Sobre a exposição “Pedra & Alma: 30 anos do IPHAN no Pará”

A exposição “Pedra & Alma”, que narra os 30 anos de atuação do IPHAN no Pará, conseguiu transportar ao expaço expositivo de forma criativa um tema que podia descanbar para uma espécie de relatório burocrático. Na entrada já vemos um linha do tempo bem detalhada, dividida em Mundo, Brasil e Pará, onde podemos conhecer o desenvolvimento na área de preservação do patrimônio, numa solução visual e expositiva que lembra a criada no Museu da Língua Portuguesa (SP).  Muito bem executada.

Foi elaborado um mapa ilustrado muito interessante identificando imóveis tombados pelo IPHAN na área metropolitana de Belém. Faço uma crítica a ausência de outro identificando prédios e monumentos em todo o estado do Pará, que seria muito oportuno depois da aprovação do PAC das Cidades Históricas.

Muito bem executadas também as instalações sobre o açaí e sobre as erveiras. Esta sala mostra a diversidade cultural do estado de forma lúdica e colorida foi a sala mais bem resolvida conceitualmente e a mais rica em informações visuais. Uma crítica que faço foi o predominio da informação textual e a falta de “respiração” nos painéis expográficos.

A sala que homenageia os nomes de personalidas cuja história está ligada às questões da preservação do patrimônio e da memória no Pará e no Brasil faz justíssimas homenagens. Deveria, após terminado o período da exposição, ficar exposto em outro local público, dando continuidade a homenagem.

Uma exposição pra visitar sem pressa, uma aula sobre a importância da preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural. Índico pra toda a sociedade, a visita é obrigatória. No Canto do Patrimônio, sede do IPHAN, na Rui Barbosa com José Malcher.


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Senhor Morto – Memória e Restauro

Documentário realizado em 2007 pelo MIS-Pa que narra o processo de restauro da imagem sacra “Senhor Morto”. A história da imaginária, hoje exposta no Museu de Arte Sacra do Pará, através de depoimentos de restauradores e pesquisadores.

Museu de Arte Sacra do Pará

O Museu de Arte Sacra (MAS), localizado no Antigo Palácio Episcopal, foi inaugurado em 28 de setembro de 1998. Integrada ao Museu está a Igreja de Santo Alexandre (originalmente Igreja de São Francisco Xavier), construída pelos padres jesuítas com participação do trabalho indígena entre o fim do século XVII e início do século XVIII. Dentre as várias modificações arquitetônicas e decorativas que sofreu, a Igreja herdou como estilo predominante o barroco e foi inaugurada em 21 de março de 1719. Com mais de 400 peças, o acervo do Museu é composto de imagens e objetos sacros dos séculos XVIII ao XX. As coleções, a princípio constituídas pelas peças da própria Igreja de Santo Alexandre, foram depois enriquecidas com peças provenientes de outras igrejas do Pará e de coleções particulares.

                              

Do antigo Colégio Jesuítico a sede do Museu

 Ao chegarem ao Pará, os jesuítas estabeleceram-se primeiramente em terreno cedido pela Ordem das Mercês, no bairro da Campina, no qual construíram residência e pequena capela, ambas cobertas de palha. Em razão da precariedade daquele terreno, transferiram-se no mesmo ano para área vizinha ao Forte do Presépio, iniciando a construção do Colégio, sob a invocação de Santo Alexandre, e da Igreja de São Francisco Xavier.  Com a definitiva expulsão dos jesuítas por ordem de Marquês de Pombal, em 1759, o Colégio foi utilizado como residência dos Bispos e Seminário Episcopal por longo tempo. 

 Atualmente o prédio expõe em seu pavimento superior o acervo de telas, imaginária sacra e objetos litúrgicos. Na sala inicial, juntamente com a exposição da Pietá, consta um breve histórico das Ordens Religiosas presentes em Belém. Nos demais ambientes destacam-se a tela Santa Ceia, óleo sobre madeira, provavelmente do final do século XVIII (corredor); a imagem de Santa Quitéria (sala à direita) e ainda diversas representações de Cristo. A grande coleção de imaginária sacra ainda permite leituras iconográficas de santos como São José de Botas e Nossa Senhora do Leite (sala à esquerda). Ao final do corredor, integrando o acervo de objetos sacros do MAS, estão expostos um oratório, lanternas e crucifixos. A sala da prataria, com peças de predominância portuguesa, destaca-se sob a luz tênue, pensada para destacar os detalhes das peças, de acordo com a proposta museográfica.

 A Igreja de Santo Alexandre

Inicialmente erigida sob o orago de São Francisco Xavier, a Igreja foi construída pelos padres jesuítas entre os séculos XVII e XVIII.  Apresenta nave única em forma de cruz latina, na qual se encontra o retábulo da capela-mor; dois púlpitos, no estilo “D. João V”; e seis capelas laterais com diversos elementos decorativos. A sacristia, situada no braço esquerdo da nave, é ornada com retábulo dourado e trabalhada pintura no forro, além de apresentar um grande arcaz do século XVIII. No coro, onde também está exposta a imaginária sacra, se tem uma ampla visão da nave da Igreja. Próximo às tribunas, as imagens de roca, utilizadas em procissões e fabricadas no século XIX, ganham destaque juntamente com anjos adoradores produzidos nas oficinas jesuíticas.

 Projeto Museológico

 O projeto museológico partiu do estudo de três temas principais: o mapeamento histórico das Ordens religiosas presentes no Pará, enfocando algumas igrejas construídas em Belém; a Igreja de Santo Alexandre, sua articulação com o complexo museal e com o contexto histórico e religioso; e a iconografia dos santos. O projeto foi desenvolvido por especialistas de diversas áreas, sempre atentos aos procedimentos de conservação preventiva adequados à realidade local. A iluminação do museu ganhou destaque no projeto museográfico ao primar pelo controle de incidência de luz sobre o acervo exposto.

Diretora

Zenaide Paiva

Fonte: Folder do Museu

Comentários: o Museu de Arte Sacra é parte integrante do Sistema Integrado de Museus e Memoriais da SECULT/PA, e compartilha a equipe técnica (montagem, educativo, conservação/salvaguarda) com todos os outros museus do SIM. Possui uma das melhores galerias da cidade para exposições fotográficas, a Galeria Fidanza. É talvez um dos poucos museus sustentáveis aqui em Belém pois além do grande fluxo de visitação, também aluga a igreja para casamentos e outros eventos. Existe um charmoso e confortável café em seu piso térreo, climatizado e com ótimos petiscos. Possui um pequeno auditório para cerca de 40 lugares.

4° Fórum Nacional de Museus – Parte II

O Pará no 4° Fórum Nacional de Museus.

Dentro das Comunicações Coordenadas: Apresentações Orais, da programação do  4° Fórum Nacional de Museus, foram selecionados os trabalhos Museu Goeldi e a Memória do Bairro de Terra Firme, