Do Oiapoque ao Chuí com Luciana Magno

A artista visual Luciana magno parte em uma expedição saindo do extremo norte do Brasil e atravessa o país em uma vivência que pode ser acompanhada no site do projeto http://www.lucianamagno.com/telefonesemfio/. Um registro emotivo de descobertas por um Brasil múltiplo, provocando diálogos, registrando imagens e compartilhando. O projeto foi contemplado na décima edição do edital Redes Artes Visuais da Funarte e propõe um documentário ao final dessa jornada. O pé está na estrada, o caminho é o que importa. Boa viagem.

 

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Cruzando as cinco regiões brasileiras em um estúdio móvel, “Telefone sem Fio” faz um percurso por rodovias e hidrovias que somam aproximadamente 6.037km. Seu trajeto inicia na cidade Oiapoque, ao extremo norte do país, percorrendo 33 cidades entre os estados do Amapá, Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, findando sua rota na cidade Chuí, ao extremo sul brasileiro.

1966907_10152231637653898_816453016_nDe caráter multiterritorial e multicultural, o projeto propõe o encontro via chamadas telefônicas entre moradores das cidades transitadas, através de ações propostas durante o percurso, além da formação de um arquivo documental em vídeo e áudio acerca da diversidade cultural, histórica e geográfica do Brasil. A viagem tem como foco o trajeto e as suas particularidades como fonte de pesquisa, contraste. Integrando o projeto, o website ganha alimentação contínua durante o percurso e um documentário a ser lançado em junho de 2014.

 

 

Livro “OUTRA NATUREZA – 6 Diálogos Sobre a Amazônia” de Orlando Maneschy

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Livro resultado do projeto de exposição, premiado pelo Banco da Amazônia em 2012,  com curadoria de Orlando Maneschy com os artistas Melissa Barbery, Keyla Sobral, Danielle Fonseca, Luciana Magno e Victor de La Roque em diálogo com o curador.

Aqui uma galeria da exposição no Espaço Cultural Banco da Amazônia.

Panorama da Arte Digital no Pará

As fronteiras da arte contemporânea abarcam, hoje, um universo de possibilidades desvelado pela tecnologia e seus constantes avanços. Nossa dinâmica de plataformas digitais e consumo desenfreado de imagens passaram a denotar estruturas de sentimentos diversos, as quais os espaços expositivos, museológicos e eventos em torno da arte se propuseram a assimilar. As novas poéticas, advindas por essa matriz de reinvenções culturais, ganharam um destaque ao relatar novos paradigmas do homem contemporâneo. Nesse contexto, a exposição Panorama da Arte Digital no Pará, com obras dos artistas paraenses Alberto Bitar, Bruno Cantuária, Carla Evanovitch, Cláudia Leão, Flavya Mutran Jorane Castro, Keyla Sobral, Luciana Magno, Melissa Barbery, Orlando Maneschy, Ricardo Macêdo, Roberta Carvalho, Val Sampaio e Victor De La Roque.se torna uma oportunidade única de conhecer, em um único espaço, os novos caminhos artísticos do Pará, na confluência entre arte e tecnologia.

Curadores:

Ramiro Quaresma: Idealizador e curador do I Salão Xumucuís de Arte Digital. Designer de exposições em espaços como Museu Casa das Onze Janelas e Museu Histórico do Estado do Pará. Publicitário, documentarista e produtor cultural.

John Fletcher: Doutorando em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará, Mestre em Artes e autor de textos científicos sobre Arte contemporânea Paraense em Revistas Especializadas.

Serviço:

Panorama da Arte Digital no Pará

Local: Espaço Cultural Banco da Amazônia

Quando: abertura no dia 10/05/2012, às 19:00h

“da brancura infinita ao olor fugaz em Mais Rapidamente Para o Paraíso de Luciana Magno” – de Luizan Pinheiro

“A carne, a arte arde, a tarde cai, no abismo das esquinas.

A brisa leva traz o olor fugaz do sexo das meninas”.

O Homem Velho.Música de Caetano Veloso do disco Velô e Banda Nova (1984).

