Exposição “Marajó de Giovanni Gallo” – Centro Cultural Sesc Boulevard

Gallo, em seu processo alquímico-existencial, além de captar fragmentos da realidade, fora ou além da ótica estabelecida como beleza e verdade, carregava as credenciais de pesquisador curioso, que através da técnica fotográfica teve a possibilidade de materializar e transmitir experiências, descobertas, aventuras e verdades do universo paradoxal do território marajoara. Gallo revelou índices que se tornaram registros antropológicos do povo e da cultura marajoara de sua época.  O destino foi seu mestre-guia que lhe enviou para a missão de converter almas para o reino da igreja católica e foi convertido de alma e coração ao reino místico e misterioso da Ilha do Marajó.

Carlos Pará, Curador

Marajó de Giovanni Gallo

Nascido em 27 de abril de 1927, Turim, Itália, em pleno VII ano da Era Fascista de Benito Mussolini. Teve uma infância difícil e condição de vida muito precária, Gallo e sua família sofriam com a escassez de alimentos, devido à guerra em que a Itália estava desenvolvendo sobre o comando de Mussolini. Na juventude aceitou sem pressões familiares ou externas seguir o sacerdócio de padre jesuíta o que lhe rendeu erudição e percepção sobre a situação da vida dos mais pobres em várias lugares do mundo. Depois de uma jornada de oito anos na Suíça, Giovanni Gallo foi ordenado para atuar no Brasil. Desembarcou em 1970 em Salvador na Bahia onde assim como em todo o país, estava sob uma Ditadura Militar, fato que contribuiu para as três prisões do recém chegado. Entusiasmado com as paisagens do país, em viagens desenvolvidas para conhecer as obras religiosas desenvolvidas pela igreja, tira inúmeras fotos de tudo que lhe despertava o interesse, mas acaba sendo confundido com um espião do comunismo, sofrendo com isso revistas e interrogatórios intermináveis nas cadeias, cada vez que a sua figura estranha projetava a sua câmera para um cenário, o que lhe dava características em tempos de ditadura, um ar de espião estrangeiro.

O interessante é que essa sua paixão pela fotografia, acabou lhe rendendo mais tarde inúmeros prêmios fotográficos como: O 2º prêmio no Concurso Fotográfico da SECTET e em 1980 Y.Yamada: Retrato Pará;  o 4º Prêmio no Concurso Fotográfico da Universidade do Pará, “Preserve a Memória da sua cidade” (1981); e o 5º Prêmio de Menção Honrosa, do Concurso Nacional de Fotografia, “Aleitamento Materno” de Porto Alegre (1982). Além de exposições como a ocorrida no Teatro da Paz na Galeria Angelus com o título “O Meu Marajó”, em 1982. Exposições essas que mostraram o resultado de seu trabalho, após anos registrando as mais diversas situações encontradas na ilha de Marajó. Foi membro filiado da Associação Paraense de fotógrafos de carteirinha e tudo.

Mas além de fotógrafo, Gallo foi jornalista e museólogo. Mas suas pesquisas não se limitaram a arqueologia da ilha, as suas experiências sofridas, seja nos campos do Marajó, entre os vaqueiros e os moradores das cidades, ou nos rios da região realizando a pescando no mato. Contribuíram para que o padre adquirisse um conhecimento muito significativo sobre os aspectos culturais e sociais da região.

A exposição “O Marajó de Giovanni Gallo” reúne imagens poético-documentais que revelam o olhar e a história do italiano Giovanni Gallo, ex-padre jesuíta e criador d’O Museu do Marajó que viveu nos municípios de Santa Cruz do Arari e Cachoeira do Arari entre às décadas de 70 e 80. Grande visionário, museólogo e fotógrafo, entregou sua vida para servir um povo culturalmente rico, original que vive a margem da história, distante dos grandes centros urbanos, afastados de tudo, de difícil acesso, em localidades desconhecidas onde a ditadura da água e da terra prevalecem. Gallo tornou-se um dos maiores defensores e divulgadores da paradoxal cultura marajoara.

Como Chegar no Centro Cultural Sesc Boulevard


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