O Theatro da Paz e os cupins

Não fui pego de surpresa por esta notícia, nada mais me impressiona em se tratando de preservação do patrimônio histórico no Pará. Acredito que não apenas o ex-secretário de cultura Sr. Edílson Moura é o culpado por negligenciar o Theatro da Paz, como também a Diretoria do Patrimônio e a Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, com quadros formados por arquitetos e historiadores, que são os responsáveis pela gestão de questões relativas a preservação e conservação de prédios históricos no Estado do Pará. E lembrando que nada fizeram pelo patrimônio histórico de Belém em quatro anos, não passaram uma mão de tinta em canto nenhum, chamando a gestão de Paulo Chaves de elitista, inventaram um interiorização da cultura que só serviu para eleger Edílson Moura Deputado Estadual. É só ir qualquer cidade e perguntar por alguma ação concreta e perene da gestão passada.  O restauro dos casarões do Comércio e da Cidade Velha anunciados no primeiro ano não saiu da planta e da placa. O desabamento do forro da entrada foi um sinal claro do problema, que foi maquiado para uma reinauguração patética.

Já escrevi em outros posts anteriores que restauro de prédios históricos deve ser acompanhada de um projeto de manutenção, salvaguardando sua estrutura e diminuindo os custos de sucessivas reformas.  O Palácio Lauro Sodré a Secult apenas inaugurou na gestão passada, e hoje sabe-se que está tal como o Theatro da Paz, só falta fazer um comunicado. Cupins se instalaram não apenas no Da Paz, mas também fundações de nossa cidade, do nosso estado, da nossa alma, e devoram nossa coragem ao ponto de nos fazer mendigar “favores” do Estado que só existe para nos servir, manter nossos símbolos erguidos, nossas ruas limpas e seguras e nossas crianças educadas e sadias. Se um governo não foi, nem é capaz de fazer isso, que é o mínimo, pra que serve então?

Espero e confio que o Secretário Paulo Chaves cumpra mais uma vez sua missão. Estamos aqui de olho.

Abaixo as informações da Secult sobre o fechamento:

Secult fecha Theatro da Paz para reforma de emergência

A noite de aniversário do Theatro da Paz e do maestro Waldemar Henrique também foi marcada pelo anúncio do fechamento provisório do teatro para reforma. A notícia foi dada pelo secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, no final do recital especial na noite desta terça-feira (15). Ele explicou para o público presente, que o teatro será fechado a partir desta quarta-feira (16) porque está infestado por cupins e que por esse motivo, a estrutura física do teatro estaria comprometida. A decisão do fechamento provisório do teatro se deu através de um entendimento entre a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O teatro está correndo um sério risco e nós já estamos tomando as medidas necessárias para recuperá-lo o mais rápido possível. Tomamos essa decisão em conjunto com o Iphan, pensando sempre na segurança de todos”, afirmou o secretário. Ele explicou que os problemas dos cupins, foram detectados em setembro de 2009, ainda na gestão passada. Na época, um relatório apontando os problemas estruturais causados pelos cupins foi apresentado para os gestores do governo, porém, nada foi feito.
Assim que assumiu a Secult, Paulo Chaves tomou conhecimento do relatório e entrou em contato com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo para que disponibilizasse técnicos especializados em madeira para fazer o serviço de descupinização do teatro. “As primeiras previdências já foram tomadas e o serviço deve começar o mais breve possível. Porém, enquanto isso, o teatro ficará fechado por medida de segurança durante um tempo indeterminado”, ressaltou Chaves.
A plateia ficou assustada e surpresa com o anúncio do secretário. “É muito triste saber que nosso teatro estava completamente abandonado, entregue aos cupins. Espero que agora as coisas melhorem e nós possamos voltar a assistir espetáculos maravilhosos nesse lugar”, disse a empresária Marina Soares.
Paulo Chaves afirmou que o relatório que aponta todas os problemas estruturais do teatro causados pelos cupins está disponível para quem quiser ter mais conhecimento sobre o caso. “Vamos trabalhar para que logo o teatro volte ao seu esplendor”, garantiu

Blog da CiVViva – Cidade Velha-Cidade Viva

Encontrei esse blog e vou virar frequentador assíduo. A Associação Cidade Velha-Cidade Viva tenta, apesar de todas as adversidades, preservar a Cidade Velha da extinção patrimonial. O blog sistematicamente está acompanhando o processo de degradação do patrimônio histórico e publicando denúncias como a sujeira pós-carnaval e o desabamento criminoso de casarões nas áreas da Cidade Velha e Comércio. Acredito que a grande mudança de paradigma da preservação e conservação do patrimônio histórico, artístico e cultural passa pela participação popular através de associações e demais grupos não-governamentais. Parabéns ao CiVViva e a todos que fazem parte dessa luta brancaleonica. Acessem http://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com/

Fotos recentes publicadas no Blog da CiVViva, do livro “Com Eira, Beira e… Ramo de Mangueira”  de Celso Abreu, fazem a ser lançado pelo Laboratório de Democracia Urbana da CiVViva e apresentado no dia do seu aniversário de fundação.