da brancura infinita. a pele. a pele que sai da pele. a esconder qualquer voz que a demarque. des.marcação in.visível. o silêncio da própria tessitura que a constitui a inibir qualquer mote. o monte no céu. o cio sob(re) nuvens. mergulha no fundo do branco.azul. desliza sobre o silêncio e desfigura o tanto. ela que lá está. da beleza. o corpo. percurso singelo sobre rodas entontecidas num frêmito de olhares vadios. a brancura rege o tempo da matéria. a fibra sintética floresce por todo o espaço. agora sim. projeta-se no pós.vazio. toma os olhos de todos. como a re.velar a nudez que zomba de Eros. este. apartado da cena. pois sua força já é toda branda. branca. o movimento sobre rodas tira o foco do que poderia ser sedução. tesão. tara. há mais branco aqui do que supunha a vertigem de um felino a vacilar na busca da brancura da carne. do sangue não mais. mas algo mais. o dizer de um lugar perdido de quem o corpo se flagra no vislumbre de um abrigo fluido. nuvem. nudez embranquecida a engendrar na corporeidade de sua imponderabilidade os sentidos de estranhos. acusam movimentos tortos sobre rodas. rotas. lá onde o chão que a descreve permite o fake do antro fechado a falsear o fora. boxing Luciana. antro fechado na composição do mundo.caixa de construção do movimento em duplicidade. o real e o virtual. dose dupla para embebedar corpos. o real é entre. entretenimento do que cabe na arte sua pulsação do jogo. do ardil. entrevisto num devir sobre rodas no que sugere o aberto no fechado. o fora no dentro. o virtual é fluido a emanar do in.color. fluidez da ninfa de púbis setentista a des.aparecer no incorpóreo do espaço virtual. virtualidade oblíqua a definir um todo na tez matizada em róseos e brancos. o desaparecimento é a condição de que o silêncio é todo tomado por ele mesmo. o silêncio. olhos de não.mais.se.ver remetem a um tempo longínquo que a imagem esvazia. esvaziamento todo carregado de uma lentidão que afirma a rapidez a um paraíso desinvestido da referência felliniana. a que se dá no título. e no outro ponto tem.se o rumor de vôo. toco então um Bach. o Richard do poético Fernão Capelo Gaivota. do mesmo o outro vôo. “o paraíso é uma questão pessoal”. todo paraíso pode ser perdido. ou alcançado segundo o que se quer que seja paraíso. ou se todo paraíso que se quer que seja paraíso está sempre longe. no mesmo registro bachiano. “longe é um lugar que não existe”. e se longe é um lugar que não existe nunca se chega ao paraíso nem mais rapidamente ou lentamente. talvez só sonolentamente. durma com um silêncio desse. porque o sono é o possível de uma recomposição ao visual. é esta sensação disparada pelo tempo da videoinstalação na pulsação da brancura infinita de que se sustenta a armadilha-Luciana. pode ser que alguém caia na armadilha in-suspeita. o que nos leva a um outro eixo desta armação crítico.poética intensificada num des.lugar. o corpo. em registro fluido da fêmea no deslize das emanações de um olor fugaz do sexo da moça . o sexo da moça branca nua não se demora no revés do olhar. é menos sexo. mesmo sendo. tudo ali é fugaz. nunca andar sobre aros entontecidos o fora. a fugacidade é corte no vazio de quem entra no jogo da ninfa silenciosa e seu quase.riso. quase.sexo. quase. quasímodos a olhar a moça na sua fuga para o paraíso. deixando em aberto a condição outra do jogo. regido por um pequeno demônio a levar os expectadores sobre rodas a sentirem-se mais leves. num falso.céu adocicado. adocicado sim pela substituição neste críticolhar da fibra sintética por algodão.doce. porque a vida é doce como queria o Lobo que era mau. e por um tempo efêmero a vida passa sobre rodas. a nos dizer de um paraíso que se quer para além da fugacidade que a videoinstalação sugere. construído numa passagem que a arte abre. está.se diante de um dizer que é quase.mudo na sua fração de arte. fração que é força de silêncio. tanto no vôo quanto na queda das rodas. mais lentamente para o paraíso tem uma verdade.fêmea que se expressa num domínio incessante do corpo da obra e do corpo.imagem da artista. toda. a obra. fechada como corpo no cubículo real.virtual de que é necessário pisar. e se “para pisar no coração de uma mulher basta calçar um coturno com pés de anjo noturno” na fina ambigüidade perceptiva de Chico Cesar. para pisar em mais rapidamente para o paraíso de Luciana Magno basta calçar patins.

ao som de Turn do disco The Man Who (1999) do Travis.

Luizan Pinheiro é Doutor em Artes Visuais

(História e Crítica de Arte) pela UFRJ.

Professor da Faculdade de Artes Visuais do Instituto

de Ciências da Arte – FAV/ICA da UFPA e do

Programa de Pós-Gaduação em Artes- PPGARTES do mesmo Instituto.

Mais Rapidamente para o Paraíso // Luciana Magno – Exposição Museu Casa das Onze Janelas

“Mais Rapidamente para o Paraíso”

Luciana Magno em “Mais Rapidamente para o Paraíso” convida-nos a participar de um jogo sensorial, lúdico, no qual é difícil permanecer indiferente. Neste jogo, Luciana e nós, somos peças integrantes da ação.

O que ela nos propõe é a criação de um espaço destinado ao exercício da poesia do prazer, do mover-se livremente, sem regras e objetivos preestabelecidos, um espaço onde não há vitórias para aqueles que souberem jogar.

Adentramos no espaço branco e silencioso com a música de nossos corpos, em direção a projeção de uma Eva cibernética nua que patina nas nuvens, numa viagem pelo ar, cabelos ao vento, a menina nos seduz a uma deriva para que possamos alçar vôo na descoberta de um novo espaço. Um vôo alto em direção a outros céus.

Liberdade/invenção/experimentação são truques usados para nos proporcionar determinadas sensações físicas em direção ao êxtase, como “Alice no País das Maravilhas” nos propicia a oportunidade de criarmos nosso próprio espaço e tempo. Imersão plena numa vivência sensorial.

Solon Ribeiro

A ARTISTA

Formada em Artes Visuais pela Universidade da Amazônia, Luciana é da nova geração de artistas de Belém e aos 23 anos já têm em seu currículo um terceiro prêmio do Salão Arte Pará do ano de 2009 e o Prêmio de Artes Visuais do Sistema Integrado de Museus/Secult.

Serviço :

“Mais Rapidamente para o Paraíso”

artista: Luciana Magno

Abertura: 04 de Agosto de 2010 às 19:30h

Visitação: 05 de agosto a 10 de setembro de 2010

Horários: terça a domingo – 10h às 16h I feriados – 9h às 13h

Local: Sala Gratuliano Bibas – Museu Casa das Onze Janelas – Praça Frei Caetano

Brandão, s/n – Cidade Velha – Belém – PA

Fone: (91) 4009-8825/8823

Segmento: vídeo instalação