Livro “OUTRA NATUREZA – 6 Diálogos Sobre a Amazônia” de Orlando Maneschy

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Livro resultado do projeto de exposição, premiado pelo Banco da Amazônia em 2012,  com curadoria de Orlando Maneschy com os artistas Melissa Barbery, Keyla Sobral, Danielle Fonseca, Luciana Magno e Victor de La Roque em diálogo com o curador.

Aqui uma galeria da exposição no Espaço Cultural Banco da Amazônia.

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Arte e o pensar de uma Estética da Existência – com Oriana Duarte e Orlando Maneschy – ICA – UFPA

Seminário Interartes> Arte e o pensar de uma Estética da Existência

Profa. Dra. Oriana Duarte – UFPE

Prof. Dr. Orlando Maneschy – UFPA

OBJETIVOS: engendrar a criação artística e a reflexão teórico-crítica, propiciando repertório para a compreensão do papel da arte contemporânea, fomentando a produção. Para tanto, o Seminário é voltado para o desenvolvimento/reflexão de projeto visual em múltiplas plataformas, em paralelo a discussão e produção de reflexão teórica, propiciando aprofundamento de conceituação dos projetos e seus desdobramentos teóricos à luz dos conceitos trabalhados pelos professores, dentre eles Estética da Existência.

Superperformance

O artista Yiftah Peled convidou quatro artistas com atuação em diferentes regiões do Brasil – Yuri Firmeza, Daniela Mattos, Orlando Maneschy e Vitor Cesar – para criar múltiplos (obras com tiragem) projetados para ações de performance, que serão distribuídos gratuitamente para o público.
Com o apoio do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 8ª Edição:

SUPERPERFORMANCE

Yuri Firmeza
Daniela Mattos
Orlando Maneschy
Vitor Cesar
curadoria Yiftah Peled

Abertura: 16 de Junho de 2012, a partir das 16H.
Visitação: De 16 de junho até dia 16 de julho de 2012
conversa com o curador e alguns dos artistas participantes no dia 16 de junho, às 16 horas
Local: Ateliê 397, localizado a Rua Wisard, 397, Vila Madalena, em São Paulo, SP Tel: 11-3034213 (tarde).

“Super Performance”é um projeto organizado pelo artista Yiftah Peled que convidou quatro artistas com atuação em diferentes regiões do Brasil – Yuri Firmeza, Daniela Mattos, Orlando Maneschy e Vitor Cesar – para criar múltiplos (obras com tiragem) projetados para ações de performance, que serão distribuídos gratuitamente para o público.

A prática do múltiplo, ou seja, de realizar obras que tenham um larga tiragem, é conhecida desde anos 1960. Nessa época, alguns artistas estavam procurando novas formas de fazer a arte circular, tornando-a mais “pública”, bem como atribuir um acesso mais direto aos objetos, sem precisar das instituições museológicas para creditá-los. Por estar relativamente desvinculada do sistema de compra e venda, esse tipo de arte tinha qualidades mais experimentais, incorporando uma relação com o efêmero e com o processual.

Também nesse mesmo momento, alguns artistas começaram a utilizar instruções especificamente projetadas para a performance de participantes; isso aconteceu principalmente por meio de proposições escritas. Tais proposições operavam um tipo de transferência da performance do artista para o público-leitor das propostas que poderia assumir um papel performático

Parte-se do pressuposto de que São Paulo é uma cidade que tem um circuito comercial fortalecido de arte, mas o consumo da arte contemporânea é limitado a uma parcela muito pequena da população. Sob essa perspectiva, o projeto dirige-se diretamente para o público, dando-lhe uma oportunidade de começar uma coleção de arte.

Sumarizando, a proposta do projeto “Super Perfomance” é pensar o múltiplo ligado à performance no contexto atual, convidando quatro artistas para produzir obras que vão circular pela cidade. Além disso, a proposta de distribuição gratuita de múltipos é pensada como um ponto de expansão expositiva para lugares e contextos diferentes.

Palestra de Cláudia Leão – Panorama da Arte Digital no Pará

<<Sobre Os Protocolos De Infinitas Imagens Cotidianas>>
Palestra e bate papo com a artista e pesquisadora Cláudia Leão. Mediação de Orlando Maneschy.

Cláudia Leão é Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Professora pelo Instituto de Ciências das Artes da Universidade Federal do Pará (ICA/UFPA).

Quando: quinta-feira, dia 17/05/2012, às 17h30
Onde: Espaço Cultural Banco da Amazônia

Sobre: uma discussão acerca das infoimagens circulatórias e das infoimagens cotidianas, duas naturezas de imagens que produzimos quando operamos num busca excessiva facilitada pelos aparelhos de câmeras phone, câmeras pad e câmeras compactas; diálogos para se pensar o estado digital das artes plásticas hoje.

A entrada é franca e terá emissão de certificados.

Panorama da Arte Digital no Pará

As fronteiras da arte contemporânea abarcam, hoje, um universo de possibilidades desvelado pela tecnologia e seus constantes avanços. Nossa dinâmica de plataformas digitais e consumo desenfreado de imagens passaram a denotar estruturas de sentimentos diversos, as quais os espaços expositivos, museológicos e eventos em torno da arte se propuseram a assimilar. As novas poéticas, advindas por essa matriz de reinvenções culturais, ganharam um destaque ao relatar novos paradigmas do homem contemporâneo. Nesse contexto, a exposição Panorama da Arte Digital no Pará, com obras dos artistas paraenses Alberto Bitar, Bruno Cantuária, Carla Evanovitch, Cláudia Leão, Flavya Mutran Jorane Castro, Keyla Sobral, Luciana Magno, Melissa Barbery, Orlando Maneschy, Ricardo Macêdo, Roberta Carvalho, Val Sampaio e Victor De La Roque.se torna uma oportunidade única de conhecer, em um único espaço, os novos caminhos artísticos do Pará, na confluência entre arte e tecnologia.

Curadores:

Ramiro Quaresma: Idealizador e curador do I Salão Xumucuís de Arte Digital. Designer de exposições em espaços como Museu Casa das Onze Janelas e Museu Histórico do Estado do Pará. Publicitário, documentarista e produtor cultural.

John Fletcher: Doutorando em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará, Mestre em Artes e autor de textos científicos sobre Arte contemporânea Paraense em Revistas Especializadas.

Serviço:

Panorama da Arte Digital no Pará

Local: Espaço Cultural Banco da Amazônia

Quando: abertura no dia 10/05/2012, às 19:00h

Catálogo do I Salão Xumucuís de Arte Digital

 

Idealização

Deyse Marinho / Ramiro Quaresma

 

Curador

Ramiro Quaresma

 

Juri de Seleção

Orlando Maneschy

Flavya Mutran

Roberta Carvalho

 

Projeto Expográfico

Rosângela Britto

 

Identidade Visual da Exposição e Catálogo

Ramiro Quaresma

 

Artistas Premiados

Flamínio Jallageas (SP)

Grupo Hyenas (RJ)

Míriam Duarte (MG/SP)

Ricardo O’Nascimento (RJ)

Victor De La Rocque (PA)

 

Artistas Selecionados

Aieda Freitas(SP)

Diego Mac (RS)

Mirian Duarte (SP)

Grupo TELEKOMMANDO (SP)

Luis Henrique Rodrigues (SP)

Diego de Los Campos (SC)

IO (RS)

Vitor Lima (PA/RJ)

Cibele Fernandes (SP)

Daniel de Nazareth (SP)

Denis Siminovich (RS)

Flamínio Jallagueas (SP)

Nilvana Mujica (MS)

Ricardo Macêdo  (PA)

Ruma (PA)

Valério Silveira(PA)

Victor de La Roque (PA)

Wily Reuter (RJ)

Cesar Garcia (SP)

Hyenas (RJ)

Camila Buzelin (MG)

Lu Magno, Bruno Cantuária Ricardo Macedo (PA)

Dalila Camargo (SP)

Fernando Velasquez (SP)

Ricardo Nascimento (RJ)

João Penoni (RJ)

Junior Suci (SP)

John Fletcher (PA)

 

Artistas Convidados

Armando Queiroz

Keyla Sobral

Lúcia Gomes

Melissa Barbery

Roberta Carvalho

 

Cuidado de Si e Estética da Existência – Diálogo com Foucault – Ernani Chaves

Sexta-Feira, dia 30/03, 16h. Prof. Dr. Ernani Chaves realizará conferência Cuidado de Si e Estética da Existência – Diálogo com Foucault. Uma realização do Grupo de Pesquisa Bordas Diluídas / Proprogama de Pós-Graduação m Artes do ICA – UFPA, por meio do Programa de Extensão Processos Artísticos e Curatoriais Contemporâneos.

Fonte: Orlando Maneschy

Catálogos Arte Pará 2010 – Salão e Artista Homenageado

“Cântico Guarani” de Armando Queiroz, artista homenageado. Foto Everton Ballardin
Catálogo do Salão

Catálogo Armando Queiroz – Artista Homenageado

A terra treme; Treme Terra

“Artistas são os melhores sismógrafos sociais… [eles]
trabalham por conta própria. Lidando com [suas] tentativas de
fazer um mundo para sobreviver…e viver [suas] obsessões.”
Harold Szeemann’s

O século XX criou um fluxo de informações jamais experimentado anteriormente na cultura ocidental. De viajantes sonhadores em busca de novas descobertas às crises estruturais que abalaram o mundo, conhecimentos, bens de consumo, pessoas circulam pelo globo estabelecendo novos contatos, influências e miscigenações. Os centros de atenção vão mudando na velocidade das transformações sócio-culturais, concebendo novas lógicas para o capital.

Há uma polifonia de centros e faz-se necessário navegar pelas bordas. E a arte tem sido catalisadora dessas reverberações, refletindo transformações que ocorrem nas organizações sociais e no planeta, viabilizando amplificações dessas modificações no território da cultura, movimentando setores distintos da sociedade.
A oscilação está na vida, está no mundo – das placas tectônicas, que nos lembram que a terra está em movimento contínuo, aos lugares das trocas sociais, que são reinventados a cada segundo -, com o afluxo de dinâmicas relacionais que favorecem a invenção de outros espaços de contato, provocando mudanças, com novas regras de civilidade, em processos de realocação social.
Em meio a conquistas diversas, no espaço da arte a autonomia em relação ao lugar é um dos grandes avanços daquele século. A arte transforma os espaços, vai de encontro à natureza, subverte o cubo branco, constitui territórios particulares, específicos para existir no mundo. Por meio da arte temos a possibilidade de estabelecer mediação com o outro, conceber pontos de contato, de contágio, de troca, propiciando ricas experiências que reinventam relações e ultrapassam o espaço instituído, ganhando a rua para viabilizar a existência de ambientes transitórios, autônomos, de liberdade e potência.
São nesses lugares que queremos pensar, lugares em que essas relações se dão, ambientes em que nossas trocas são construídas, referências acionadas: espaço aberto, terreiro social, campo de relação em que nossos tambores tecnotrônicos são ativados, o contato estabelecido, em que o contágio, a miscigenação cultural se dá, porque na arte construímos espaços de liberdade, somos antropófagos e a terra, treme.

Orlando Maneschy
Curador do 29° Arte Pará

I Salão Xumucuís de Arte Digital – Artistas Premiados

Cinco artistas premiados, entre eles um paraense, duas menções honrosas e mais 28 obras selecionadas. Este é o saldo do 1º Salão Xumucuís de Arte Digital do Pará, que não limitou técnica ou formato. Foram mais de 200 inscrições vindas de todas as regiões do país, mostrando a força que o salão teve nesta sua primeira edição.  O júri foi formado por artistas paraenses que já atuam nesta área da arte digital ou que já tem a experiência da curadoria e de participação em diversos outros júris de salões de arte, como Orlando Maneschy, que é mestre em Semiótica. Além dele, a artista visual Roberta Carvalho e a fotógrafa Flavya Mutran, que vem trabalhando e pesquisando o ambiente da arte na web e suas inúmeras inter relações.

Em dois dias de reunião, 05 e 06 de agosto, foram selecionados para premiação, os artistas:

Flamínio Jallageas (SP), vídeo instalação Platôs (2009);

Grupo Hyenas (RJ), video instalação “A Borboleta e o Tigre” (2011);

Míriam Duarte (MG/SP), vídeo-instalação“Refletir” (2011);

Ricardo O’Nascimento (RJ), com o vídeo-arte “AUTRMX” (2008 );

e Victor De La Rocque (PA), “Not Found” (2011).

Para Flávia, o salão teve êxito pois conseguiu, já em sua primeira edição, ao receber inscrições em todas as categorias que foram listadas no edital, como a Gravura Digital, o Vídeo Arte, a Web Arte, o Vídeo Instalação entre outras, mas não só isso. “ O salão foi feliz não só por ter recebido inscrições de obras que se destacam por sua qualidade, mas também por virem de artistas que já estão há mais tempo nesta cena, participando de outros grandes salões, como a Bienal do Mercosul, por exemplo, e que acreditaram  neste projeto. Isso é muito bom”, avalia. A fotógrafa diz que o salão também tem um caráter inédito, com inscrições realizadas inteiramente on line. “Esta é uma proposta inovadora para a cidade, traz um risco novo e a reposta a forma com que realizou as inscrições foi muito boa”, comenta Flávia.

 

Vídeo-instalação “Refletir”, de Miriam Duarte, premiado no Salão.

Embora a arte digital não seja exatamente uma novidade na cena de salões, mostras e exposições em Belém, é a primeira vez que este tipo de arte poderá ser visualizada em um só espaço, abrindo uma margem de discussão mais direcionada e densa sobre a arte feita sobre a plataforma computacional. “Por mais que as temáticas não sejam novas, no sentido de trazer questões que não estavam antes na arte ou em outros suportes como fotografia, o vídeo e a performance, o salão inova ao reunir estes tipos de trabalho e estes artistas em um só espaço”, afirma a fotógrafa.

Ramiro Quaresma, Roberta Carvalho, Orlando Maneschy e Flavya Mutran.

Para Roberta Carvalho, o salão chegou em tempo, pois assim como em outras capitais, Belém já se alinha nesta linguagem há algum tempo.“Recebemos trabalhos estão com muita qualidade e foi muito prazeroso selecionar este grupo. É tudo muito múltiplo, trazendo ao público as várias maneiras de se trabalhar a linguagem digital. Temos gravura, vídeo-arte, vídeo instalação. São trabalhos muito fortes, alguns mostrando as experiências do digital, onde se trabalha com softwares, mas com rebuscamento”, diz Roberta. Quanto aos premiados ela diz que todos são ótimos trabalhos, que unem a importância da linguagem e a sua força poética. “Não houve muita dificuldade em chegar a um consenso para definirmos o grupo dos cinco”, conclui Roberta.

Há tempo aguardando pela realização de um salão desses na cena artística de Belém, o professor em Semiótica comemora. “Participar deste júri do primeiro salão de arte digital é uma grande felicidade porque há tempos eu queria ver esta cena acontecendo e apesar do desinteresse, de alguns artistas locais, as coisas ficavam engatadas, mas com este projeto, consigo ver uma cena se solidificando, porque tem artista de vários estados do país e que trazem inscrições de diferentes trabalhos,  desde arte interativa”, diz Maneschy.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital de Belém foi criado a partir do blog Xumucuís, com curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação geral de Deyse Ane Ribeiro Marinho. Para Maneschy este fato já tona o evento de uma particularidade indescritível. “O espaço que começa na internet , segue para um projeto maior de arte e físico na verdade você tem o plano da internet , mas trazer pra dentro da Casa das Onze Janelas, espaço da arte contemporânea em Belém, é muito diferenciado e especial”, conclui.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital, que ganhou o patrocínio da Oi Futuro, por meio da Lei Semear, do Governo do Estado, será aberto ao público no dia 18 de agosto, na Sala Valdir Sarubbi, da Casa das Onze Janelas. Para mais informações e ver a lista completa dos artistas selecionados, acesse: https://xumucuis.wordpress.com/. Mais informações: 91 8239.2476.

