Atelier do Porto

Uma iniciativa importante para estabelecer um vínculo mais próximo entre os artistas plásticos paraenses e a sociedade. A arte pode e deve ser compartilhada a todo momento e não apenas em raras exposições sazonais. Armando Sobral e equipe estão de parabéns.

NESTE PRÓXIMO SÁBADO ABRIREMOS O ATELIER PARA QUE TODOS CONHEÇAM ESTE NOVO ESPAÇO VOLTADO PARA A COMERCIALIZAÇÃO, DIFUSÃO E PRODUÇÃO DA ARTE CONTEMPORÂNEA PARAENSE, COM ÊNFASE NA GRAVURA E OBRAS EM PAPEL. DIVERSOS ARTISTAS ENCONTRAM-SE REPRESENTADOS NO ATELIER: ALEXANDRE SEQUEIRA, ARMANDO SOBRAL, ARMANDO QUEIROZ, ELAINE ARRUDA, DIO VIANA, MARCONE MOREIRA, RONALDO MORAES RÊGO, JOCATOS, ALBERTO BITAR.
AGUARDAREMOS TODOS PARA CONHECER AS OBRAS DOS ARTISTAS, TROCAR UMAS IDÉIAS E CONFRATENIZAR.
GRANDE ABRAÇO

ATELIER DO PORTO

Mercado de arte em Belém, de quem é a responsa?

 

O Atelier do Porto aposta em um mercado mais informado. Além de apreciar as obras de diversos artistas, o público conhece de perto os processos que levam à criação e produção dos trabalhos.

“Resolvi publicar esta entrevista que dei ao Diário do Pará porque, primeiro, acho que o assunto está longe de se esgotar e, segundo, pelas respostas serem insuficientes e carecerem de outras experiências”

por Armando Sobral

Como é o trabalho de um artista plástico ou artista visual?
Primeiramente, gostaria de deixar claro que baseio as respostas em minhas próprias experiências e escolhas.
Como qualquer outra profissão, o trabalho artístico exige disciplina, organização e de um espaço em condições adequadas para a produção. Geralmente, com poucas exceções, o artista não tem como contar somente com a venda da sua obra, circunstância que o leva a diversificar o seu campo de atuação. Encontramos profissionais que mantêm sua produção artística e dedicam-se ao ensino da arte em universidades ou em escolas públicas ; outros se capacitaram para atuar na gestão pública onde desenvolvem políticas ou administram instituições; ainda há os que buscam conciliar sua carreira com um trabalho mais independente como produtores culturais, designers gráficos, fotógrafos, etc. Dessa forma, o trabalho de um artista plástico depende da maneira como ele administra suas atividades, às vezes conflitantes, e organiza seu tempo para se dedicar à sua criação. Talvez, o maior esforço seja manter-se firme e determinado em priorizar o trabalho artístico, caso contrário corre o risco de enfraquecê-lo e de ser suplantado gradualmente por outras atividades.
Cresce a oferta de recursos através de editais e de linhas de financiamento para exposições, publicações e pesquisa; política presente nas esferas pública e privada responsável pela descentralização dos recursos e que permite ao artista desenvolver projetos que demandam investimentos maiores, além de se constituírem em plataformas estratégicas para a divulgação e inserção do trabalho no circuito. Então, quem pretende contar com os benefícios dos programas existentes de apoio financeiro à cultura, deve administrar, organizar e planejar sua carreira, como também qualificar-se para atender as exigências burocráticas impostas pelos regulamentos e normas dos editais ou pelas linhas de financiamento de empresas, que normalmente exigem das propostas os selos de incentivos fiscais.
Atualmente, o perfil do artista profissional é o de criador e curador, faz e cuida da própria produção. Seu dia-a-dia é, por um lado, um permanente estado de concentração no trabalho de criação e, por outro, o caminho da sobrevivência e a busca por alternativas para produzir e difundir a sua obra com mais eficiência.
Como é o Mercado de trabalho em Belém?
De maneira geral, existe o mercado que compra e vende objetos de arte, sejam eles quais forem, e outro que absorve o profissional formado em arte, que não precisa ser necessariamente um artista – o professor de arte, acadêmico ou não; profissionais para o trabalho em museus e instituições culturais; mediadores; web designers; ilustradores e outros. Em Belém, o primeiro se retraiu a tal ponto que, praticamente, desapareceu – se é que existiu em algum momento; o segundo vem crescendo com a ampliação dos equipamentos culturais e a exigência de técnicos e gestores, de mediadores para as exposições, de arte-educadores para as escolas ou instituições culturais, artistas para atuarem em projetos de empresas, ONGS ou institutos, a demanda por criadores que dominam as novas tecnologias da imagem, e por aí vai.
Contamos nos dedos as empresas da região que incentivam a produção artística local, a maioria prefere criar suas fundações ou institutos e definir o marketing cultural de valorização da própria imagem empresarial para captar recursos ou tirar proveito das leis de incentivo fiscal. Constatamos um crescimento imobiliário sem precedentes que poderia se transformar em nicho potencial do mercado de arte em Belém, mas a falta de assessoramento, ou mesmo de visão, leva os empresários a investir em outros mercados com a aquisição de trabalhos de gosto questionável e sem valor de mercado. A mudança dessa lógica para a valorização da arte local com consultoria técnica respaldada seria uma iniciativa transformadora tanto para os artistas quanto para os próprios empresários, o dinheiro retornaria para a cadeia produtiva local.
São raros os colecionadores e as poucas, e heróicas, galerias existentes não chegam a constituir um mercado estimulante, o artista não sobrevive de vendas ocasionais. O circuito artístico é globalizado e sempre acolhe novos fluxos, os artistas locais deveriam saber se beneficiar disso por sua posição estratégica de encontrar-se em um centro que vem se referenciando no cenário artístico contemporâneo. Acredito que o momento seja do artista organizar a cadeia local, formar público e estimular um circuito mais independente, missão até agora assumida pelo poder público – com algumas ressalvas, é claro.
O que existe hoje de mais moderno no campo de trabalho?
O que existe, de fato, é o mito em torno do ‘novo’ . As tendências surgem e desaparecem ao sabor dos interesses de mercado e pouca coisa permanece. Na última Bienal de SP, por exemplo, foi evidente a ênfase dada ao vídeo e à instalação. Mas o que há de novo nisso? Nada, são tendências reeditadas e que se renovam há décadas com o emprego das novas tecnologias disponíveis, que vem tornando esses ambientes cada vez mais estimulantes. Talvez a gente se encontre em um período de aperfeiçoamento, pelo menos é o que me parece.
Ainda há campo para as artes tradicionais como escultura, xilografia, gravuras?
Em arte, a técnica não é o fim – um jargão que precisa ser relembrado de vez em quando. Qualquer modalidade técnica, seja ela qual for, é um meio legítimo de expressão e, certamente, tem o seu lugar assegurado, na medida em que o artista a coloca a serviço da sua própria experiência e visão.

 

Exposição “Grafias” – Espaço Cultural Banco da Amazônia

Artistas paraenses no Canadá – Estampe Amazonienne

Dia 30 de outubro abre a exposição coletiva Estampe Amazonienne, como curadoria de Armando Sobral, em Quebec no Canadá. “Doze artistas paraenses já participaram do programa de intercâmbio coordenado pelo IAP desde 2007: 09 em duas exposições coletivas e três em seu programa de residência. Novas fronteiras internacionais para a produção artística paraense é missão e compromisso do Instituto de Artes do Pará” escreve o curador da exposição via e-mail. Importante intercâmbio para a arte feita no Pará, em especial para os gravuristas, segmento artístico do qual o curador é um expoente, fomentador e um dos maiores especialistas brasileiros. Artistas como os marabaenses Antonio Botelho e Marcone Moreira, os mestres Diô Vianna Moraes Rêgo e Jocatos, e a nova geração da gravura Elaine Arruda e Egon Pacheco participam com suas obras. O IAP, onde Armando Sobral é gerente de artes plásticas, é o dos maiores pólos de formação, pesquisa e difusão da arte contemporânea paraense, iniciado há uma década pelo grande João de Jesus Paes Loureiro, e seu fortalecimento é imprescindível para a continuidade deste grande projeto de intercâmbio e das bolsas de pesquisa em arte.

Site do artista Armando Sobral

Visitem armandosobral.wordpress.com e conheçam a obra deste artista plástico, curador e pesquisador da arte.  Um canal de comunicação do artista com a sociecidade é sempre importante pra desmistificar e multiplicar o fazer artístico. Armando já formou uma geração de gravuristas em Belém e tem projetos importantes também de formação de jovens em múltiplas linguagens através do IAP onde é Gerente de Artes Visuais.