para mais informações e ver a lista completa dos artistas selecionados, acesse: https://xumucuis.wordpress.com/. Mais informações: 91 8239.2476.

Exposição “Marajó de Giovanni Gallo” – Centro Cultural Sesc Boulevard

Gallo, em seu processo alquímico-existencial, além de captar fragmentos da realidade, fora ou além da ótica estabelecida como beleza e verdade, carregava as credenciais de pesquisador curioso, que através da técnica fotográfica teve a possibilidade de materializar e transmitir experiências, descobertas, aventuras e verdades do universo paradoxal do território marajoara. Gallo revelou índices que se tornaram registros antropológicos do povo e da cultura marajoara de sua época.  O destino foi seu mestre-guia que lhe enviou para a missão de converter almas para o reino da igreja católica e foi convertido de alma e coração ao reino místico e misterioso da Ilha do Marajó.

Carlos Pará, Curador

Marajó de Giovanni Gallo

Nascido em 27 de abril de 1927, Turim, Itália, em pleno VII ano da Era Fascista de Benito Mussolini. Teve uma infância difícil e condição de vida muito precária, Gallo e sua família sofriam com a escassez de alimentos, devido à guerra em que a Itália estava desenvolvendo sobre o comando de Mussolini. Na juventude aceitou sem pressões familiares ou externas seguir o sacerdócio de padre jesuíta o que lhe rendeu erudição e percepção sobre a situação da vida dos mais pobres em várias lugares do mundo. Depois de uma jornada de oito anos na Suíça, Giovanni Gallo foi ordenado para atuar no Brasil. Desembarcou em 1970 em Salvador na Bahia onde assim como em todo o país, estava sob uma Ditadura Militar, fato que contribuiu para as três prisões do recém chegado. Entusiasmado com as paisagens do país, em viagens desenvolvidas para conhecer as obras religiosas desenvolvidas pela igreja, tira inúmeras fotos de tudo que lhe despertava o interesse, mas acaba sendo confundido com um espião do comunismo, sofrendo com isso revistas e interrogatórios intermináveis nas cadeias, cada vez que a sua figura estranha projetava a sua câmera para um cenário, o que lhe dava características em tempos de ditadura, um ar de espião estrangeiro.

O interessante é que essa sua paixão pela fotografia, acabou lhe rendendo mais tarde inúmeros prêmios fotográficos como: O 2º prêmio no Concurso Fotográfico da SECTET e em 1980 Y.Yamada: Retrato Pará;  o 4º Prêmio no Concurso Fotográfico da Universidade do Pará, “Preserve a Memória da sua cidade” (1981); e o 5º Prêmio de Menção Honrosa, do Concurso Nacional de Fotografia, “Aleitamento Materno” de Porto Alegre (1982). Além de exposições como a ocorrida no Teatro da Paz na Galeria Angelus com o título “O Meu Marajó”, em 1982. Exposições essas que mostraram o resultado de seu trabalho, após anos registrando as mais diversas situações encontradas na ilha de Marajó. Foi membro filiado da Associação Paraense de fotógrafos de carteirinha e tudo.

Mas além de fotógrafo, Gallo foi jornalista e museólogo. Mas suas pesquisas não se limitaram a arqueologia da ilha, as suas experiências sofridas, seja nos campos do Marajó, entre os vaqueiros e os moradores das cidades, ou nos rios da região realizando a pescando no mato. Contribuíram para que o padre adquirisse um conhecimento muito significativo sobre os aspectos culturais e sociais da região.

A exposição “O Marajó de Giovanni Gallo” reúne imagens poético-documentais que revelam o olhar e a história do italiano Giovanni Gallo, ex-padre jesuíta e criador d’O Museu do Marajó que viveu nos municípios de Santa Cruz do Arari e Cachoeira do Arari entre às décadas de 70 e 80. Grande visionário, museólogo e fotógrafo, entregou sua vida para servir um povo culturalmente rico, original que vive a margem da história, distante dos grandes centros urbanos, afastados de tudo, de difícil acesso, em localidades desconhecidas onde a ditadura da água e da terra prevalecem. Gallo tornou-se um dos maiores defensores e divulgadores da paradoxal cultura marajoara.