Trampolim_


TRAMPOLIM _ nasce do desejo de facilitar e impulsionar a produção e projeção da arte da performance na cidade de Vitória, possibilitando a ativação e visibilidade necessárias para o seu desenvolvimento. A plataforma será um espaço de encontro de artistas do Brasil, Argentina, México, Colômbia, Polônia, Espanha, Itália, Bélgica, Venezuela, Israel, Japão, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Coréia do Sul, Escócia, Cuba, Finlândia, Irlanda e Porto Rico, para compartilhar e discutir acerca da bagagem que cada um carrega a partir de suas próprias particularidades, características e possibilidades. TRAMPOLIM _ se pensa então como uma oportunidade para debater as práticas e emergências de cada artista, permitindo uma relação ativa de processos colaborativos e de intercâmbio artístico.

Em 6 edições, realizadas de outubro de 2010 a março de 2011, o TRAMPOLIM _ reunirá mais de 50 artistas numa experiência poética de encontro com a prática da arte da performance e o diálogo entre artistas e público, servindo aos participantes de plataforma para abrir o espectro de ideias e conexões, e ir além dos padrões já existentes de eventos de performance. Durante três dias, mensalmente, esses artistas estarão reunidos nos diversos equipamentos culturais da cidade realizando uma série de atividades como workshops, bate-papos, mostras de vídeo e performances.

O TRAMPOLIM _ é uma iniciativa independente do LAP! _Laboratório de Ação & Performance, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, através do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo e conta com a parceria da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES.

Edições Passadas do Trampolim_

Outubro/2010

Novembro / 2010

Dezembro / 2010

Janeiro/ 2011

Fevereiro / 2011

 

Ações recentes [Clique na imagem para ampliar]

Trampolim_Vídeos – Curadoria de Orlando Maneschy

Ficha Técnica

Fonte: http://www.plataforma-trampolim.com/

Arte Pará 2010 – Palestra da fotógrafa e pesquisadora Cláudia Andujar no Museu Goeldi

Claudia Andujar fala sobre fotografia e o sua relação com os Yanomami.

Um dos momentos mais importantes do Arte Pará 2010 ocorrerá nesta terça-feira, 12 de outubro, às 16h no prédio da Rocinha, no Museu Paraense Emilio Goeldi. Lá, pela primeira vez em Belém, a fotógrafa Claudia Andujar falará sobre sua produção, destacando o trabalho realizado junto ao povo Yanomami, etnia que Andujar travou contato na década de 1970 e que ajudou, por meio de uma longa luta, no processo de demarcação das terras que viriam a se tornar a reserva Yanomami.

Convidada do 29° Arte Pará, Andujar tem uma sala especial na mostra que aborda distintas relações estabelecidas entre o homem branco e os povos da floresta. Igualmente Diferentes conta ainda com Armando Queiroz, artista homenageado neste ano e Roberto Evangelista, além de objetos da própria cultura Yanomami que poderão ser vistos.

Claudia Andujar em sua palestra, às 16 horas, apresenta as relações de alteridade, fruto de sua integração com os índios desta etnia, a partir do estabelecimento de confiança e cumplicidade. Partindo de fotografias da série “Sonhos”, em que a artista interpreta o universo comsmogônico desse povo, traduzindo isto em imagens de beleza ímpar, que poderão ser vistas ao longo da palestra, já que a mesma ocorrerá dentro da própria exposição, a artista esplanará, com seu fortíssimo senso ético, sobre seus processos e a luta pelo direito à vida desse povo, exposto a toda sorte de doenças do homem branco, além de ser vitima da exploração de suas terras. Assistir a essa palestra, na primeira exposição que a artista faz na Amazônia é um momento único e de significativa importância, revelando processos de mergulho no universo do outro, gerando obras de marcante posição política.

SERVIÇO:
Palestra com Claudia Andujar

Prédio da Rocinha / Museu Paraense Emilio Goeldi

Terça-feira, dia 12, 16h.

ENTRADA FRANCA

Fonte: Facebook do Curador Orlando Maneschy

 

Abertura do Salão Arte Pará 2010 – 7 de Outubro – Museu Histórico do Estado do Pará

Conheça aqui os premiados e os catálogos do três últimos salões.

Trabalhos Selecionados para o Arte Pará 2010

Os trabalhos escolhidos para o 27o Salão Arte Pará foram os seguintes:

1 – Loise D. D. – Rio e Janeiro (RJ)

Categoria: objeto

Obras: Dor e Febre (Tylenol)/Original e Cópia/Carne Vermelha

2 – Osvaldo Carvalho – Niterói (RJ)

Categoria: pintura

Obras: Sem Título – Da Série Dealer/Sem Título – Da Série Dealer/Sem Título – Da Série Dealer

3 – Angella Conte – São Paulo (SP)

Categoria: vídeo

Obra: Essência

4 – Gina Danucci – Guarulhos (SP)

Categoria: gravura

Obra: O Banquete para Judth

5 – Maria Mattos – Niterói (RJ)

Categoria: vídeo

Obra: Entrando Sem Bater

6 – Flávio Cerqueira – Guarulhos (SP)

Categoria: escultura

Obras: O Invisível / Tudo Entre Nós / Ex Corde

7 – Elisa Castro – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: ação urbana

Obra: “Qual o Seu Medo”

8 – Diego de Campos – Florianópolis (SC)

Categoria: vídeo

Obras: Sebre Como Digerir uma Lembrança / Pequena Tentativa Devanescente

9 – Victor De La Rocque – Belém (PA)

Categoria: instalação

Obra: O Ovo e a Galinha

10 – Cleantho Viana – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: vídeo

Obra: Vídeo Performance – Artista, Chapa

11 – Gelka Arruda – Belo Horizonte (MG)

Categoria: fotografia

Obra: Três Dias em Branco

12 – Pedro David – Nova Lima (MG)

Categoria: fotografia

Obra: Cartografia do Infinito

13 – Anita de Abreu e Lima – Belém (PA)

Categoria: fotografia

Obras: Ainda Queria Falar das Flores I/Ainda Queria Falar das Flores II/Ainda Queria Falar das Flores III

14 – Flora Assumpção – São Paulo (SP)

Categoria: instalação

Obras: Serpentes de Prata V/Serpentes de Prata VI/Serpentes de Prata II

15 – Keyla Sobral – Belém (PA)

Categoria: desenho

Obras: Métodos de Vingança I/Métodos de Vingança II/Métodos de Vingança III

16 – Raymundo Firmino de Oliveira Neto – Castanhal (PA)

Categoria: fotografia

Obras: RG-1725411/RG-1712252

17 – Alberto Bitar – Belém (PA)

Categoria: fotografia

Obras: Sem Título, Da Série Efêmera Paisagem/Sem Título, Da Série Efêmera Paisagem/Sem Título, Da Série Efêmera Paisagem

18 – José Hailton dos Santos – Belém (PA)

Categoria: pintura

Obras: Casa I/Casa II/Casa III

19 – Elza Lima – Belém (PA)

Categoria: fotografia

Obras: Série Água – Quem Te Ensinou a Nadar/Série Água – Quem Te Ensinou a Nadar/Série Água – Quem Te Ensinou a Nadar

20 – Nailana Thiely Salomão Pereira – Belém (PA)

Categoria: fotografia

Obras: Noir – Dias Curtos de Inverno 01/Noir – Dias Curtos de Inverno 02/Noir – Dias Curtos de Inverno 03

21 – Ricardo Macêdo – Belém (PA)

Categoria: instalação

Obra: Relações Intercambiáveis

22 – Bruno Macêdo de Cantuária – Belém (PA)

Categoria: instalação

Obra: Cafetinagem

23 – Murilo Rodrigues – Belém (PA)

Categoria: vídeo

Obra: Black Bird II

24 – Flávio Lamenha – São Paulo (SP)

Categoria: fotografia

Obras: Solá Gallery/Vieira

25 – Jimson Vilela – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: objeto

Obras: 3 Cegos/O Livro de Encontro/À Procura de Horizontes

26 – Fernando Limberger – São Paulo (SP)

Categoria: escultura

Obras: Abraçadinhos 1/Abraçadinhos 2/Abraçadinhos 3

27 – Flávia Bertinato – São Paulo (SP)

Categoria: desenho

Obra: Tormento

28 – André Venzon – Porto Alegre (RS)