Sobre a exposição “Pedra & Alma: 30 anos do IPHAN no Pará”

A exposição “Pedra & Alma”, que narra os 30 anos de atuação do IPHAN no Pará, conseguiu transportar ao expaço expositivo de forma criativa um tema que podia descanbar para uma espécie de relatório burocrático. Na entrada já vemos um linha do tempo bem detalhada, dividida em Mundo, Brasil e Pará, onde podemos conhecer o desenvolvimento na área de preservação do patrimônio, numa solução visual e expositiva que lembra a criada no Museu da Língua Portuguesa (SP).  Muito bem executada.

Foi elaborado um mapa ilustrado muito interessante identificando imóveis tombados pelo IPHAN na área metropolitana de Belém. Faço uma crítica a ausência de outro identificando prédios e monumentos em todo o estado do Pará, que seria muito oportuno depois da aprovação do PAC das Cidades Históricas.

Muito bem executadas também as instalações sobre o açaí e sobre as erveiras. Esta sala mostra a diversidade cultural do estado de forma lúdica e colorida foi a sala mais bem resolvida conceitualmente e a mais rica em informações visuais. Uma crítica que faço foi o predominio da informação textual e a falta de “respiração” nos painéis expográficos.

A sala que homenageia os nomes de personalidas cuja história está ligada às questões da preservação do patrimônio e da memória no Pará e no Brasil faz justíssimas homenagens. Deveria, após terminado o período da exposição, ficar exposto em outro local público, dando continuidade a homenagem.

Uma exposição pra visitar sem pressa, uma aula sobre a importância da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural. Índico pra toda a sociedade, a visita é obrigatória. No Canto do Patrimônio, sede do IPHAN, na Rui Barbosa com José Malcher.


Museália – Revista de Cultura e Museus do Ibram

MuseáliaRevista de Cultura e Museus é a mais recente publicação do Ibram. De cunho institucional e edição semestral, a revista pretende mostrar não só o trabalho do Ibram, mas também o que acontece nos museus brasileiros.

É uma forma de divulgar à sociedade os eventos da área museológica e a atuação do Instituto, dos museus e instituições museais de todo o país. A revista, que já está disponível para leitura no site do Ibram, em breve será distribuída gratuitamente para museus e instituições museais.

Clique aqui para acessar a revista

Fonte: IBRAM

Paulo Chaves fala sobre novos projetos para gestão

Segue abaixo uma entrevista com Paulo Chaves, Secretário de Cultura do Estado do Pará, concedida ao jornal Diário do Pará.

 “Obrigado. Mas ainda não sei se devo agradecer.” Foi assim que Paulo Chaves Fernandes, recém-nomeado secretário de Estado de Cultura do governo Simão Jatene (PSDB), recebeu os parabéns por telefone. Dizendo-se grato por ocupar novamente o cargo (Paulo Chaves foi titular da Secult por doze anos consecutivos, de 1995 e 2006), ele faz duras críticas ao governo de Ana Júlia Carepa (PT) e aponta alguns caminhos para a Secult.

Acompanhe a entrevista:

P: Qual será a grande meta de sua gestão?

R: A grande meta é retomar caminhos que estávamos traçando. Não só na área da cultura, mas contribuir para o governo como um todo, para que o Estado retome o desenvolvimento que nós queremos. Não é uma visão específica da Secretaria da Cultura. Sou partidário do PSDB, assumo essa posição como uma peça que trabalha em conjunto com o todo do governo. A meta agora é “vamos pensar juntos”. Em relação à cultura, vamos retomar a linha de trabalho de onde paramos no governo anterior. É a hora de avaliar os caminhos já trilhados. Veja o estado dos espaços criados pela nossa gestão. Um triste exemplo é o Mangal das Garças, que está abandonado. Outro é a Estação das Docas, onde o serviço decaiu tanto que essa foi a primeira vez sem réveillon no local. A Pará 2000 (Organização Social ligada ao governo do Estado, que atua como gestora do Complexo Feliz Luzitânia, da Estação das Docas e do Mangal das Graças) foi deixada para nós com uma dívida de quase 5 milhões de reais. Temos fornecedores com mais de quatro meses sem receber. São coisas que não dá para adiar, senão vira uma bola de neve. Existe uma urgência de revitalizar esses espaços que geram renda, emprego, turismo e dão uma levantada no ego da população. Infelizmente, ao invés de pensarmos no que fazer de novo para a nossa gestão, teremos que enxugar despesas, diminuir custeios e honrar os compromissos de imediato.

P: Além de arrumar a casa, não há mais nada em vista?

R: Ainda é cedo para firmar compromissos, mas posso adiantar que a menina dos olhos do governador é o Parque Ambiental do Utinga. Nossa intenção é preservar aquela região de manancial, que tem um papel importantíssimo no abastecimento da capital, mas sofre constantes invasões devido à expansão urbana. Queremos recuperar o espaço por meio do uso social. No plano que desenvolvemos para o local, pretendemos criar um aquário de grande porte para peixes de rio e um teleférico, que além de nos proporcionar um belo passeio, irá ajudar no controle do espaço. Além disso, queremos estimular grandes exposições artísticas e audiovisuais, buscando sempre a integração da natureza com a obra. Seria uma especie de galeria a céu aberto, onde seriam expostas intervenções urbanas. Para isso precisamos ter recursos que ainda não sei se dispomos. Da parte de arquitetura e urbanismo, a Secult pode tirar de letra, pois dispomos de técnicos e infra-estrutura. Mas o projeto vai demandar um estudo de topografia e de impactos ambientais.

P: Existe alguma previsão do começo das obras?

