TRÊS SÉRIES DE FLAVYA MUTRAN EM EXPOSIÇÃO NA KAMARA KÓ

A fotografia pictórica que versa sobre a lembrança e a identidade. Bem além do retrato, o olhar dispensa a precisão, e opta por formas abstratas, quase oníricas. A nova individual de Flavya Mutran, intitulada “FILE OO”, reúne trabalhos fotográficos inéditos e premiados de três coleções fotográficas distintas produzidas na última década. Em cartaz a partir do dia 9 de março, na Kamara Kó Galeria, a exposição traz obras das séries QUASE MEMÓRIA (2000-2004), THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1 (2009-2010) e MAPAS DE RORSCHACH (2011), projetos que dialogam entre si pela pesquisa em torno da transposição de técnicas e suportes da fotografia enquanto possibilidade de investigação de temas ligados à memória, matéria e ficções narrativas.

Partindo do universo íntimo e afetivo, a série QUASE MEMÓRIA marca o início do trabalho de Mutran com as manipulações de imagens preexistentes. As obras misturam chromos 35mm do seu acervo de família e sobras de trabalhos profissionais. Uma ponte entre tempos. “São justaposições de fotos que embaralham épocas e olhares diferentes, expondo a fragilidade da relação entre a matéria e a memória, seja física – corpo, papel, negativo e cópia -, seja virtual  – lembranças, sensações, esquecimentos”, explica a artista. Três obras dessa série integram a coleção PIRELLI/MASP de 2004, e também premiadas no Arte Pará (2002) e no VIII Salão Unama de Pequenos Formatos (2002).

O trabalho THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1 aborda outro tipo de relação entre o corpo físico e o virtual, ao explorar os limites da apropriação da imagem privada de anônimos que se tornam públicas uma vez expostas na internet. “A frase que nomeia as imagens desta série representa muito da postura do internauta e sua relação com o lugar. É através do localhost (127.0.0.1), ou IP local dos computadores, que o internauta estabelece uma espécie de lugar utópico, como um intervalo no tempo e no espaço, em que realidade e ficção são projeções invertidas de uma mesma imagem”, explica. A série é composta de fragmentos visuais desses ambientes, em imagens coloridas de grande formato, feitas a partir de projeções para além dos monitores RGB, em superfícies de espelhos, paredes, portas, escadas e páginas de livros. Um novo recorte mostrará trabalhos que não foram exibidos na mostra “Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis”, que esteve em cartaz no Espaço Cultural do Banco da Amazônia em novembro de 2011.

Mais recentes, as fotografias da série MAPAS DE RORSCHACH são como cartografias elaboradas a partir de borrões em paredes, muros, pisos e tetos de Porto Alegre, onde mora a artista, que a remetem a lembranças de Belém, sua cidade natal. Inspirado nos estudos do suíço Hermann Rorschach, o trabalho faz uso do milenar hábito humano de projetar aspectos da própria personalidade na leitura de informações visuais aparentemente desconexas. “As imagens dessa série sugerem leituras de superfícies como se fossem mapas para lugares onde (re)encontro rostos que habitam entre essas duas cidades, ou apenas são fantasmas da minha imaginação”, diz Mutran, que expos parte da série no ARTE PARÁ Ano Trinta, em outubro do ano passado. “São vestígios de trajetórias inconclusas que apontam para lugares utópicos, mentais. O rosto, percebido de longe e que se dilui na proximidade do detalhe, se estabelece como um território do afeto, onde a imaginação trafega livre de códigos”.

A exposição integra uma série de cinco mostras previstas para este ano na Kamara Kó Galeria, projeto beneficiado pela Leio Municipal de Incentivo à Cultura e ao Esporte Amador Tó Teixeira e Guilherme Paraense, com patrocínio BLB Eletrônica e apoio cultural da Grand Cru.

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Exposição “Efêmera Paisagem” de Alberto Bitar – Kamara Kó

“Efêmera Paisagem […] transgride o código fotográfico ao utilizar a fotografia no seu avesso. Aqui a linguagem não se preocupa em pontuar a memória, mas em restaurá-la com todo o poder de magia, imaginação, mistério e assombro que assolava o artista ainda menino quando viajava com seus pais”.