Categoria: fotografia

Obras: A Cidade É o Meu Corpo 1/A Cidade É o Meu Corpo 2/A Cidade É o Meu Corpo 3

29 – Regina Parra – São Paulo (SP)

Categoria: vídeo

Obras: Travessia (ou Sobre a Lamarcha)/Eldorado I/Eldorado II

30 – Renato Chalu – Belém (PA)

Categoria: instalação

Obra: Meta-Ver-O-Peso-Esquema

31 – Flávia Junqueira Angulo – São Paulo (SP)

Categoria: não informada

Obras: A Casa em Festa #6/A Casa em Festa #7/A Casa em Festa #8

32 – Deborah Engel – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: fotografia

Obras: Paisagens Possíveis – Ladies/Paisagens Possíveis – Pastor Itinerante/ Paisagens Possíveis – Tchola Sov

33 – Adriane Alvares Magalhães Maciel – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: fotografia

Obras: Série Sertão Nº 1/Série Sertão Nº 2/Série Sertão Nº 3

34 – Sinval Garcia – São Paulo (SP)

Categoria: fotografia

Obra: “Encontros” – Coleção Belém-PA

35 – Rodrigo Cass – São Paulo (SP)

Categoria: objeto

Obras: Óleo Sobre Tela (3 Tus Tríptico) 201/Meditação Sobre um Tridimension

36 – Igor Magalhães Vidor – São Paulo (SP)

Categoria: performance

Obra: Mais Um Dia em Belém

37 – Letícia Rita – São Paulo (SP)

Categoria: instalação

Obra: A Liberdade Nem Sempre Está em…

38 – Valéria Coelho – São Paulo (SP)

Categoria: instalação

Obras: Psicografias/Psicografias/Psicografias

39 – Ena Lia Matthees – Porto Alegre (RS)

Categoria: instalação

Obra: Sem Título

40 – Manoel Novello – Rio de Janeiro (RJ)

Categoria: pintura

Obras: Paisagem da Ilha/Sobre a Terra dos Coqueiros/Sobre a Terra dos Coqueiros II

41 – Marinaldo da Silva Santos – Belém (PA)

Categoria: mista

Obras: Escalação Cartas de Defesa/Escalação Cartas de Defesa

42 – Andréa Facchini – Niterói (RJ)

Categoria: desenho

Obras: Entre o Azul do Céu (Sobre-Vivente)/Onde Você Sempre Quis Estar/Sem Linha do Horizonte, Sem Ponto

43 – Rodrigo Freitas – Belo Horizonte (MG)

Categoria: pintura

Obras: Paisagens de Inverno/Variações Sobre o Mesmo Abandono/Sem Título

44 – Viviane Gueller – Porto Alegre (RS)

Categoria: intervenção urbana

Obras: Epiderme/Elemental

Serviço Premiação: 6 de outubro. Abertura do salão: 7 de outubro. Espaços de exposição: MAS, Mhep MUFPA e MPEG. Realização: Fundação Romulo Maiorana, Funarte e Apoio Efetivo de Fotografia, Performances e Salão Regional. Apoio: Mendes Publicidade. Patrocínio: Supermercados Nazaré, Marko Engenharia, Esamaz e Unimed Belém. Informações: (91) 3216-1142, http://www.orm.com.br, http://www.frmaiorana.org.br e “Arte Pará” em www.facebook.com.

A PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA NA ARTE CONTEMPORÂNEA DE BELÉM: UMA ABORDAGEM DA SITUAÇÃO – de Orlando Maneschy e Danielle Barbosa

A PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA NA ARTE CONTEMPORÂNEA DE BELÉM: UMA ABORDAGEM DA SITUAÇÃO

INTRODUÇÃO

Quais as características da produção de vídeo-arte em Belém? Este é um dos motes que nos leva a mergulhar no objeto de nossa atenção. A história da vídeoarte é longa, na verdade foi e continua sendo um território de passagem entre os meios tecnológicos de captação da imagem, evoluindo sua capacidade de expressão através das maneiras de utilização e transmissão de imagens/fatos, sejam fictícios ou reais, por vezes explorando o espaço fora da tela de projeção e provocando os limites de percepção do expectador, envolvendo-o nesse emaranhado de sensações captadas. Este artigo pretende, não somente explorar a produção de vídeo na cidade de Belém do Pará e suas principais características, mas ressaltar a importante contribuição desses artistas em inscrever na história da arte paraense sua percepção a cerca das manifestações nacionais e internacionais da década 1980, onde as gerações independentes estavam em alta como uma das vertentes da produção de vídeo, desencadeando discussões provocativas até chegar às novas artes midiáticas.

Com a colaboração dos artistas de nossa Região em ceder algumas de suas obras, nos unimos em torno de um grande objetivo, dentro desse subprojeto,o de organizar um Banco de Dados e recuperar alguns trabalhos audiovisuais danificados pelo tempo. Esse resgate histórico da produção de vídeo regional está nos proporcionando um curto acervo dessa modalidade expressiva que surgiu com o alvoroço da década de 1980. Esperamos com essa iniciativa contribuir para a ampliação dos espaços de pesquisa que abrange as áreas de Artes, Comunicação e outras afins, proporcionando a criação de fontes seguras de pesquisas sobre a produção artística audiovisual de Belém.

Frames dos filmes de Antonio Dias , The Illustration of Art I, II e III, 1971. super-8, mudo, cor

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NACIONAIS – Um ponto a ser considerado

O vídeo chegou ao Brasil aproximadamente em meados dos anos 1960 e início dos anos 1970, advindo de algumas experiências realizadas por brasileiros residentes em outros países, como é o caso de Antônio Dias, um dos  primeiros a realizar obras em vídeo ainda que em território estrangeiro. Um dos empecilhos para o avanço dessas produções diz respeito à dificuldade de aquisição de equipamentos como o Portapackda Sony, um gravador portátil de vídeo que proporcionava aos seus usuários a liberdade da captação da imagem através de uma percepção pessoal.

A produção era ainda bastante experimental, os artistas dessa época encontravam-se entre o eixo Rio – São Paulo e muitos já eram consagrados artisticamente, mas o vídeo ainda era um meio a ser explorado. O que se pode realmente dizer é que havia artistas experimentando o vídeo, em busca de um novo suporte artístico diferente dos tradicionais. Daí pode-se falar um pouco de sua primeira categoria, o “vídeo-experimental” da primeira geração, conhecida como “geração dos pioneiros”.

A produção dos pioneiros era caracterizada pela ação performática, ou seja, o corpo em evidência, a interação do corpo real com o corpo tecnológico, na maioria das vezes o do próprio artista, criando uma espécie de auto-retrato, assim como na pintura, porém o vídeo não é estático e permite liberdade para a realização das ações, deixando o artista-performer à vontade para explorar as sensações do corpo. Em 1976 Walter Zaninii, o então diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/SP), presenteou esta instituição com um equipamento portátil para gravação de vídeo e o disponibilizou aos artistas.

Criou então, o Setor de Vídeo do MAC de onde saíram vários nomes que se consagraram nas gerações seguintes, este espaço foi uma espécie de incubadora de entusiastas do vídeo e era coordenado por Cacilda Teixeira Costaii, responsável por desenvolver as três fases do projeto traçado por Zanini.“o estudo histórico do vídeo desde suas primeiras aplicações como uma mensagem artística e a organização de um centro de informação e documentação; realização de exposições dedicadas especificamente a trabalhos em vídeo; organização de uma área operacional para a pesquisa dos artistas em colaboração como o museu” (COSTA 2003: 70-73).

Dentre os artistas que compõem esse quadro do eixo Rio-São Paulo destacam-se: Antônio Dias, Miriam Danowski, Letícia Parente, Paulo Herkenhoff, Ivens Machado, Fernando Cocchiarale, Anna Bella Geiger e Sônia Andrade, esses do Rio de Janeiro. Em São Paulo ressaltam-se os nomes de Regina Silveira, Julio Plaza, Carmela Gross, Donato Ferrari, Gabriel Borba, Marcelo Nietche, Gastão de Magalhães e José Roberto Aguilar. Dessa primeira gama de idealizadores, poucos continuaram suas produções voltadas para o uso do vídeo, já no fim dos anos 1970 partiram para outras propostas.