R: Ainda estou no escuro. Não antecipei as coisas, mesmo porque não tinha sido nomeado oficialmente. Deixei o Simão muito à vontade. Apesar de estar ao lado dele durante toda a campanha, nunca me senti credor pelo meu apoio. Trabalho por convicção ao partido e à figura dele. Agora que estou de volta ao cargo, começo a pensar em tudo. Ainda não falei com o governador, mas uma das sugestões é revitalizar o Cemitério da Soledade, em parceria com a Prefeitura, transformando-o num parque. Como sei que a dívida é grande em todas as áreas, no primeiro ano não será possível investir muito.

P: Muitos consideram os grandes projetos de sua gestão como elitistas. Qual sua opinião?

R: Não é uma opinião da população, pode ter certeza. Se estamos de volta ao governo, é porque o povo queria trilhar esse caminho novamente. Se for consultar a população em relação a esses espaços, você vai ver a insatisfação em relação à forma com que estão sendo mantidos. Eu sou uma testemunha disso. Todos me paravam na rua e reclamavam de como era grande o descaso com o patrimônio da cidade. Além disso, meu trabalho não se resumiu a grandes obras. A Lei Semear foi criada durante a minha gestão, grandes eventos como o Festival de Ópera e a Feira do Livro foram pensados pelo governo do PSDB. Hoje em dia a Feira do Livro está completamente descaracterizada, é um furdunço de show e mais nada. Havia lançamento de obras de autores locais, publicações de livros, CDs. Não se pode confundir qualidade com elitismo. Essa é uma visão caolha, de má-fé.

P: O senhor não vê nada de positivo na gestão do PT?

R: O que eu vi foi um retrocesso do Pará. O que foi feito de concreto eu não consigo enxergar.

(Fonte: Diário do Pará)

Senhor Morto – Memória e Restauro

Documentário realizado em 2007 pelo MIS-Pa que narra o processo de restauro da imagem sacra “Senhor Morto”. A história da imaginária, hoje exposta no Museu de Arte Sacra do Pará, através de depoimentos de restauradores e pesquisadores.

Exposição “Pedra & Alma: 30 anos do IPHAN no Pará” – Canto do Patrimônio (IPHAN)

Para comemorar os 30 anos do IPHAN no Pará, será lançada no dia 13 de dezembro, segunda-feira, a exposição ‘Pedra & Alma’.
A mostra traz uma reconstituição da trajetória da instituição no Pará, em paralelo com os acontecimentos nacionais e internacionais relacionados à preservação do patrimônio cultural. Homenageia intelectuais que, no plano local e nacional, contribuíram com essa construção, mas também cidadãos brasileiros que nas suas práticas cotidianas contribuem para a preservação de práticas culturais tradicionais que são transmitidas de geração em geração e integram o patrimônio cultural constituindo referenciais de memória e identidade para diversos grupos sociais.
A exposição se divide em três ambientes – Caminhos da Memória, do Tempo e do Patrimônio. A trajetória do Iphan no Pará é apresentada a partir da prática institucional de forma associada aos conceitos, instrumentos metodológicos e jurídicos utilizados ao longo do tempo na identificação, promoção e preservação do patrimônio cultural brasileiro.
O evento acontecerá no Canto do Patrimônio (IPHAN), em Belém. A mostra segue aberta à visitação até fevereiro/março de 2011, com trabalho de visitas orientadas. Interessados em agendar visitas em grupo devem encaminhar e-mail para 30anosiphan@gmail.com (agendamento será realizado com no mínimo 24 horas de antecedência).
Serviço: Exposição ‘Pedra & Alma’, de 13 de dezembro de 2010 a março de 2011, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), na Av. Governador José Malcher 563, Nazaré – esquina com a Trav. Rui Barbosa.

Seminário Internacional de Sistemas de Catalogação e Gestão do Patrimônio Museológico – 15 a 18 de Dezembro de 2010 – Rio de Janeiro

 

Concebido em parceria com o Programa Ibermuseus, o Seminário Internacional de Sistemas de Catalogação e Gestão do Patrimônio Museológico será realizado entre os dias 15 e 18 de dezembro de 2010 no Rio de Janeiro.

O evento vai reunir representantes dos países que integram o Projeto Acesso Digital Ampliado ao Patrimônio Museológico dos Países de Língua Portuguesa, além de membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e outras nações ibero-americanas.

A ideia é reunir experiências relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de catalogação do patrimônio museológico nos países ibero-americanos, estreitar o diálogo com os organismos museais dos países lusófonos e, sobretudo, partilhar com o campo museológico brasileiro as diretrizes do projeto.

A participação no Seminário Internacional de Sistemas de Catalogação e Gestão do Patrimônio Museológico é aberta a todos os profissionais do campo museológico e interessados. As inscrições são gratuitas.

– Faça aqui a sua inscrição e consulte a programação do evento

Cooperação
O Projeto Acesso Digital Ampliado ao Patrimônio Museológico dos Países de Língua Portuguesa tem como objetivo estabelecer uma cooperação técnica entre os países lusófonos para desenvolver padrões e linguagens documentais comuns, permitindo a integração entre os sistemas de catalogação e gestão de acervos museológicos das nações envolvidas.

