Sobre a exposição “Pedra & Alma: 30 anos do IPHAN no Pará”

A exposição “Pedra & Alma”, que narra os 30 anos de atuação do IPHAN no Pará, conseguiu transportar ao expaço expositivo de forma criativa um tema que podia descanbar para uma espécie de relatório burocrático. Na entrada já vemos um linha do tempo bem detalhada, dividida em Mundo, Brasil e Pará, onde podemos conhecer o desenvolvimento na área de preservação do patrimônio, numa solução visual e expositiva que lembra a criada no Museu da Língua Portuguesa (SP).  Muito bem executada.

Foi elaborado um mapa ilustrado muito interessante identificando imóveis tombados pelo IPHAN na área metropolitana de Belém. Faço uma crítica a ausência de outro identificando prédios e monumentos em todo o estado do Pará, que seria muito oportuno depois da aprovação do PAC das Cidades Históricas.

Muito bem executadas também as instalações sobre o açaí e sobre as erveiras. Esta sala mostra a diversidade cultural do estado de forma lúdica e colorida foi a sala mais bem resolvida conceitualmente e a mais rica em informações visuais. Uma crítica que faço foi o predominio da informação textual e a falta de “respiração” nos painéis expográficos.

A sala que homenageia os nomes de personalidas cuja história está ligada às questões da preservação do patrimônio e da memória no Pará e no Brasil faz justíssimas homenagens. Deveria, após terminado o período da exposição, ficar exposto em outro local público, dando continuidade a homenagem.

Uma exposição pra visitar sem pressa, uma aula sobre a importância da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural. Índico pra toda a sociedade, a visita é obrigatória. No Canto do Patrimônio, sede do IPHAN, na Rui Barbosa com José Malcher.


Exposição “Elucubrações” de Elaine Arruda – Resultado de Bolsa de Experimentação e Criação do IAP – Fotoativa

Exposição “Recortes” de Ruma – Resultado de Bolsa de Experimentação e Criação do IAP – Fotoativa

Fim da enquete: “Qual seu museu preferido no Pará?”

O Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas recdebeu 35,85% dos votos e saiu como o museu preferido dos vistitantes do Xumucuís. Possuindo três salas para exposições temporárias o Onze Janelas é o museu que mais movimenta a arte contemporânea paraense. Tem sempre uma exposição nova em cartaz e com a criação do Prêmio SIM de Artes Visuais em 2008 ele democratizou o acesso a seus espaços expositivos. Dirigido atualmente pela artista plástica Nina Matos é um espaço privilegiado pela localização, sítio histórico da fundação da cidade de Belém, e foi inaugurado em 2002 pela gestão do Secretário de Cultura Paulo Chavez e com a coordenação da museóloga Rosângela Britto.

Até a criação do Museu do Estado do Pará e do Museu de Arte de Belém a palavra “museu” só tinha um destino, o Museu Paraense Emílio Goeldi. Hoje o MPEG é bem mais do que um museu de historia natural, é um centro de pesquisas referência de estudos da amazônia. Em nossa enquete ele ficou em segundo lugar com 26,42% dos votos.

Museu do Marajó com 15,09%, Museu de Arte Sacra com 13,21% e Museu de Arte de Belém 7,55% completam a lista desta enquete informal do Xumucuís. Até a próxima.

Curadora da Bienal de Havana em Belém – Palestra e Leitura de Portifólios no IAP

São 20 vagas para artistas visuais para leituras de portfólios com Ibis Hernández Abascal, curadora da Bienal de Havana. As leituras serão dia 05 de agosto, pela manhã e à tarde. Para se inscrever os interessados deverão enviar currículo para o e-mail iapvisuais@gmail.com até o dia 04 de agosto, às 14h00. Serão selecionados apenas 20 artistas. Já a palestra será dia 06 de agosto, às 19, onde a famosa estudiosa de arte abordará a produção artística de seu país. Para a palestra será expedido pelo IAP declaração de participação. Todos os eventos são gratuitos.