No início dos anos 1980, quando o primeiro impacto do vídeo parecia declinar, surge a produção independente, um verdadeiro “boom” na história da vídeoarte nacional, esta segunda fase de idealizadores mudaria por completo o percurso da programação exibida na televisão. Ao contrário da primeira geração, os artistas da segunda fase não eram consagrados artisticamente, eram em sua maioria jovens estudantes entre 18 e 20 anos de idade, vindos de diferentes áreas do conhecimento como artes, comunicação, jornalismo, psicologia, filosofia e até mesmo engenharia e física.

A característica da produção de vídeo desse período também se opõe ao que era estabelecido como critério de identificação da primeira geração, a busca não se prendia mais a novos suportes artísticos e tão pouco se preocupavam como o sistema museológico. Acreditavam na conversão da televisão de modo a transformar a imagem eletrônica, com uma produção mais documental evidenciando temas sociais.

Pode-se dizer que com o seu comportamento irreverente diante das câmeras, Glauber Rocha foi uma das pessoas mais influentes na tentativa de transformar os parâmetros tradicionais de exibição que a televisão estabelecia e inspirou vários grupos de produtoras independentes da época, dentre elas destacam-se a TVDO (Leia-se TV Tudo) e Olhar Eletrônico. Os independentes traçaram estratégias de uma produção vanguardista, investiram numa percepção mais ampla da realidade e uma de suas características era o registro em forma de documentários, suas temáticas levantaram novos questionamentos a cerca dos problemas enfrentados pela sociedade, resgatando valores culturais e instigando no expectador o senso crítico diante dos problemas em questão. Essas problemáticas resultaram em uma centena de trabalhos inspirados pela própria televisão, mas empregavam uma nova linguagem, muito mais dinâmica e inovadora.

Já a terceira geração de idealizadores do vídeo, que iniciou sua produção nos anos 1990 ficou conhecida como uma geração de criadores, suas idéias não se distanciavam muito da proposta dos independentes, na verdade esse grupo absorveu um pouco da curta e recente história do vídeo, das experiências adquiridas através dos outros grupos para efetivar suas conquistas.

Os artistas desse período se concentraram em produções mais autorais e eram menos descompromissados com os interesses sociais, “o único compromisso que une todos os representantes desta última geração é a investigação das formas expressivas do vídeo e a exploração de recursos estilísticos afinados com a sensibilidade de homens e mulheres da virada do século”. (MACHADO, 2007: 19-20).

Dentre os nomes que compunham este novo cenário dos criadores, vale ressaltar: Lucila Meirelles, Walter Silveira, Lucas Bambozzi, Carlos Nader, Marcelo Masarão, João Moreira Sales, Rodrigo Minelli, Patrícia Moran, Josely Carvalho, Arnaldo Antunes, Diana Domingues, Simone Michelin, Betty Leirner, Almir Almas, Inês Cardoso e os parceiros Jurandir Muller/Kiko Goifman e Maurício Dias/Walter Riedweg, Éder Santos e Sandra Kogut esses dois últimos consagrados internacionalmente.

Vídeo de Eder Santos, Roberto Berliner e Sandra Kogut produzido em 1988, para a canção escrita pelo poeta Chacal e musicada por Ricardo Barreto.

Vale ressaltar também que a geração da década de 1990 já nasceu assistindo TV, os tão sonhados equipamentos tecnológicos que proporcionavam o encantamento visual passaram a ser mais acessíveis nessa época, decerto que a cada nova geração o avanço tecnológico acompanha o ritmo das produções e a busca por tecnologias que  proporcionavam o deslocamento dessas informações acompanhavam o passo da evolução midiática.

A vídeoarte do Brasil passou por muitas dificuldades referentes à falta de equipamentos, mas apesar desse motivo, pode-se dizer que se comparado à produção internacional, os artistas brasileiros não ficam distantes em termos de criação e destacam-se por suas produções.

AS PRIMEIRAS INFLUÊNCIAS NA DÉCADA DE 1980 EM BELÉM

Depois do alvoroço das décadas de 1960 e 1970 que desencadearam árduas discussões referentes aos meios de comunicação de massa e dividiu opiniões a cerca da captação e utilização da imagem na arte, a proliferação do vídeo como uma modalidade artística alcançou as mais distantes regiões do mundo e não poderia ser diferente em nosso país.

Em mais de 40 anos de história, a vídeoarte ainda demorou a conquistar um amplo espaço na Região Norte. Sabe-se que ela existiu e ainda existe com algumas variáveis de nomenclatura, seja em salões de arte, sejam em mostras que o introduziram como linguagem artística no final dos anos 1980 em Belém, como: vídeo-experimental, vídeo-poema, simplesmente vídeo ou mais recentemente vídeo-instalação e vídeo-performance.

Somente na década de 1980, quando o cenário nacional foi movido de conquistas no âmbito político é que no Pará começa a surgir esse interesse  pelo audiovisual numa perspectiva ainda meio cinematográfica e teatralizada. Em Belém, vídeoarte era uma palavra que se ouvia falar pouco e a busca por esse conhecimento a até mesmo as influências vieram de outras regiões do Brasil, muito relacionada a experiências do cinema de autor e do vídeo-experimental, onde eram apresentadas em mostras de vídeo e exposições de arte.

As primeiras experiências audiovisuais em Belém começaram a aparecer quando um grupo de estudantes de áreas de conhecimentos diversificados se uniu por um interesse em comum, produzir algo diferente na cena artística contemporânea paraense. O foco principal dessas produções era o estudo da utilização da imagem e seu caráter representacional, dentro da busca da construção de uma perspectiva pessoal, provocando uma mudança radical no sentido visual e sonoro das experiências realizadas.

Quando a câmera VHS surgiu, veio junto a possibilidade de utilizá-la para registrar as linguagens e misturá-las possibilitando as relações híbridas observadas hoje em algumas produções. Na época a palavra audiovisual significava trabalhar com uma série de imagens fotográficas seqüenciadas que davam movimento à história a ser contada. Os equipamentos eram de difícil acesso e a produção só era possível por intermédio de amigos que já realizavam trabalhos de cunho publicitário ou por instituições recentemente criadas para difundir a pesquisa nessa modalidade que a cada dia aumentava mais seu número de adeptos.

Ainda no início dos anos 1980 foi criado o Centro Regional de Artes Visuais da Amazônia (CRAVA), uma iniciativa que reuniu vários pesquisadores e iniciantes do âmbito artístico visual, em sua infra-estrutura contava com o que havia de melhor dos aparatos tecnológicos utilizados para a produção e transmissão de imagens, com forte ênfase para o cinema, mas que também funcionou como um espaço para a expressão do vídeo como manifestação autoral.

Mesmo sem saber ao certo qual denominação usar para essas experiências, esses jovens realizadores começaram a pesquisar as imagens, fixas e em movimento, através de câmeras de vídeo, por vezes sem a pretensão de constituir obras de arte.

Ainda nos anos 1980 o canal Music Television (MTV) começa a ser exibido no Brasil trazendo o hit do momento e que serviu de inspiração para algumas dessas produções, o Rock’n Roll e com ele os videoclipes musicais e influenciou vários adeptos do âmbito artístico nacional e internacional. Por sua vez, a poesia e a literatura também contribuíram como fonte de inspiração, que resultou em trabalhos envoltos de uma carga emocional e sensível, deixando transparecer um pouco do momento vivenciado seja no âmbito social ou pessoal. O cinema de autoral europeu também era uma fonte de inspiração para vários realizadores.