A estimativa é que a parceria torne possível a consulta pública de mais de 100 milhões de bens culturais preservados nos museus destes países. O projeto ganha forma num momento em que o Brasil dá início ao estabelecimento de normas técnicas para a documentação museológica.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação, Ibram/MinC

 

Data de Publicação:  29/11/2010

 

Fim da enquete: “Qual seu museu preferido no Pará?”

O Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas recdebeu 35,85% dos votos e saiu como o museu preferido dos vistitantes do Xumucuís. Possuindo três salas para exposições temporárias o Onze Janelas é o museu que mais movimenta a arte contemporânea paraense. Tem sempre uma exposição nova em cartaz e com a criação do Prêmio SIM de Artes Visuais em 2008 ele democratizou o acesso a seus espaços expositivos. Dirigido atualmente pela artista plástica Nina Matos é um espaço privilegiado pela localização, sítio histórico da fundação da cidade de Belém, e foi inaugurado em 2002 pela gestão do Secretário de Cultura Paulo Chavez e com a coordenação da museóloga Rosângela Britto.

Até a criação do Museu do Estado do Pará e do Museu de Arte de Belém a palavra “museu” só tinha um destino, o Museu Paraense Emílio Goeldi. Hoje o MPEG é bem mais do que um museu de historia natural, é um centro de pesquisas referência de estudos da amazônia. Em nossa enquete ele ficou em segundo lugar com 26,42% dos votos.

Museu do Marajó com 15,09%, Museu de Arte Sacra com 13,21% e Museu de Arte de Belém 7,55% completam a lista desta enquete informal do Xumucuís. Até a próxima.

Bibliografia [X] // “Circuito Landi: Um roteiro pela arquitetura setecentista na Amazônia” de Elna Andersen Trindade Maria Beatriz e Maneschy Faria

Um livro obrigatório para conhecer nossa cidade pela perspetiva da aquitetura de Antonio Landi. Em linguagem coloquial este livro foi escrito para servir de manual para os guias turísticos formados pelo Forum Landi, mas vai além disso, é uma obra didática e fundamental para que todos os públicos conheçam a obra do arquiteteto italiano e enxerguem por trás das paredes pelas quais passamos todos os dias.

Ficha técnica

Texto: Elna Andersen Trindade e Maria Beatriz Maneschy Faria
Pesquisa: Moema Alves
Revisão: Regina Alves
Editoração: Elisa Innocenti
Fotos: Elna Trindade, Flávio Nassar e Elisa Innocenti
Programação gráfica: Temple Comunicação

4° Fórum Nacional de Museus – Parte II

O Pará no 4° Fórum Nacional de Museus.

Dentro das Comunicações Coordenadas: Apresentações Orais, da programação do  4° Fórum Nacional de Museus, foram selecionados os trabalhos Museu Goeldi e a Memória do Bairro de Terra Firme, Belém – PA de Helena Quadros e Quando o Marajó é museu: O percurso museológico de Padre Giovani Gallo de Lucia das Graças Santana da Silva.

Sobre o trabalho de Helena Quadros pesquisei a autora e o projeto em questão.

Helena do Socorro Alves Quadros, pedagoga, especialista em Ação Educativa e Cultural em Museus. Especialista em Educação Ambiental. Mestre em Educação. É tecnologista sênior do Serviço de Educação e Extensão Cultural (SEC) da Coordenação de Muselogia e coordena diversos projetos relacionados à educação ambiental no Goeldi. Além disso, é representante titular do Museu Goeldi na CIEA, Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado do Pará. Ganhou um prêmio 2006 do Botanic Gardens Conservation International (BGCI), por meio do programa Investing in Nature – Brasil, a premiação visou financiar os melhores projetos de jardins botânicos brasileiros destinados à conscientização pública sobre conservação de plantas.

Sobre o projeto do Museu Goeldi na Terra Firme econtrei a seguinte descrição:

Um pouco da história – Nos últimos 25 anos, muito foi alcançado pelo projeto que, de início, era uma política de “boa vizinhança”, mas hoje já ganha outras dimensões. A coordenadora do Nuvop e também organizadora da Mostra, lembra de quando o trabalho começou e como as coisas mudaram.

“As pessoas do bairro não conheciam o Museu como instituição de pesquisa, e nem sabiam que poderiam visitar o Parque Zoobotânico (PZB), porque era coisa de “doutor”, relata. Isso começou a mudar quando, em 1985, se abriu a possibilidade dessa comunidade vir ao Parque sem pagar por meio da concessão de ingressos aos centros comunitários do bairro. Com isso, “eles não só passaram a vir ao PZB, como começaram a compreender o Museu como um todo e se interessar pelo projeto”, observa Helena.

Um resultado dessa aproximação entre o Museu Goeldi e a comunidade da Terra Firme é a participação dos seus moradores nas atividades do Museu Goeldi. Hoje, a instituição recebe tanto monitores ambientais, que trabalham no Parque com o Nuvop, como bolsistas que realizam pesquisa sob a orientação de pesquisadores. “A comunidade já encaminha essas pessoas para o Museu, e já é uma forma de dar continuidade ao projeto, que vai precisar desses jovens no futuro”, conta a coordenadora.

Fonte: Museu em pauta/ Goeldi

A Coordenadora apresentando o projeto para representante do IBRAM.

