Exposição “Na Passagem da Corda”, 1999 – Coletiva Anual da Associação dos Artistas Plásticos do Pará

coracao armandoEm 1999 a Associação dos Artistas Plásticos do Pará montou uma exposição coletiva temática sobre o Círio de Nazaré, nomes como Armando Queiroz, Emanuel Franco, Maria Christina, Nina Matos, Octávio Cardoso, entre outros. A exposição aconteceu no Museu de Arte de Belém, com apoio da Prefeitura de Belém, e foi um desdobramento do II Encontro dos Artistas Plásticos do Pará. [imagem: Coração, de Armando Queiroz]

A inauguração do Palacete Pinho e considerações acerca do patrimônio histórico em Belém

A inauguração do Palacete Pinho, restaurado depois de 7 anos de ingerência patrimonial, gera várias discussões. A primeira que levanto é quanto ao seu uso e a sustentabilidade do patrimônio histórico, já vimos várias ações parecidas que pela falta de manutenção e recursos os prédios precisaram ser restaurados poucos anos depois (ou nunca). Precisa ser elaborado, junto com o IPHAN um projeto de manutenção contínua, pois o dinheiro público não pode ser desperdiçado continuamente. Quanto ao uso é imprescindível que a instituição que ocupe o prédio tenha um projeto de sustentabilidade, não se pode depender de trâmites burocráticos intermináveis para desentupir um calha ou trocar uma telha. O uso cultural-artístico e social do espaço, no caso do Palacete Pinho, pode ser uma ponte de integração com as comunidades das cercanias tão carentes de espaços como bibliotecas e cinema, por exemplo. O MABE, dentro da estrutura da Prefeitua de Belém, seria a instituição adequada para gerir o espaço e lhe dar o uso adequado, galeria, auditório, biblioteca, arte-educação, enfim. Outra questão preocupante é o fluxo de veículos pesados na Doutor Assis, abala de forma contínua a estrutura, prejudicando-a dia-a-dia. Deveria ser pensando um desafogamento do tráfego em toda a Cidade Velha e Comércio (uma utópia). Ainda é cedo para agradecer este novo espaço, ainda é uma incógnita, não sei se podemos comemorar ou nos preocupar ainda mais.

Segue abaixo a matéria publicado sobre esta inauguração:

Rua Doutor Assis, 586, Cidade Velha. No logradouro está o Palacete Pinho, construção imponente e símbolo de riqueza em Belém. Construído em 1897, pertenceu à família do comendador Antônio José de Pinho – um rico empresário local – até final da década de 1970, quando o imóvel foi vendido. Nesse período inicia a conturbada história de tentativas de recuperação do patrimônio. Na década seguinte, o imóvel foi comprado por uma rede de supermercados, sob alegação de que seria transformado em fundação cultural, mas na verdade foi utilizado como depósito de produtos, o que contribuiu para sua degradação. A situação chegou ao limite em 1986, quando o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 1992, o Palacete Pinho foi desapropriado pela Prefeitura de Belém, que passou a ser gestora do imóvel. Sem iniciativas de conservação, avançava o estado de degradação do prédio, que chegou a sofrer saques de azulejos e balaústres, entre outros bens, sendo ainda ocupado por moradores de rua. Em 1995, sob coordenação da arquiteta Jussara Derenji, surgiu o primeiro projeto municipal de restauração do palacete, mas não foi possível captar verbas. Apenas em 2003 a captação de recursos foi aprovada via Lei Rouanet. As obras se estenderam desde então, sendo realizadas com muitas intervenções e em meio a problemas administrativos. Finalmente restaurado e reestruturado, o Palacete Pinho será inaugurado hoje, às 19h, em comemoração ao aniversário de 395 anos de Belém, celebrado amanhã.

Para além da restauração, prossegue a confusão na administração do patrimônio: na última sexta-feira, 7, o prefeito Duciomar Costa admitiu, durante entrevista coletiva, que ainda não se sabe o que será feito do Palacete Pinho.

Segundo Raimundo Pinheiro, presidente da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), entre as possibilidades estão um centro cultural (com eventos, exposições e cursos), uma escola de artes e/ou música ou ainda alguma secretaria municipal. De maneira retórica, ele demonstra não estar entrosado no assunto e garante que em até 30 dias será anunciada a finalidade do imóvel. “Tivemos uma série de problemas técnicos e jurídicos. O nosso grande esforço foi concluir a obra, e o que vai funcionar aqui é o de menos. É fundamental olhar para o presente, deixar o passado, e ver que está sendo resgatado um patrimônio histórico de Belém”, diz.