Essas linhas de inspiração do vídeo no território paraense abriram caminhos por onde se podia redescobrir uma nova perspectiva e assim foram surgindo as primeiras produções audiovisuais na década de 1980 na região da Grande Belém. Dentre os nomes mais importantes que marcaram o início dessa construção de imagens em movimento partindo da fotografia, da televisão, do cinema e trilharam caminhos no vídeo, há de se destacar os nomes de: Aníbal Pacha, Nando Lima (que apesar de trabalhar com cenários para peças teatrais inseria o vídeo como elemento de composição de alguns espetáculos e também foi bastante influenciado pelos videoclipes), Jorane Castro, Dênio Maués, Mariano Klautau Filho, Orlando Maneschy (orientador desta pesquisa), Marta Nassar (que, a despeito de criar em cinema, seus curtas-metragens circulavam com algumas características do vídeo e particularmente são identificados com a linguagem da vídeoarte) e Val Sampaio, esses nomes propiciam o aparecimento de outros que iriam se destacar nas décadas seguintes, e que produzem vídeos em períodos distintos, ainda de caráter experimental fazendo referência à pintura, à fotografia e ao próprio cinema.

Frames do vídeo Pandora, de Mariano Klautau Filho.

Podemos citar, aqui, alguns trabalhos fundamentais, como Secreta Cinza (Val Sampaio e Mariano Klautau FIlho), Cenesthesia (Jorane Castro, Dênio Maués). Apesar das significativas experiências realizadas por nossos curiosos artistas da década de 1980, em sua maioria não classificavam essa produção como vídeoarte, mas como experiências realizadas que foram a tentativa de uma ruptura de suporte.

Depois das primeiras experiências dos anos 1980 e 1990, que tentavam romper com a tradição do cinema e da televisão, encontramos trabalhos que articulam já irão se assentar dentro do campo do vídeo e ser exibido no cenário da arte, ora chamado simplesmente de vídeo, ora de vídeoexperimental. Dentro do campo específico das artes visuais temos hoje uma nova gama de jovens idealizadores que vem produzindo em vídeo e colecionam em seus currículos várias exposições em salões nas diferentes vertentes ou subcategorias do vídeo.

Nomes como Alberto Bitar, Armando Queiroz, Dirceu Maués, Melissa Barbery, Roberta Carvalho e Keyla Sobral. Flavya Mutran, Vitor Souza Lima, Victor De La Rocque (ganhador do Grande Prêmio do Salão Arte Pará 2008), Luciana Magno, Josynaldo Vale, Carla Evanovitch, Neuton Chagas, são alguns destaques que obtiveram êxito em suas produções transitando pela linguagem do vídeo na arte contemporânea paraense.

Vermelho ( video arte, 2005/2007 ), de Melissa Barbery

Hoje vídeoarte paraense é algo que ainda está em crescimento e aos poucos vai se concretizando, com trabalhos que determinam seu foco principal no vídeo e seus desdobramentos espaciais, pois apesar das fronteiras de atuação do cinema e do vídeo terem sido apagadas mesmo tendo um campo se atuação definido, vivemos um momento de fusão que é difícil classificar por ser híbrido de sentidos e formas de representação, percebemos hoje elementos da vídeoarte dentro do cinema e elementos do cinema dentro da vídeoarte.

Tudo é uma questão de transição de suportes e o vídeo encontra-se mais uma vez num rito de passagem para os meios mais recentes de representação e interação com o público, apesar de ainda ser um pólo pequeno de pessoas que trabalham com técnicas que se fundem em Belém. Verificamos, ainda, impressões pessoais que deixam revelar o diálogo com a região, como a chuva e as características locais, os casarões antigos abandonados, e toda uma gama de referências e citações culturais.

Todas essas impressões ampliam as proposições artísticas do vídeo para a videoinstalação em muitos casos observados, trazendo-nos hoje a um cenário rico e multifacetado em suas experiências visuais, constituindo o que podemos chamar hoje de vídeoarte paraense.

AS PRIMEIRAS EXIBIÇÕES DE VÍDEOS NOS SALÕES DE ARTE NO PARÁ

Como podemos perceber ao longo desta história da passagem do cinema para o vídeo e como essas categorias que apesar de próximas ainda conseguem ser distinguidas uma da outra, existe de fato uma produção em Belém ainda caminhando para uma concretização de território. Entre os vários salões de arte que hoje encontramos em nossa região, destaca-se o Salão Arte Pará, criado em 1982 pelas Organizações Romulo Maiorana e que se tornou o principal salão de arte da Região Norte do país, além de outros posteriores à sua criação como o Salão Unama de Pequenos Formatos, o Salão Primeiros Passos do CCBEU e vários outros que aos poucos vão ganhando destaque.

Hoje podemos contar também com o apoio de centros destinados às exposições como o Museu Histórico do Estado de Belém (MHEP), o Museu de Arte Sacra (MAS), o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, integrantes do Sistema Integrado de Museus (SIM), o Museu de Arte de Belém (MABE), a Galeria Theodoro Braga, o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) e o Museu da Imagem e do Som (MIS), entre outros. Sem esquecer de mencionar também a importância das instituições que tem o seu interesse voltado para a democratização da Arte, facilitando o acesso ao público e atraindo novos talentos, a fim de aprimorar os conhecimentos nas diversas áreas do campo artístico, é o caso da Fundação Curro Velho, da Casa da Linguagem, do Instituto de Artes do Pará (IAP), do Instituto de Ciências da Arte da UFPA (ICA/UFPA), da Universidade da Amazônia (UNAMA), e Fundação Romulo Maiorana.

Depois das primeiras tentativas que difundir a produção local de vídeo, este somente entrou nos espaços dos salões de arte no II Salão Paraense de Arte Contemporânea, em 1992, com o vídeo Delírio, de Val Sampaio, e depois regressa em 2001 na 20º edição do Salão Arte Pará, com obras de dois artistas de cidades diferentes, Bruno de Carvalho do Rio de Janeiro, com o vídeo Dyspepsia e Mima Lunardi do Rio Grande do Sul com um vídeo Sem Título. Mas foi em 2002 que o Salão Arte Pará exibiu a primeira obra em vídeo de um artista paraense, intitulado Dóris, realizado por Alberto Bitar e Paulo Almeida, os primeiros artistas a exibir esta modalidade dentro de um Salão de Arte de nossa região. Em sua 22º edição, o Salão Arte Pará contou com a participação do vídeo Paisagem Urbana em Três Atos também dos primos Alberto e Léo Bitar. A partir dessa iniciativa, outros salões passaram a integrar em seus editais a aceitação desta modalidade como obra artística, em 2004 o Salão Unama de Pequenos Formatos exibiu entre suas obras, os vídeos Fragmentos de Segundo Plano dos primos Alberto e Leo Bitar, Víboras de Artur Árias e Carlos Vera Cruz e Cem Anos de Paulo Almeida.

O Salão Arte Pará por sua vez exibiu o vídeo Correspondências (do espinho/ da vida/ da arte), uma vídeo-instalação do artista Acácio Sobral, garantindo-lhe o Primeiro Grande Prêmio, neste período o vídeo já começava a ganhar espaço dentro dos salões. Ainda nesta edição do salão, contamos com a participação de artistas de outras cidades como Paula Trope do Rio de Janeiro, Cláudia Barbian do Rio Grande do Sul, Eduardo Srur e Fenando Huck de São Paulo e Léo Tafuri de Minas Gerais.

Na sua 24ª edição, o salão exibiu os vídeos Pintura de Emmanuel Nassar, Quase Todos os Dias de Alberto e Léo Bitar, E-Happy de Artur Árias Dutra e Minutos de Silêncio de Roberta Carvalho e Keyla Sobral, garantindo à estas o 2° Grande Prêmio do salão.

Em 2006 já era considerável o número de participantes nesta modalidade, dentre os artistas vindos de outras cidades, destacam-se os paraenses Graziela Ribeiro Baena com o vídeo L’artista e Dirceu Maués com o vídeo Feito Poeira ao Vento. Mas foi em sua 26º edição que o salão investiu num novo espaço de discussões a cerca desta modalidade, apresentando um ciclo de projeções que reuniram diversos nomes da arte do vídeo paraense expondo seus trabalhos em uma Mostra de Vídeos que aconteceu paralela à programação do evento.


Nessa edição do salão, o vídeo compôs cenários e ações, nunca esteve tão presente como um meio pelo qual se esboçam diálogos com a pintura, escultura, objetos e intervenções urbanas registrando determinadas questões pertinentes ao momento presente, possibilitando um diálogo com a cidade, propiciando reflexão e olhares sensíveis na maneira em que são abordados os temas.