Para o  trabalho de Lucia das Graças Santana da Silva sobre o Museu do Marajó não encontrei nada específico. Porém conhecendo a trajetória desbravadora de Giovanne Gallo em fundar um Museu dinâmico e interativo, que trabalha com a comunidade, o trabalho a ser apresentado deve ser bem interessante.

Fonte: Overmundo

Para apresentações de Posters foram 03 trabalhos selecionados do estado do Pará, no total foram 35, durante o 4° Fórum Nacional de Museus.

O passado é intocável, o futuro é intacto: Imagens de Cidadania – Idanise Sant’ana Azevedo Hamoy

Memória Social e Processo de Musealização em Santa Bárbara do Pará – Maria do Socorro Reis Lima

Projeto Pontearte: Uma ponte entre o MABE e seu entorno – Moema de Bacelar Alves

Idanise Hamoy é professora da Faculdade de Artes Visuais e Museologia da UFPA.

Maria do Socorro Reis tem um blog onde encontrei o seguinte texto biográfico:

Graduei-me em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará. Concomitante, fui bolsista do CNPQ/ Museu Emílio Goeldi tendo formado uma coleção de cerâmica comercializada no Museu Vivo o Mercado do Ver o Peso (Belém-PA). Realizei o mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo estudando as coleções etnográficas Jê-Timbira do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e do Museu Goeldi, com levantamentos destas coleções em outros museus brasileiros como o museu Nacional. Atualmente sou professora efetiva da UFPA no Instituto de Ciências da Arte, nos cursos de Artes Visuais e no curso de museologia recém-criado.

Moema de Bacelar Alves é Coordenadora da Divisão de Ação Educativa do MABE. Historiadora e Pesquisadora. Sobre o projeto Pontearte:

A partir de uma parceria do Museu de Arte de Belém (MABE) com a Associação Cidade Velha Cidade Viva (CiVViva), foi criado em 2008 o Projeto Pontearte, visando desenvolver atividades com as crianças do Beco do Carmo, tendo como referência o espaço e acervo do MABE.

O projeto visa, entre outros, reconhecer e valorizar a identidade de cada criança, trabalhar o seu convívio tanto em família, quanto com a sociedade em geral, despertar nas crianças o sentido de pertencimento ao bairro em que moram – Cidade Velha –, bem como a valorização de seu patrimônio cultural, além de estimular a produção e conhecimento das diferentes técnicas artísticas.

O Projeto Pontearte conta, neste ano de 2010, com aproximadamente 30 (trinta) crianças e adolescentes entre 05 (cinco) e 11 (onze) anos que realizam atividades sócio-educativas toda terça-feira. As atividades são realizadas em dois turnos, atendendo àqueles que estudam tanto de manhã, quanto à tarde. Pela manhã de 9:00 às 12:00h e de tarde de 15:30 às 18:00h.

OBS: DEVIDO ÀS OBRAS DO PALÁCIO ANTÔNIO LEMOS, O PROJETO ESTÁ ACONTECENDO NO ESPAÇO DO FÓRUM LANDI, NA PRAÇA DO CARMO.


APOIO

AMABE
FÓRUM LANDI

Fonte: Blog do MABE

Casarões de Belém // Palacete Faciola

Imagens atuais do casarão e sua placa de reforma desde março de 2008.

No site da Secult-PA, o anúncio da desapropriação do casarão pelo Governo do Estado e obras e recursos para a reforma:

Nesta quarta-feira, 04 de março, iniciarão as obras de recuperação do Palacete Faciola, que abrigará a futura sede do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp). Localizado na Avenida Nazaré, esquina com Doutor Moraes, o prédio é referência histórica da cidade de Belém. Alí residiu o arquiteto, pianista, banqueiro e político Antonio Almeida Faciola, patriarca de uma tradicional família de comerciantes de Belém. A revitalização é uma iniciativa do Governo do Estado, sob coordenação da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). O término da obra está previsto para maio de 2010.

A revitalização do palacete é uma das várias obras da Política Estadual de Valorização do Patrimônio Cultural da Secult. O projeto receberá, até 2011, um investimento de R$ 80 milhões da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA) e tem como objetivo recuperar prédios históricos, casas, igrejas, museus e fortificações que sejam importantes para a memória patrimonial de Belém e nos vários municípios do Estado. Para a recuperação do Faciola, estão sendo investidos R$ 8 milhões e 500 mil reais.

Fonte: Ascom – Secult

No Portal Amazônia uma referência atual do palacete, já como futura sede do IDESP:

Palacete Faciola – Belém, Pará

O Palacete Faciola, em Belém, Pará, que abrigará a futura sede do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp). Localizado na Avenida Nazaré, esquina com Doutor Moraes,  é referência histórica da cidade de Belém.

No local, residiu o arquiteto, pianista, banqueiro e político Antonio Almeida Faciola, patriarca de uma tradicional família de comerciantes de Belém.

Na época da borracha, conhecida como “Belle-Époque”, Belém era considerada uma das mais importantes cidades do Brasil. A economia da borracha cresceu, o que originou uma maior urbanização, com a construção de avenidas, belas edificações e palacetes residenciais de luxo no centro da cidade.

Construído em 1901, o Palacete Faciola é o resultado de um período de mudanças sociais e urbanas, marcado pela modernização da cidade inspirada pela chamada Sociedade da Borracha.

Em seu interior, o Palacete possui tetos com pinturas em profusões de flores e guirlandas, como se fossem desenhados à mão. O estilo arquitetônico neoclássico do local é herança do artista Antonio José Landi.