Como Chegar no Centro Cultural Sesc Boulevard


Sobre a exposição “Pedra & Alma: 30 anos do IPHAN no Pará”

A exposição “Pedra & Alma”, que narra os 30 anos de atuação do IPHAN no Pará, conseguiu transportar ao expaço expositivo de forma criativa um tema que podia descanbar para uma espécie de relatório burocrático. Na entrada já vemos um linha do tempo bem detalhada, dividida em Mundo, Brasil e Pará, onde podemos conhecer o desenvolvimento na área de preservação do patrimônio, numa solução visual e expositiva que lembra a criada no Museu da Língua Portuguesa (SP).  Muito bem executada.

Foi elaborado um mapa ilustrado muito interessante identificando imóveis tombados pelo IPHAN na área metropolitana de Belém. Faço uma crítica a ausência de outro identificando prédios e monumentos em todo o estado do Pará, que seria muito oportuno depois da aprovação do PAC das Cidades Históricas.

Muito bem executadas também as instalações sobre o açaí e sobre as erveiras. Esta sala mostra a diversidade cultural do estado de forma lúdica e colorida foi a sala mais bem resolvida conceitualmente e a mais rica em informações visuais. Uma crítica que faço foi o predominio da informação textual e a falta de “respiração” nos painéis expográficos.

A sala que homenageia os nomes de personalidas cuja história está ligada às questões da preservação do patrimônio e da memória no Pará e no Brasil faz justíssimas homenagens. Deveria, após terminado o período da exposição, ficar exposto em outro local público, dando continuidade a homenagem.

Uma exposição pra visitar sem pressa, uma aula sobre a importância da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural. Índico pra toda a sociedade, a visita é obrigatória. No Canto do Patrimônio, sede do IPHAN, na Rui Barbosa com José Malcher.


4° Fórum Nacional de Museus “Direito à Memória, Direito a Museus”

FAÇA AQUI SUA INSCRIÇÃO ATÉ O DIA 05 DE JULHO.

Fórum Nacional de Museus (FNM) é um evento bienal, com o objetivo de refletir, avaliar e estabelecer diretrizes para a Política Nacional de Museus (PNM) e para o Sistema Brasileiro de Museus (SBM).

A 4ª edição do Fórum Nacional de Museus é uma culminância do processo de construção da Política Nacional de Museus e sintetiza o esforço empreendido para articular, promover, desenvolver e fortalecer o campo museal brasileiro. Trata-se de um momento propício para a avaliação da PNM em termos de metas, experiências, realizações, resultados efetivos, frustrações e, ao mesmo tempo, de construção e projeção no futuro de novas possibilidades e experimentações, de novos caminhos, desafios e horizontes.

As três edições anteriores do FNM contribuíram, ao seu modo, para o desenvolvimento e o enraizamento social da política de museus, compreendida como política pública de cultura.

O 1º FNM, realizado em Salvador (BA), em 2004, teve por tema “A Imaginação Museal: os caminhos da democracia” e inspirou muitos debates. O 2º FNM, realizado em Ouro Preto (MG), em 2006, adotou o tema,O futuro se constrói hoje” e contribuiu para a apresentação e o desenvolvimento de novas experiências museais. O 3º. FNM foi realizado emFlorianópolis (SC), em 2008, tendo por pano de fundo o tema: “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento”, foi fundamental para a afirmação da centralidade da museologia social no âmbito da PNM.

O 4º FNM traz para o centro dos debates o tema: “Direito à Memória, Direito a Museus”. A vontade (ou desejo) de memória (e de patrimônio) mesmo não sendo exclusividade do mundo contemporâneo, ganha na atualidade, em virtude de seu vínculo com o campo da comunicação e da política, uma dimensão especial.

Direito à memória, vontade de memória e dever de memória, implicam, de algum modo, o seu oposto. A memória é campo de litígio, é arena de disputa política pelo passado e pelo futuro. Nesse sentido, é preciso considerar que esquecer não é crime, esquecer não é pecado, esquecer faz parte da vida e faz parte dos processos de memória. Assim como produzimos memória, também produzimos esquecimentos.