Essa Mostra de Vídeo teve curadoria da crítica-pesquisadora em artes Marisa Mokarzel e a assessoria de Alexandre Sequeiraiv, que após diversas discussões e reflexões sobre esta produção, resolveram reuni-las garantindo um breve mapeamento classificando quatro grupos de blocos temáticos exibidos na Mostra, são eles: “Cor e Linha: Vídeo-Pintura”, “Belém, Pará que Te Quero Bem”, “Vídeo Animação” e “Contemporâneo”.

Desde o início da pesquisa, nosso principal objetivo em prosseguir por uma concretização de um Banco de dados e um Acervo de obras em vídeo, diz respeito a um único intuito, garantir aos estudantes e pesquisadores acesso à essas produções e intensificar discussões e hoje podemos dizer que grande parte das conquistas se deu através da persistência dos artistas mencionados neste artigo, todos sem exceção, contribuíram para este resultado.

Nossa pesquisa histórica deixa claro que existe sim um trabalho consistente de vídeoarte em nossa região e que merece atenção especial e olhar arguto para não apenas mapear sua produção e escrever sua história, mas construir uma reflexão necessária e urgente sobre esta linguagem no Pará.

NOTAS:

I Walter Zanni é professor titular aposentado da Universidade de São Paulo – USPA, Presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, foi diretor do Museu de Arte Contemporânea

de São Paulo – MAC/SP e fundador do Setor de Vídeo do mesmo Museu em 1977.

II Cacilda Teixeira da costa é curadora independente, Doutora em Artes pela Universidade de são Paulo e foi coordenadora do Setor de Vídeo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo em 1977 e 1978.

III Marisa Mokarzel é Doutora, em Sociologia, Mestra em História da Arte, Professora do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem da Universidade da Amazônia (UNAMA) e Diretora do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém do Pará.

IV Alexandre Romariz Sequeira possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará (1985) e especialização em Semiótica e Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (2005). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Plásticas.

REFERÊNCIAS:

MACHADO, Arlindo. Arte e mídia. Rio de Janeiro. Editora Jorge Zahar, Edição 2007.

MACHADO, Arlindo. A Arte do Vídeo. São Paulo. Editora Brasiliense. 2º Edição, 1990.

MACHADO, Arlindo (Org.). Made in Brasil: Três décadas do vídeo brasileiro. Editora Iluminuras e Itaú Cultural, 2007.

MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & pós-cinemas. Campinas – São Paulo. Editora Papirus, 1997. – (coleção campo imagético).

MELLO, Christine. Extremidades do Vídeo. Tese de Doutorado em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2004.

OLIVEIRA, Relivaldo Pinho de (Org.). Cinema na Amazônia: textos sobre exibição, produção e filmes. Belém. CNPq, 2004.

RUSH, Michael. Novas mídias na arte contemporânea; NASSER, Cássia Maria

(Trad.); MICHAEL, Marylene Pinto (Revisão de Trad.), São Paulo, Editora Martins Fontes, 2006. (Coleção a).

VERIANO, Pedro. Cinema no Tucupi. Belém. SECULT, 1999.

ZANINI, Walter. “Primeiros Tempos as arte/tecnologia no Brasil” IN: DOMINGUES, Diana (Org.). A arte no século XXI – A humanização das tecnologias. EDUSP:

São Paulo, 1997.

Autores

ORLANDO MANESCHY

Artista, Professor e Curador Independente. É doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo [Signo e Significação nas Midias] (2005). É Professor Adjunto do Instituto de Ciências da

Arte – ICA da Universidade Federal do Pará, onde ministra cursos na graduação e pós graduação. Atua em projetos de arte no Brasil e no exterior.

DANIELLE BARBOSA

Graduada do Curso de Educação Artística da FAV/ICA/UFPA e ex-orientanda e ex-bolsista do CNPQ no sub-projeto Mapeamento da Produção Videográfica na Arte Contemporânea de Belém.

Fonte: ANPAP – 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas
Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 – Salvador, Bahia

Arte Pará 2010

Abertas as inscrições para o 29o Salão Arte Pará. É tempo da arte contemporânea paraense se reinventar. Dos artistas consagrados mostrarem suas mais recentes invenções e a nova geração chegar com toda força. Aqui você pode baixar a ficha de inscrição, regulamento e tudo mais.

Antes disso vamos relembrar os três Grandes Prêmios dos últimos salões:

Em 2007 o prêmio foi para Val Sampaio e Mariano Klautau com a instalação “Permanência”. Que de acordo com os artistas  “(…) é uma instalação que não é completa, ela não serve para contemplação. Ela só é completa quando alguém está sentado no balanço, é mesmo algo para ser usado”.

A instalação “Permanência”, de Val Sampaio e Mariano Klautau Filho, montada na capela Landi do Museu Histórico do Estado doPará, implica num balanço, duas projeções laterais de um vídeo de um balanço num quintal e sons de um quintal (pássaros, folhas secas,etc.). O espectador tem que se colocar no centro da cena para melhor desfrutar o trabalho e concretizar a proposta através da experiência:“Essa é uma instalação que não é completa, ela não serve para contemplação. Ela só é completa quando alguém está sentado nobalanço, é mesmo algo para ser usado”, argumenta Sampaio. Assim, “Permanência” se inscreve na tradição brasileira da sensorialidadedo neoconcretismo de Lygia Clark e sua “nostalgia do corpo”. O objeto é o meio indispensável, como no período sensorial da produçãode Clark, entre a sensação e o participante.No seu vai-e-vem, o balanço dissolve as noções de antes e depois. O tempo inefável da memória parece à deriva. O balanço é ressemantizadocomo tempo e não espaço. Como na duração, no conceito de Henri Bergson, o balanço de “Permanência” propõe estadosde não-começo e não-fi m, uma intersecção de um no outro. O balanço é, pois, o próprio ser em processo, seu movimento pendular éo diagrama de funcionamento da própria memória. É um paradigma para o fenômeno como algo que se apresenta para nós como noplano da experiência consciente e, ao mesmo tempo, o contato vivencial da própria poiesis nesses singelos jardins das delícias brasileirosque são os quintais. Há algo de edênico, como num ambiente de Hélio Oiticica, no quintal em crelazer de “Permanência”. Por fi m,Val Sampaio anuncia o abismo que separa os artistas de “Permanência” dos críticos formalistas do Brasil, greenbergianos tardios. ValSampaio e Mariano Klautau Filho convergem para valores presentes na crítica de Mário Pedrosa, na pintura de Barnett Newman ou noneoconcretismo: “O percurso da arte é a vida”.

Em 2008 o grande premiado foi  Vitor La Roque com a performance “Gallus Sapiens”. Segue o texto sobre a obra:

Partindo de relações do cotidiano e dos enfrentamentos presentes na vida, Victor de La Rocque constrói seu projeto performático “Gallus Sapiens” em re!exão sobre a natureza humana e o consumo. Nessa performance instigante, o artista ata Galinhas d’Angola vivas a seu corpo, ampliando este corpo, para além do simples ato de vestir-se, procurando estabelecer um corpo comum constituído pela soma desses duas espécimes. Nessa busca, encontra-se uma das potências do trabalho no momento em que o artista olha para a vida e quer identicar até onde nossa animalidade chega. A metáfora do “Gallus Sapiens” afeta por nos retirar dos papéis de conforto e nos colocar frente a frente com o estranho, com aquilo que não conseguimos dar conta. O artista, tal qual uma entidade de um culto ancestral, se coloca diante de símbolos de poder da cidade e os observa. O cansaço, a sofreguidão parecem dar lugar a um estado alterado de consciência nesse misturar de corpo vivo e corpo que morre em pontos estratégicos da cidade – Entroncamento, Cidade Velha e Avenida Presidente Vargas – locais escolhidos para as três ações que compreendem a proposição: “Glória Aleluia e a Mão de Deus”; “Come, Ainda Tens Tempo” e “Entre os Meus e os Seus”.