AGENDA

Leitura de portifólios

Data: dia 05 de agosto.

Horário: das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 16h00

Local: Instituto de Artes do Pará

Pça. Justo Chermont, 236

Auditório

Palestra

Data: dia 06 de agosto

Horário: às 19h00

Local: Instituto de Artes do Pará

Pça. Justo Chermont, 236

Sala Multimeios
Tel: 4006 2911 / 4006 2910


Obra de Alexandre Sequeira, artista selecionado para a Décima Bienal de Havana

Fonte: Tylon Maués/ Comunicação IAP


Imagens da Décima Bienal de Havana em 2009 com o lema “Integração e Resistência na Era Global “.

Fonte: Site da Décima Bienal de Havana

Obrigação do Horizonte II … vista inevitável // Bruno Vieira – Exposição no Museu Casa das Onze Janelas

EM TORNO DA PAISAGEM


Ao se inserir no contexto contemporâneo, Bruno Vieira se utiliza dos mais novos meios tecnológicos de produção de imagens e de comunicação, sem se furtar da sua relação com um sistema impregnado de convenções herdadas e memória. É assim que estrutura seu trabalho frente ao corpo histórico da arte: ironizando, sem perder a poesia, os discursos e rituais de legitimação, e as engrenagens de seu sistema.

As estratégias de apropriação que decorrem do gesto inaugural do ready-made duchampiano se seguiram através de uma negação da representação na arte. Ao invés de enveredar por essa trilha, Bruno Vieira se apropria da própria representação, e nos fluxos das metáforas, tece sua poiesis. Um dos fios condutores de seu trabalho é a paisagem, grande eixo temático da história da pintura, dos afrescos antigos ao século XIX.

Na série Vista inevitável (2008-2010), fotografias de paisagens naturais são impressas sobre persianas. Há uma referência irônica à janela renascentista, conceito do quadro perspectivado pelo qual se alicerça a paisagem. Fernando Cocchiarale assinala que “seu elemento estruturante tradicional, é no caso, a razão de seu desmanche”3 – pois a imagem some na horizontalidade das barras da persiana.

Ao apropriar-se da temática da paisagem, Vieira desestabiliza o mundo cartesianamente ordenado, desconstruindo suas coordenadas: o eixo vertical desaba; o conforto das verdades ilusórias é erodido pela impossibilidade de um espaço perspectivado, euclidiano, imóvel, da herança renascentista, face à fugacidade do tempo e à espacialidade aberta, dispersa e expansiva das redes

virtuais na contemporaneidade.

Essas são algumas questões dos trabalhos da série Vista Inevitável, 2008 /2010, fotografias aplicadas sobre persianas produzidas para a segunda edição da exposição Obrigação do Horizonte II … vista inevitável, em exibição no Museu Casa das Onze Janelas. Obrigação do Horizonte, título inspirado no poema Horizonte de Fernando Pessoa que remete a uma tradição e a uma genealogia

que os próprios trabalhos celebram, mas que também ajudam a transformar. ( ) … conforme nos informa Bruno Vieira.

Renata Wilner – Profª Adjunta do Curso de Artes Plásticas do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística do Centro de Artes Comunicação – Universidade Federal de Pernambuco

Horizonte

O mar anterior a nós, teus medos

Tinham coral e praias e arvoredos.

Desvendadas a noite e a cerração,

As tormentas passadas e o mistério,

Abria em flor o Longe, e o Sul sidério

Linha severa da longínqua costa

Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta

Em árvores onde o Longe nada tinha;

Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:

E, no desembarcar, há aves, flores,

Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esp’rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte

Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa


“Vista inevitável, trata da paisagem e seu principal alicerce na pintura ocidental: a linha do horizonte. Ambigüidade e ironia permeiam esse trabalho que consiste na impressão fotográfica de uma montanha sobre uma persiana azul. Ao graduá-la ou erguê-la (ainda que de modo imaginário), desfazemos a cena apresentada por meio das linhas formadas pelas barras que formam o suporte. Seu elemento struturante tradicional é, no caso, a razão de seu desmanche”.  Fernando Cocchiarale