Questionado se seis anos (período da gestão Duciomar) não seriam suficientes para se pensar num projeto completo, com finalidade de uso e estruturação de um corpo técnico para o pleno funcionamento do Palacete, Raimundo Pinheiro reitera que agora é importante pensar em inaugurá-lo, mesmo sem desígnio. “A prefeitura está pensando agora o melhor uso do Palacete. Após a inauguração, será feita a entrega de comendas e depois abriremos para visitação pública”, diz.

Pressão para agilizar as obras

De acordo com George Venturieri, arquiteto da Fumbel desde 1997, pelo projeto inicial de restauro, o Palacete Pinho seria transformado em escola de música. Ele informa que existe uma sala projetada para concertos musicais, que contém palco e foi preparada acusticamente para esta atividade. O porão também possui isolamento acústico. Mas haveria um problema essencial: não existe corpo técnico para a fundação de um estabelecimento público de ensino musical. “É claro que foi preciso justificar a reforma para um uso. Mas se não tiver um corpo funcional para administrar e gerir, nada se institui. Foi o que aconteceu”.

George Venturieri é um dos arquitetos que fazem parte do corpo técnico da Fumbel e que, juntamente com engenheiros e historiadores, foi responsável pelo acompanhamento das obras feitas pela Estacon Engenharia, empresa vencedora da licitação. A fiscalização das obras ficou por conta da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb). Ele diz que a maior dificuldade para a conclusão das obras de restauro foram os problemas administrativos. “Obra de restauro não é uma obra comum. Às vezes é preciso reconstruir o que não existe mais, como azulejos e ladrilhos hidráulicos”, explica. A obra custou aproximadamente R$ 7,8 milhões, sendo mais de R$ 4 milhões captados com as empresas Vale e Eletrobras, via Lei Rouanet, e R$ 3 milhões de contrapartida da prefeitura.

“Era uma obra que incomodava porque não estava pronta. E a população cobrava”, comenta.

Ainda de acordo com outro funcionário da Fumbel, Leonardo Freitas, chefe de divisão do Departamento de Patrimônio Histórico, as obras só foram aceleradas por conta das cobranças do Ministério Público Federal, que em 2005 acusou a prefeitura de ter paralisado a restauração quando faltavam menos de 10% para sua conclusão.

O procurador regional da República, José Augusto Potiguar, responsável pelo caso, demonstrou que até aquele momento a prefeitura havia recebido R$ 6,1 milhões para a restauração, mas não havia aplicado o recurso devidamente. “Recebemos muitas recomendações do Ministério Público para que a obra fosse finalizada. Faltavam 20% da obra para ser concluída”, informa Leonardo, com dado diferenciado.

Em 1997, obras de restauração emergenciais já haviam sido feitas. As obras com recursos incentivados começaram oficialmente na gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues, no final de 2003. Em pouco mais de um ano, calcula-se que entre 80% e 90% das obras já estavam prontas quando Duciomar Costa assumiu a prefeitura. E na sua gestão, levou mais de cinco anos para concluir o restante.

PARTICIPE

Solenidade de reinauguração do Palacete Pinho (Rua Doutor Assis, 586, Cidade Velha). Hoje (11), às 19h, com entrada franca. (Diário do Pará)

Fonte: Diário do Pará

Exposição “Arte em Papel” – Sala Antonieta Feio – Museu de Arte de Belém





Vivemos cercados por papel e através dele. Nossos documentos, fotografias, outdoors, pilhas de relatórios, cadernos, cartas… Numa leitura dessa relação entre homem e papel, o Museu de Arte de Belém apresenta uma exposição onde o foco é justamente o papel enquanto suporte. Em uma seleção de cerca de quarenta obras entre aquarelas, xilogravura, serigrafia e outras tantas técnicas, a mostra traz preciosidades do acervo que há algum tempo não são mostradas. Artistas locais e de renome nacional como Volpi e Portinari serão expostos mostrando a riqueza que esse suporte oferece.

A exposição, que recebe o título de “Arte em papel”, estará aberta para visitação até o dia 31 de dezembro, na Sala Antonieta Santos Feio, no Museu de Arte de Belém.

Maiores informações e agendamento de visitas – Setor de Ação Educativa: (91) 3114-1028 e educativa.mabe@gmail.com