O tema do 4º FNM tem relevância para o campo museal contemporâneo e sinaliza para a importância de se pensar o museu como conector cultural de espaços e tempos diversos. Tudo isso, levando em conta a memória que, a rigor, está entronizada no presente.

Compreendendo o 4° FNM como espaço radical de troca de experiências, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) convida todos os interessados no tema acima indicado a participar do exercício de construção de uma nova imaginação museal; uma imaginação capaz de dialogar com temas como: cidades e cidadania; desenvolvimento sustentável; economia criativa; e, estratégias de institucionalização de um universo museal tão multifacetado.

Durante o Fórum serão oferecidos mini-cursos de capacitação em diversas áreas de atuação do campo museal. Também serão reunidos grupos de trabalhos temáticos para a construção e discussão das diretrizes, ações e metas da Política Nacional de Museus – PNM.

Resultados Esperados

I – Mobilizar a comunidade museológica do Brasil;

II – Propor estratégias para o fortalecimento do setor museológico, buscando assegurar a qualificação da gestão museal;

III – Promover o debate entre profissionais de museus, gestores culturais, estudantes e interessados no tema, garantindo ampla discussão sobre questões como gestão cultural; preservação, aquisição e democratização de acervos; formação e capacitação; educação e ação social; modernização e segurança; economia dos museus; acessibilidade e sustentabilidade ambiental; comunicação e exposições; pesquisa e inovação;

IV – Propor estratégias para a consolidação dos sistemas de participação e controle social na gestão das políticas públicas de museus e memórias e estimular as transversalidades culturais, garantido acesso a uma boa formação dos profissionais do campo museal;

V – Aprimorar e propor mecanismos de articulação e cooperação institucional entre os entes federativos e destes com a sociedade civil, enfatizado as atividades de preservação e aquisição, bem como os esforços de democratização de acervos;

VII – Debater, examinar e implantar as diretrizes aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura (CNC), relativas aos museus;

VIII – Elaborar e aprovar as estratégias para o Plano Nacional Setorial de Museus, contemplando os principais aspectos do que resultou do debate sobre as questões transversais do setor museal;

IX – Eleger os novos membros do Comitê Gestor do Sistema Brasileiro de Museus, que, simultaneamente, passarão a compor o Colegiado Setorial de Museus e Memória junto ao Conselho Nacional de Políticas Culturais.

PROGRAMAÇÃO

HAICAI: POESIA E IMAGEM

Paralelamente à exposição ocorrerá Mini-oficina de experimentação plástica: “Reciclagem e produção de papel artesanal”

Responsável: Bianca Shiguefuzi

Período: 07 à 23/04/10

Horário: 14:00 às 16:00hs

A mini-oficina repetir-se à em cada dia.

Às 3a. feiras: atendimento  ao público em geral e sem inscrição prévia (individualmente ou máximo 12 pessoas)

Às 4a., 5a. e 6a. feiras: atendimento aos grupos escolares e outras instituições que agendarem com antecedência pelo telefone 4009818/ Coordenação de Educação e extensão (máximo 30 pessoas)

Público:  crianças à partir de 05 anos acompanhadas por responsáveis, jovens, adultos e idosos.

Obs.: Pessoas surdas devem entrar em contato com Mizanara, tradutora intérprete em libras pelo email: mizanara_brasil@hotmail.com

Local: Varanda do Museu Casa das Onze Janelas

Rua Frei Caetano Brandão, s/ nº, Cidade Velha, Belém, PA.

Tel.: 40098823 e 40098821

http://museucasadasonzejanelas.blogspot.com

Obra em Questão // BANZEIRO, de Marcone Moreira

BANZEIRO

Venho a alguns anos, desenvolvendo um trabalho que tem como uma das referências o  universo dos ribeirinhos.

Resido e trabalho em Marabá no Pará, cidade entrecruzada por dois grandes rios, o Tocantins e o Itacaiúnas, portanto o contato com esse ambiente é naturalmente constante.

O meu processo de pesquisa envolve o interesse sobre os estaleiros localizados às margens desses rios, para observar e recolher material destinados à produção do meu trabalho, o que me contaminou por essa visualidade.

Minha obra abrange várias linguagens, como a produção de pintura, escultura, vídeo, objeto, fotografia e instalação (www.marconemoreira.blogspot.com).

A realização desse projeto, a instalação BANZEIRO, é uma continuidade da minha pesquisa visual.

A palavra BANZEIRO significa em nossa região o constante movimento das águas, provocado tanto por uma embarcação a vapor, ou pela agitação natural das águas, situação recorrente nos rios amazônicos, chegando ao ponto de não ser recomendado a navegação, em alguns horários, devido o aumento do risco de naufrágio.

O trabalho será composto por 30 cavernames (peças curvas de madeira que dão forma ao casco das embarcações), distribuídos no piso do espaço expositivo em várias direções, de uma forma que remeta metaforicamente ao movimento revolto das águas.

As peças (cavernames) serão confeccionadas em Marabá, em um dos estaleiros às margens do rio Tocantins, local onde se concentram várias oficinas de construção e reforma de embarcações, assim valorizando o trabalho e o conhecimento desses mestres da carpintaria naval.  Além das fotografias, será produzido um vídeo para registro do processo de trabalho, desde a construção à exposição da obra.

a realização desse trabalho foi possivel através do Prêmio Marcantonio Vilaça/Funarte, 2009

Marcone Moreira

http://www.marconemoreira.blogspot.com

Obra em Questão // “Sine Die” de Nina Matos

A obra da semana achei no blog  paz575 galeria de arte, mantido por Wagner Lungov. Um texto sobre a obra da artista paraense.

sinedie-2005

Vi este quadro em 2006 na mostra Rumos do Itaú Cultural. Recentemente, por estar abrindo a galeria, entrei em contato com a autora, Nina Matos. Dados sobre ela e outras de suas obras podem ser encontrados aqui.

Vamos agora direto à “Sine Die”. É muito interessante como hoje a pintura usa recursos formais da fotografia/cinema e vice versa. Esta tela é um bom e muito bem sucedido exemplo. Por recursos formais quero dizer que ela utiliza nosso repertório de maneiras de dizer alguma coisa, através da forma como os elementos da cena são organizados e representados. Maneiras que aprendemos vendo filmes e fotos em situações que representavam perigo, alegria, melancolia, suspense, mistério… e depois estes mesmos significados são ativados quando o recurso formal é utilizado em situações novas, como quando olhamos para “Sine Die”.

A primeira coisa é o efeito de profundidade de campo como acontece com as lentes. Esse efeito resulta do fato de que, principalmente as lentes para situações de pouca luz, só conseguem dar nitidez em uma faixa bem estreita de distâncias. Quer dizer, pouca coisa fica no foco. Tudo que está mais distante ou mais próximo que a faixa de nitidez, fica desfocado. É claro que em pintura isso não é absolutamente necessário. Fica a critério do artista. Pintores do século XIV gostavam de fazer, por exemplo, alguém lendo uma carta no primeiro plano e pela janela podemos ver o que acontece no horizonte distante. Tudo com uma riqueza de detalhes impressionante. Bem, com lentes isso não é possível. Na pintura “Sine Die” Nina Matos escolheu, embora pintasse, fazer como se víssemos a cena através de uma lente. Observe que a palavra “céu” escrita no chão, no primeiro plano, está perfeitamente nítida. Ela usou inclusive a textura da tela para aumentar esta sensação. Também as marcas de giz e as frestas no cimentado estão bem “focados”. Dali pra frente tudo começa a ficar mais fluído e embaçado como em um típico exemplo de perda de profundidade de campo.