Eder Chiodetto (Mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo, curador independente, fotógrafo e editor, Chiodetto foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti de 2004 e foi eleito o melhor curador de fotografia 2008/2009 pela Revista Clix).

“Em Efêmera Paisagem, a fotografia é conduzida a um território incerto, sobrepondo as noções de passagem, transitoriedade e apagamento. […] Entre o reconhecimento e a transfiguração, Bitar nos aproxima de um estado de consciência impreciso, daquilo que é dificilmente dito ou descrito, ainda que permeie todas as formas de ver e de estar no mundo”.

Heloísa Espada (Crítica e curadora com doutorado em História da Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Heloísa assina o texto da nova exposição da série de Alberto Bitar. É coordenadora da área de artes visuais do Instituto Moreira Salles).

“Efêmera Paisagem é constituída de delicadas cenas, recobertas de afeto em que se sobressai uma estética concebida com sutileza e sensibilidade. Os passeios a Mosqueiro, na infância, pontuados pelo carinho materno e paterno, pelas imagens embaçadas percebidas à distância, modificadas com a velocidade, transformam-se em preciosas lembranças que o artista traduz em arte”.

Marisa Mokarzel (Diretora do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, da Secretaria de Cultura do Pará, foi curadora da primeira exposição da série Efêmera Paisagem, em 2009. Possui doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e mestrado em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro).

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Via: Kamara Kó

Exposição “Confluências JAPANAMAZÔNIA” – Galeria Fidanza, Museu de Arte Sacra

A escolha da Galeria Fidanza, no Museu de Arte Sacra, pra abrigar o projeto Confluências JAPANAMAZÔNIA  já foi o primeiro acerto, de muitos, desta exposição com  curadoria de Mariano Klautau e Makiko Akoa. A atmosfera do lugar e as possibilidades de iluminação (dedolight e spots) da galeria fornecem um dos melhores espaços da cidade para exposições de fotografia. Confluências… foi idealizado por Makiko Akao, da Kamara Kó Fotografias, e o projeto teve por objetivo “registrar através de imagens a sutileza e a poesia dessa coexistência em diversos municípios do Pará, onde foi detectado que é possível ser brasileiro e ser japonês(…)” e como fotógrafos para este mapeamento Miguel Chikaoka, Paula Sampaio e Alberto Bitar, escolha mais do que acertada por serem artistas que extrapolam o simples registro e adicionam ao branco e preto movimento e emoção. Os textos da exposição que revelam essas memórias Japão/Amazônia foram elaborados por Rose Silveira e, um ponto positivo da exposição, traduzido para o japonês.  A programação visual do designer Gil Yonezawa utilizou, tanto nos impressos como na exposição, utilizou o cinza e o preto, bem pertinentes com as fotografias em b/p, e fazendo um interessante jogo com a tipologia fugiu do clichê (arial, times, tahoma, verdana, garamond) e padronizou todas as peças. A ótima diagramação das fotografias no espaço expositivo teve como ponto final do percurso um mosaico de imagens que remeteu à uma sensação de saudade de um mundo que acabamos de conhecer. O vídeo que compõe a exposição utiliza criativamente a seqüência fotográfica (frames) das imagens selecionadas, e ampliam o objetivo memorialista do projeto e deixam evidente ao público o processo de captura da imagem/momento, árduo e paciente. Confluências JAPANAMAZÔNIA é um projeto artístico e etnográfico que deveria servir de modelo para outras incursões pelo universo cultural e imagético da Amazônia.

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Exposição Confluências JAPANAMAZÔNIA

Realização Kamara Kó Fotografias

Concepção e Coordenação do Projeto Makiko Akao

Fotografias Alberto Bitar, Miguel Chikaoka e Paula Sampaio

Curadoria Mariano Klautau Filho e Makiko Akao

Tradução Japonês Haroldo Sato e Yuka Amano

Assessoria de Imprensa Suely Nascimento

Programação Visual Gil Yonezawa

Produção Lana Machado e Makiko Akao

Tratamento de Imagens Labtec L@boratório Foto Digit@l