Fonte: Portal Amazonia

No texto de Haroldo Baleixe, no seu blog, encontramos uma boa referência sobre o Palacete e sua grandiosidade.

Prestes a levar um tombo, o palacete Faciola, ora em evidência suprema, é um exemplo cabal para ilustrar esta prosa: O cara que lá morava era provido abundantemente de dinheiro, cultura e poder. Levava uma vida de lorde e até confundido como um príncipe russo em Viena ele foi. Figura aristocrática como essa não há mais em Belém. Desde 1936 não se vê um Antônio Faciola com aqueles absurdos quatro anéis de brilhante no dedo anelar da mão direita sentado ao banco de trás do seu Rolls-Royce que sempre era conduzido por um garboso chauffeur com boné de aba transparente. O cidadão morreu e deixou sua herança aos filhos que a mantiveram até o limite de suas posses, precisamente até 1982 com o falecimento da Dona Inah. Temos aí um saldo positivo de 46 anos de cuidado absoluto com um patrimônio adquirido no tempo em que o dinheiro era capim. Esse balancete com incontestável superávit foi publicado na revista Cláudia do mês de maio de 1977: “Dona Inah Faciola (foto) e a coleção de obras deixadas por seu pai em 1936. Tudo comprado na Europa. Móveis, porcelanas, cristais, Gallés, Daums. Esculturas de Charpentier.

Tudo carinhosamente guardado durante anos. Um verdadeiro museu da época em que a borracha era ouro”. Dona inah faleceu cinco anos depois dessa matéria e foi velada no Palacete – seu último instante de gardiã dos símbolos do passado generoso e glamouroso que ela vivera e era sabedora do seu impossível retorno. A “Cláudia” concluiu seu texto com uma análise pueril do palacete e fez sua previsão sensata: “Nenhum quadro triste. Nenhuma concessão à violência: em todas as peças de arte do Palacete Faciola só há flores, felicidade, amor. Desde 1936 nada é mudado de lugar. Até quando dona Inah poderá, sem ajuda, manter este tesouro?”. Até aqui o Palacete Faciola pode ser chamado de Casa Antiga, depois disso não mais.

Fonte: Haroldo Baleixe

4° Fórum Nacional de Museus “Direito à Memória, Direito a Museus”

FAÇA AQUI SUA INSCRIÇÃO ATÉ O DIA 05 DE JULHO.

Fórum Nacional de Museus (FNM) é um evento bienal, com o objetivo de refletir, avaliar e estabelecer diretrizes para a Política Nacional de Museus (PNM) e para o Sistema Brasileiro de Museus (SBM).

A 4ª edição do Fórum Nacional de Museus é uma culminância do processo de construção da Política Nacional de Museus e sintetiza o esforço empreendido para articular, promover, desenvolver e fortalecer o campo museal brasileiro. Trata-se de um momento propício para a avaliação da PNM em termos de metas, experiências, realizações, resultados efetivos, frustrações e, ao mesmo tempo, de construção e projeção no futuro de novas possibilidades e experimentações, de novos caminhos, desafios e horizontes.

As três edições anteriores do FNM contribuíram, ao seu modo, para o desenvolvimento e o enraizamento social da política de museus, compreendida como política pública de cultura.

O 1º FNM, realizado em Salvador (BA), em 2004, teve por tema “A Imaginação Museal: os caminhos da democracia” e inspirou muitos debates. O 2º FNM, realizado em Ouro Preto (MG), em 2006, adotou o tema,O futuro se constrói hoje” e contribuiu para a apresentação e o desenvolvimento de novas experiências museais. O 3º. FNM foi realizado emFlorianópolis (SC), em 2008, tendo por pano de fundo o tema: “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento”, foi fundamental para a afirmação da centralidade da museologia social no âmbito da PNM.

O 4º FNM traz para o centro dos debates o tema: “Direito à Memória, Direito a Museus”. A vontade (ou desejo) de memória (e de patrimônio) mesmo não sendo exclusividade do mundo contemporâneo, ganha na atualidade, em virtude de seu vínculo com o campo da comunicação e da política, uma dimensão especial.

Direito à memória, vontade de memória e dever de memória, implicam, de algum modo, o seu oposto. A memória é campo de litígio, é arena de disputa política pelo passado e pelo futuro. Nesse sentido, é preciso considerar que esquecer não é crime, esquecer não é pecado, esquecer faz parte da vida e faz parte dos processos de memória. Assim como produzimos memória, também produzimos esquecimentos.

O tema do 4º FNM tem relevância para o campo museal contemporâneo e sinaliza para a importância de se pensar o museu como conector cultural de espaços e tempos diversos. Tudo isso, levando em conta a memória que, a rigor, está entronizada no presente.

Compreendendo o 4° FNM como espaço radical de troca de experiências, o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) convida todos os interessados no tema acima indicado a participar do exercício de construção de uma nova imaginação museal; uma imaginação capaz de dialogar com temas como: cidades e cidadania; desenvolvimento sustentável; economia criativa; e, estratégias de institucionalização de um universo museal tão multifacetado.

Durante o Fórum serão oferecidos mini-cursos de capacitação em diversas áreas de atuação do campo museal. Também serão reunidos grupos de trabalhos temáticos para a construção e discussão das diretrizes, ações e metas da Política Nacional de Museus – PNM.