E por que isso? Bem, é aí começa a história. A mocinha, que seria afinal o tema do quadro, já está saindo do plano de foco, seus contornos vão como que se diluindo como o resto. Isso fica mais acentuado pelo fato dela estar de costas e claramente em movimento com o pé esquerdo ainda, ou quase, suspenso no ar. É como se tudo estivesse montado para um retrato convencional. Se ela tivesse ficado no céu, de frente para nós, estaria bonitinha na foto, com sua roupa de colegial, feliz, sorridente e bem focada . Mas ela está deixando o céu e começando uma nova empreitada com o pé esquerdo. Fico me perguntando se esse pé esquerdo, conhecido pela expressão popular de começar alguma coisa com o “pé esquerdo”, funciona também em uma forma visual. Fico na dúvida se ele ativa algum tipo de significação negativa em uma forma que não seja a escrita ou falada. O que é claro, em qualquer caso, é que ela nos virou as costas e foi embora. Aí vejo um outro recurso da linguagem de cinema. Há uma indicação de surpresa ou, se quiser, certa decepção com esse movimento da nossa jovenzinha pois o observador perdeu um pouco o equilíbrio. Veja que o horizonte, a rua e as linhas do chão não batem muito bem entre si. Parece que a câmera balançou um pouco. Esse é um recurso que os diretores de cinema usam para nos colocar na cena. Quando a existência de um narrador não faz parte da história e o observador igualmente tem um acesso sem explicação ao desenrolar da trama, temos o caso em que o público é tratado apenas como a “quarta parede” em relação ao palco. Este tipo de tratamento foi introduzido no teatro na época de, e discutida por, Diderot, quem criou a expressão “quarta parede”. Foi adotado nas artes cênicas inclusive no cinema mais tarde. Situação muito diferente é quando a câmera balança, quando está no nível dos olhos. Veja que a cabeça da mocinha está próxima e um pouco acima do horizonte. Estamos até um pouco abaixo dela. Esse recurso é clássico nas seqüências de perseguições. Para acentuar o desespero do perseguido: nós assumimos o ponto de vista do perseguidor. Mas aqui acontece ainda algo diferente: as barras escuras nas laterais do quadro e o ponto de vista mais baixo, dão um efeito de clausura, de barreira que nos impede de seguí-la ou detê-la. Ficou só a balançada que dá um efeito de incompreensão do gesto da mocinha.

Última coisa que eu vejo é que ela não está indo em direção ao vazio completo. É algo que claramente se opõe ao campo nítido, claro e bem marcado, onde se encontra o observador. Existe alguma coisa, como que um “escuro materializado”, algo no ar à frente dela. Parece que ela vai entrar em uma sombra com densidade desproporcional à iluminação da cena. A escuridão e as sombras como opostas ao céu e à luz, formam um daqueles pares de opostos muito fortes em nossa cultura representando o bem e o mal. A tela representa lindamente essa presença oposta, sempre mantendo o caráter de uma cena externa. Não é fácil pintar o escuro em pleno dia. Como resultado, o sentimento de perda ao vermos essa mocinha que nos deixa, é muito intenso. A incerteza de para onde ela vai nos enche de apreensão. A nossa impotência, criada pelas barras escuras que nos aprisionam, é angustiante.

Sine Die, é uma expressão em latim. Significa “sem data”. Nina diz que para ela a tela representa algo atemporal, sem localização determinada no tempo. Não é então um fato particular. Talvez possa ser lido como que algo recorrente, um sentimento ou situação que faz parte de nossas vidas, algo que todos experimentamos e que todos conhecemos. Muito bom! Uma tela para não se cansar de olhar.

Por Wagner Lungov in blog.paz575.com

Obra em Questão // “Senhora” de Osmar Pinheiro

SENHORA- OSMAR PINHEIRO- foto Galeria Virgilio

“Senhora”

Ano: 2005

Técnica: acrílica, óleo e encáustica s/ tela

Dimensão: 110 x 220cm

Do acervo recém adquirido pelo Museu Casa das Onze Janelas a primeira postagem do Obra em Questão. Do grande Osmar Pinheiro em homenagem ao Círio de Nazaré, no mês de outubro. Ela está no momento em exposição, é uma obra de grande impacto, pelo tamanho e pelatextura de tintas e químicas sobre a imagem. Como numa TV com estática, interferências, transmitindo um Círio que vem do nosso inconsciente. Osmar Pinheiro é mestre em subverter o imaginário amazônico em catarse artística.