O ARTISTA:

Bruno Vieira, 1976. Vive e trabalha no Recife, onde nasceu. É licenciado em Ciências Sociais, Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe, 1999), onde concluiu o curso de Educação Artística. Seus trabalhos incluem pintura, vídeo, fotografia, instalações e ações urbanas. Recebeu várias premiações. Em 2009, Prêmio

Secult de Artes Visuais, Museu Casa da Onze Janelas, Belém, PA, em 2006, ganhou destaque especial na Revista Digital do site da Bolsa Iberê Camargo; 3º lugar na Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém; Menção Honrosa no 5º Salão de Artes Visuais, MAC de Jataí, Goiás. Em 2005, recebeu o Prêmio Projéteis Funarte de Arte Contemporânea, Funarte, Rio de Janeiro. Em 2004, ganhou o 2º lugar na Mostra Competitiva do Cinema Digital, Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Recife e foi selecionado como um dos três finalistas na Bolsa de

artes visuais Kunstlerhaus Buchsenhausen Bursary-Unesco-Aschberg (Innsbruck, Austria). Em 2003, recebeu a Bolsa Pampulha, no 27o Salão Nacional de Belo Horizonte, MAP, Minas Gerais.

Serviço:

Obrigação do Horizonte II … vista inevitável

artista: Bruno Vieira

Abertura: 04 de agosto de 2010 às 19:30h

Visitação: 05 de agosto a 10 de setembro de 2010

Horários: terça a domingo – 10h às 16h I feriados – 9h às 13h

Local: Laboratório das Artes – Museu Casa das Onze Janelas –

Praça Frei Caetano Brandão, s/n – Cidade Velha – Belém – PA

Fone: (91) 4009-8825/8823

Segmento: a exposição reúne um conjunto de persianas impressas com fotografias de paisagens

Mais Rapidamente para o Paraíso // Luciana Magno – Exposição Museu Casa das Onze Janelas

“Mais Rapidamente para o Paraíso”

Luciana Magno em “Mais Rapidamente para o Paraíso” convida-nos a participar de um jogo sensorial, lúdico, no qual é difícil permanecer indiferente. Neste jogo, Luciana e nós, somos peças integrantes da ação.

O que ela nos propõe é a criação de um espaço destinado ao exercício da poesia do prazer, do mover-se livremente, sem regras e objetivos preestabelecidos, um espaço onde não há vitórias para aqueles que souberem jogar.

Adentramos no espaço branco e silencioso com a música de nossos corpos, em direção a projeção de uma Eva cibernética nua que patina nas nuvens, numa viagem pelo ar, cabelos ao vento, a menina nos seduz a uma deriva para que possamos alçar vôo na descoberta de um novo espaço. Um vôo alto em direção a outros céus.

Liberdade/invenção/experimentação são truques usados para nos proporcionar determinadas sensações físicas em direção ao êxtase, como “Alice no País das Maravilhas” nos propicia a oportunidade de criarmos nosso próprio espaço e tempo. Imersão plena numa vivência sensorial.

Solon Ribeiro

A ARTISTA

Formada em Artes Visuais pela Universidade da Amazônia, Luciana é da nova geração de artistas de Belém e aos 23 anos já têm em seu currículo um terceiro prêmio do Salão Arte Pará do ano de 2009 e o Prêmio de Artes Visuais do Sistema Integrado de Museus/Secult.

Serviço :

“Mais Rapidamente para o Paraíso”

artista: Luciana Magno

Abertura: 04 de Agosto de 2010 às 19:30h

Visitação: 05 de agosto a 10 de setembro de 2010

Horários: terça a domingo – 10h às 16h I feriados – 9h às 13h

Local: Sala Gratuliano Bibas – Museu Casa das Onze Janelas – Praça Frei Caetano

Brandão, s/n – Cidade Velha – Belém – PA

Fone: (91) 4009-8825/8823

Segmento: vídeo instalação