Resultados Esperados

I – Mobilizar a comunidade museológica do Brasil;

II – Propor estratégias para o fortalecimento do setor museológico, buscando assegurar a qualificação da gestão museal;

III – Promover o debate entre profissionais de museus, gestores culturais, estudantes e interessados no tema, garantindo ampla discussão sobre questões como gestão cultural; preservação, aquisição e democratização de acervos; formação e capacitação; educação e ação social; modernização e segurança; economia dos museus; acessibilidade e sustentabilidade ambiental; comunicação e exposições; pesquisa e inovação;

IV – Propor estratégias para a consolidação dos sistemas de participação e controle social na gestão das políticas públicas de museus e memórias e estimular as transversalidades culturais, garantido acesso a uma boa formação dos profissionais do campo museal;

V – Aprimorar e propor mecanismos de articulação e cooperação institucional entre os entes federativos e destes com a sociedade civil, enfatizado as atividades de preservação e aquisição, bem como os esforços de democratização de acervos;

VII – Debater, examinar e implantar as diretrizes aprovadas na II Conferência Nacional de Cultura (CNC), relativas aos museus;

VIII – Elaborar e aprovar as estratégias para o Plano Nacional Setorial de Museus, contemplando os principais aspectos do que resultou do debate sobre as questões transversais do setor museal;

IX – Eleger os novos membros do Comitê Gestor do Sistema Brasileiro de Museus, que, simultaneamente, passarão a compor o Colegiado Setorial de Museus e Memória junto ao Conselho Nacional de Políticas Culturais.

PROGRAMAÇÃO

PLENÁRIA ESTADUAL DO SETOR MUSEOLÓGICO

PLENÁRIA ESTADUAL DO SETOR MUSEOLÓGICO

Museu Histórico do Estado do Pará

O IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus realizará o IV Fórum Nacional de Museus no período de 12 a 17 de julho de 2010 em Brasília – DF, com o objetivo de mobilizar, refletir, avaliar e estabelecer diretrizes para a Política Nacional de Museus.

Este ano, o IV Fórum Nacional de Museus se reverte de grande relevância, pois o mesmo tem como um dos objetivos debater e aprofundar as propostas  aprovadas na II CNC, relativas aos museus e Elaborar e aprovar as Diretrizes do Plano Nacional Setorial de Museus definindo assim os princípios norteadores  da política museológica para todo o Brasil.

O IV Fórum será antecedido por Plenárias Estaduais e Distritais durante o mês de junho, tendo por base cinco eixos temáticos: Produção simbólica e diversidade cultural; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa; Gestão e Institucionalidade da Cultura.

A plenária do Estado do Pará será um espaço importante de discussão e troca de experiências entre todos os seguimentos da sociedade, para a organização e fortalecimento do campo museológico na Região Norte e no Brasil, onde serão debatidas e aprovadas as propostas do Estado que serão encaminhadas e defendidas no IV Fórum Nacional de Museus.

Diante do exposto, temos o prazer de convidar a todos para participar da Plenária Estadual de Museus do Pará que será realizada no dia 21 e 22 de junho, no Museu do Estado do Pará – MEP – Salão transversal – praça Dom. Pedro II s/no – cidade Velha – Belém/PA.

Atenciosamente,

Renata Maués

Diretora do SIM/SECULT


DATA: 21 e 22/junho/2010

LOCAL: Salão Transversal / Museu do Estado do Pará – MEP

Dia 21/06

08h – Abertura Oficial

Manhã

08h30 às 09h30 – Eixo 1 – Produção Simbólica e Diversidade Cultural

Palestrante: Jane Beltrão – UFPA

Valmir Carlos Bispo Santos – Superintendente Fundação Curro velho

Mediador: Jeam Lopes – Diretor do Museu do Círio

09h30 às10h30 – Eixo 2 –  Cultura, Cidade e Cidadania

Palestrante: Jussara Derenji – Museu da UFPA

Carlos Henrique Gonçalves – Diretor de Cultura SECULT

Mediador: Rosa Arraes – Museu de Arte de Belém

10h30 às 11h00 – Intervalo

11h00 às 12h00 – Eixo 3Cultura e Desenvolvimento Sustentável

Palestrante: Ecomuseus  da Amazônia ( confirmar nome)

Lélia Fernandes – Diretora do Patrimônio /SECULT (a confirmar)

Mediador:

Tarde

14h30 às 15h30 – Eixo 4Cultura e Economia Criativa

Palestrante: Rosangela Britto ( a confirmar)

Ana Elizabeth Almeida – Secretária Adjunta da SETER ( a confirmar)

15h30 às 15h45 – Intervalo

15h45 às 16h45 – Eixo 5Gestão e Institucionalidade da Cultura

Palestrante: Cincinato Marques Júnior – Secretário de Cultura

Maria Dorotea Lima – IPHAN (a confirmar)

Mediador: Flávio de Carvalho /DEPHAC

Dia 22/06

Manhã

09h00 às 12h00 – Discussão em grupo

Tema: 05 eixos

Tarde

14h30 às 18h00 – Plenária Final

O lúdico e o trágico: fogos de artifício em prédios históricos

Semana passada imagens de uma grande explosão em Santo André (SP) ganharam a mídia de todo país. Uma loja/depósito de fogos de artifício foi pelos ares e levou junto quase um quarteirão inteiro (foto abaixo). Pessoas morreram. Os culpados vão ser punidos com certeza, mas as autoridades que permitiram a existência dessa bomba-relógio junto à residências familiares será que vão? E não foi um fato isolado, inumeros casas semelhantes já foram noticiados. Não era um bairro de centro, nem tombado, mas vidas são mais importantes que qualquer coisa.