Partindo de relações do cotidiano e dos enfrentamentos presentes na vida, Victor de La Rocque constróiseu projeto performático “Gallus Sapiens” em re!exão sobre a natureza humana e o consumo. Nessaperformance instigante, o artista ata Galinhas d’Angola vivas a seu corpo, ampliando este corpo, para alémdo simples ato de vestir-se, procurando estabelecer um corpo comum constituído pela soma desses duasespécimes. Nessa busca, encontra-se uma das potências do trabalho no momento em que o artista olha paraa vida e quer identicar até onde nossa animalidade chega. A metáfora do “Gallus Sapiens” afeta por nosretirar dos papéis de conforto e nos colocar frente a frente com o estranho, com aquilo que não conseguimosdar conta. O artista, tal qual uma entidade de um culto ancestral, se coloca diante de símbolos de poder dacidade e os observa. O cansaço, a sofreguidão parecem dar lugar a um estado alterado de consciência nessemisturar de corpo vivo e corpo que morre em pontos estratégicos da cidade – Entroncamento, Cidade Velhae Avenida Presidente Vargas – locais escolhidos para as três ações que compreendem a proposição: “GlóriaAleluia e a Mão de Deus”; “Come, Ainda Tens Tempo” e “Entre os Meus e os Seus”.

Berna Reale, com a perfomance orientada para fotografia, resultando em um tríptico, “Quando todos calam”,  foi ao Ver-O-Peso  nua e se cobriu de vísceras para uma imagem surreal de tão absurdamente real. “Um lugar onde para mim é o estômago da cidade, um lugar onde a fartura e a miséria se confundem”, de acordo com a artista que levou o grande prêmio do Salão em 2009.

uma geografia onde o humano e o animal se confundem, os comportamentos se alternam e se entrecruzam em uma trama que é tecida, ora com fios de renda, ora com vísceras, entre o ritmo do adagio e do allegro, orquestrados pelo silêncio.

Abaixo as fichas de inscrição e tudo mais para o Salão Arte Pará 2010.

Na abertura site oficial do Salão Arte Pará 2010 está o seguinte texto:

O Pará, ao longo dos séculos deteve papel significativo no cenário da cultura na região Norte. Artistas de diversas linguagens vem constituindo um cenário particular na Amazônia, o que contribuiu para que florescesse aqui expressões artísticas especiais, que graças a articuladores político-culturais, passaram a adquirir visibilidade, constituindo conhecimento e ampliando o acesso a experiências estéticas ao público, atravessando o cotidiano e ganhando os mais diversos espaços, dos mais populares aos lugares específicos, como os museus.
O Projeto Arte Pará teve sua origem no início dos anos 1980, motivado por um desejo visionário do jornalista Romulo Maiorana de estimular a produção artística local, desejo esse que irá consolidar um dos projetos mais longevos no cenário nacional, constituindo-se em um dos mais significativos projetos de fomento, acesso e difusão artística no país. O Projeto Arte Pará que começou estimulando a produção artística local, incentivando e viabilizando oportunidades a artistas que hoje detém significativa carreira nacional e internacional, por meio de premiações e do fluxo de críticos e curadores, assa a ser um dos mais importantes projetos educativos pela arte do norte do país, integrando saberes, instituições de ensino, fomentando a participação de estudantes na construção do conhecimento e viabilizando acesso a arte a diversas camadas sociais, realizando ações inclusivas.
Rompendo as barreiras regionais, o Arte Pará se consolidou e como um evento que concentra um expressivo conjunto da produção artística nacional no Norte do Brasil ao longo dos meses em que suas ações ocorrem e passa, nos últimos anos, a apresentar conexões históricas internacionais, ampliando a compreensão da arte em sua dimensão social e política, por meio de convidados especiais. Nesse desenho, o local e o global se colocam em diálogo, revelando no Pará as transformações culturais que se viabilizam por meio da arte, entendendo esta como uma expressão que, por meio do Arte Pará, toma lugar no meio da vida dos indivíduos, na cidade, em seus lugares de valor simbólico, na própria vida.

Aproveito também para fazer uma viagem pelos Salões de 2009, 2008 e 2007, através de seus catálogos obtidos do site da Fundação Rômulo Maiorana que serviram de fonte para esta postagem, um site para passar horas acompanhando toda história do Salão que vai para sua vigésima nona edição.

Catálogo 2009

Coordenação Geral
Roberta Maiorana
Daniela Oliveira

Curadoria
Marisa Mokarzel
Orlando Maneschy

Coordenação Editorial
Vânia Leal Machado

Projeto Gráfico e Editoração
Mapinguari Design

Fotografias
Everton Ballardin

Assistente de Fotografia
Shirley Penaforte

Tratamento de imagens
Retrato Falado

Revisão de textos
Carolina Menezes

Catálogo 2008

Coordenação Editorial / Organização
Roberta Maiorana
Daniela Oliveira
Orlando Maneschy
Alexandre Sequeira
Emanuel Franco

Projeto Gráfico
Luciano e Daniela Oliveira

Revisão
Carolina Menezes

Digitação e Editoração Eletrônica
Ezequiel Noronha Jr.

Fotografas
Octávio Cardoso, Flavya Mutran, Orlando Maneschy e Alexandre Sequeira

Tratamento de Imagens
Oscar Farias
Gilson Magno

Catálogo 2007

Coordenação Editorial
Paulo Herkenhoff

Assistente de Edição
Alexandre Sequeira

Projeto Gráfico
Luciano e Daniela Oliveira

Revisão
Aline Monteiro

Digitação e Editoração Eletrônica
Fábio Beltrão
Ezequiel Noronha Jr.

Tratatamento de Imagens
Oscar Farias
Gilson Magno

Bibliografia [X] // “Seqüestros” de Orlando Maneschy

O primeiro livro da Bibliografia [x] é “Sequestros” do artista e pesquisador Orlando Maneschy. O livro é obrigatório, tanto pela qualidade do mapeamento que faz da imagem na arte paraense contemporânea, quanto por ser das raríssimas obras sobre o assunto publicadas no Pará. Mesmo sendo um trabalho resultado de bolsa para recém-doutores, de alto nível acadêmico, a linguagem dinâmica e atual permite uma leitura para todos os públicos interessados em arte. O autor selecionou 35 artistas paraenses que trabalham com a imagem em suas obras, fez suas biografias e selecionou trabalhos de cada um para o livro. Desde as “amazônias” de Luiz Braga as instalações de João Cirilo, passando pelas intervenções em prédios históricos de Roberta Carvalho e as performances surreais de Lúcia Gomes, pra citar apenas alguns, o livro transborda em arte, em suas múltiplas linguagens. A trajetória destes artistas mapeados pelo autor faz do livro bibliografia básica para compreender a arte contemporânea paraense.

Luiz Braga


João Cirilo

Roberta Carvalho, Pretérito do Presente

Lúcia Gomes, Santuário Sanitário

OBS: as obras acima não fazem parte do livro em questão, coletei imagens na internet em diversos sites como Cultura Pará, Overmundo, em albuns do Picasa e blogs de fotografia

Outros Prazeres ou Aquilo que Amou ter de Volta

Outros Prazeres ou Aquilo que Amou ter de Volta – um diálogo com o acervo da Casa das 11 Janelas – curadoria Orlando Maneschy

com Courtney Smith, Douglas Marques de Sá, Laura Vinci,
Newton Mesquita, Marco Paulo Rolla, Hildebrando Castro,
Adir Sodré, Miguel Rio Branco, Cildo Meireles, Lina Kim,
Nazaré Pacheco, Yiftah Paled, Laércio Redondo,
Marcelo Coutinho, Paulo Climachauska, Rosângela Rennó,
José Guedes, Orlando Maneschy e Cláudia Leão.

Período: de 04 de junho a 11 de julho de 2010

de terça a domingo , de 10h às 16h – feriados : de 09h às 13h.

O Museu Casa das Onze Janelas fica na Praça Frei Caetano Brandão s/ nº, Cidade Velha- Belém/PA. CEP: 66020-310.

Ingresso: R$2,00. Todas as terças-feiras do ano a entrada é franca.

Gratuidade: crianças até 7 anos , adultos a partir dos 60 anos, portadores de necessidades especiais,
grupos agendados e turmas da rede de ensino agendadas . Agendamento : (91) 40098845 – Educativo SIM.

Informações: (91) 40098825/40098823/40098821. E-mail: onzejanelas@gmail.com

http://museucasadasonzejanelas.blogspot.com/