Saiba mais sobre esse grande artista paraense:

Osmar PinheiroNascido em Belém do Pará, em 1950, Pinheiro mudou-se para São Paulo em 1986. Artista paraense, que veio da Arquitetura e começou a ganhar projeção na primeira metade dos anos 80, sendo um dos primeiros a conseguir inserir-se no circuito nacional de arte. Destacou-se na pintura e no desenho. Em 1988 recebeu a Bolsa Guggenhein Foundation de New York, para um período de trabalho de dois anos em Berlim (Alemanha). Entre as diversas participações em exposições, destacam-se as bienais de Quenca no Equador (1998), Havana (1986) e duas vezes a Bienal de São Paulo (1973/1992). Faleceu em 2006 na cidade de São Paulo .

Prêmio Secult de Artes Visuais

prêmio SIM de Artes Visuais 2008 surge em 2009 como novo nome, Prêmio Secult de Artes Visuais, e contemplando apenas 08 projetos, na primeira edição foram 16. A ajuda de custo passou dos R$ 6.500 da edição passada para R$ 9.800, mais exequível para os artistas. A quantidade de contemplados pode ter diminuído mas continua sendo uma das poucas oportuidades para os artistas visuais materializarem suas exposições. No ano de 2008 foram mais de uma exposição por mês, fato inédito e marcante na história das artes no Pará.  Foram 16 propostas artísticas, de um total de 104 inscrições, que proporcionaram ao público experiências visuais e sensoriais múltiplas. Os projetos artísticos premiados pelo Prêmio SIM de Artes Visuais 2008 foram escolhidos pelo júri formado por Marisa Morkazel, Orlando Maneschy e Armando Queiroz , e idealizado e coordenado pela diretora do Museu Casa das Onze janelas, Nina Matos, artista visual e arte-educadora. Os projetos foram montados em diversas salas expositivas do SIM, no MHEP, Sala Antonio Parreiras e Sala Manoel Pastana e Salão Transversal; Onze Janelas, Laboratório das Artes, Sala Gratuliano Bibas e Sala Valdir Sarubbi; e Galeria Fidanza no Museu de Arte Sacra. Foram contemplados 11 projetos locais e 5 de outros estados, recebendo R$ 6.500,00 para custos relativos a realização da exposição e a infra-estrutura de montagem e divulgação por conta da Secult. Vamos comentar aqui todas as exposições do Prêmio SIM de Artes Visuais e, se possível, entrevistas com os artistas e da comissão de seleção do prêmio.

Esses foram os projetos contemplados em 2008:

Projetos Paraenses
“Retrospectiva 20 anos” de Jair Junior

“Alma” – Margalho Açu

“Espaços Autônomos” – Bruno Cantuária e Ricardo Macedo

“Ifigênia na sala dos passos perdidos” – Maria Christina

“Marca texto urbano” – Ingrid Táskya, Edilene Pamplona, Amanda Jhones

“Corporaturas” – João Cirilo, Éder Oliveira, Flávio Araújo, Milton Ribeiro e Werley Souza

“Finisterra” – Mariano Klautal

“Cidade Rede” – Val Sampaio

“Vazio” – Berna Reale

“Onde as Borboletas não voam” – Daniele Valente, Vitor Souza Lima e Melissa Barbery

“Cidades Vulneráveis” – Carla Evanovitch

Projetos de outros Estados:
“Plus Ultra” – Oriana Duarte – SP

“Janelas Para o Mundo” – proponente Álvaro Seixas /curadoria Marisa Florido Cesar – RJ

“O Silêncio do Martelo” – Fabrício Carvalho – MG

“Estado-escuta/estado-cegueira” – Raquel Stolf – SC

“Exposição Portátil Coleção” – Regina Mellim – SC

Para os artistas interessados segue o pdf com o edital completo para a inscrição de projetos para o Prêmio Secult de Artes Visuais 2009,

é só clicar na logo e baixar.

Logo Premio Secult