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Uso esse episódio como exemplo de uma situação absurda aqui em nossa cidade. Em pleno centro histórico, no sítio mais importante da nossa cidade, onde existem 5 dos nossos museus (Onze Janelas, Arte Sacra, Forte, Círio e MIS), às proximidades de duas de nossas principais igrejas (Sé e Santo Alexandre), duas lojas de fogos de artifício estão tranquilamente instaladas. Pouco importa pra mim que elas tem alvará, extintores e tudo mais, simplesmente elas não deveriam estar ali. Essa convivência de fogos de artício armazenados e à venda com acervos históricos é um crime patrimonial. Nesse mesmo casario ficava instalado o DPHAC, orgão do estado que cuida da preservação de nosso patrimonio histórico, artístico e cultura, agora foram para o Palácio Lauro Sodré. A Fumbel fica a coisa de 100 metros. As duas lojas que vendem fogos também vendem “um grande sortimento” de quinquilharias altamente inflamáveis. Para não termos que noticiar uma tragédia devemos rever essa concessão que permite a existência desse absurdo. Vamos rezar e cuidar de Santo Alexandre pois Santo André foi pros ares.

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Feliz Lusitania

Prólogo

Até acho bonito os fogos de artifício iluminando o céu, aquela coisa lúdica, que remete à origem do universo, big bang, algo assim. Penso nas senhoras e nas crianças encantadas com o coração em júbilo quando o ceu explode em cores. É bonito? É.  Vai continuar existindo sempre? Com certeza. Fogos vão continuar mutilando pessoas todo ano? Sim. Vão acontecer outras explosões de depositos legais e clandestinos? Silêncio.

A catedral e o caos

Foi entregue à sociedade paraense no primeiro dia do mês de setembro de 2009 as obras de restauro e revitalização da Catedral Metropolitana de Belém, a Sé para os íntimos. E intimidade é exatamente o termo pra definir este prédio histórico que é um referencial nas reminiscências de todos que moram ou passaram pela nossa cidade de Belém. A Sé vista de quem chega de barco é uma visão surreal. Hoje com a pintura revitalizada ao sol do equador é quase uma aparição de tão alva e radiante. À noite com a nova iluminação pontual e em cores com feixes de LED está moderna e utilizando consumo consciente. Uma obra que será certamente um marco em se tratando de restauro de igrejas no Brasil e no mundo. Toda essa beleza e imponência impactam ainda mais no momento de descaso e caos urbano pelo qual passa todo o centro histórico.

O projeto de restauro iniciou na gestão passada do governo do Estado e foi sabiamente priorizado, tendo garantidos seus recursos. Outro fator que ainda não está bem contemplado é a questão de preservação do entorno, mas é deveria ser um trabalho que englobaria o Governo do Estado, a Prefeitura de Belém. Persistem por todas as calçadas adjacentes os postes de luz com suas caóticas fia e a múltiplos setores da sociedade. A Secretaria de Cultura faz a parte que lhe cabe, resta às outras Secretarias e à população contribuírem com suas parcelas de responsabilidade. Ainda persiste o trafego de veículos pesados, apesar de existir uma lei que limita em horários os veículos de carga não se leva em conta as linhas de ônibus urbano em toda a área restaurada, estes veículos bem mais prejudiciais às estruturas, e por vezes ocupando mais de 50% nas estreitas calçadas, constituindo infração e um perigo para os transeuntes e portadores de necessidades especiais. O casario da ladeira entre o Forte do Presépio e Santo Alexandre está ainda ocupado por cortiços e uma das casas já caiu. A Feira do Açaí persiste no ambiente de subemprego, violência, álcool, prostituição e drogas, tudo visto do mirante do Forte do Presépio. O poder judiciário em todas suas esferas ocupa inúmeros imóveis na área, e isso não aumenta as perspectivas de solução dos problemas apenas criam outros por sobrecarregarem de veículos toda a área desde a Rua João Diogo até quase a Avenida Tamandaré. Não entrarei na questão dos ambulantes e bancas de pirataria, pois é endêmico, tal um parasita que se reproduz e destrói o hospedeiro, no caso nossa cidade. São incontáveis situações de involução urbana que transformam iniciativas como a revitalização da Sé em ilhas de preservação cercadas por ignorância e abandono por todos os lados.

As obras de revitalização do Patrimônio histórico feitas no Núcleo Feliz Lusitânia (Igreja de Santo Alexandre, Arcebispado, Casario da Padre Champagnat, Casa das Onze janelas e Forte do Presépio), o Palácio Lauro Sodré e a Catedral Metropolitana de Belém são obras hoje essenciais para Belém do ponto de vista histórico e turístico, acabam por ser encaradas pela grande maioria da população como obras elitistas em cujos eles espaços não são bem-vindos. O tema é vasto e aberto à discussão para toda a sociedade.
Esses vídeos pescados no Youtube, um institucional e outro feito por independentes,  exemplificam a situação.

A grandiosidade artística e arquitetônica:

O caos urbano: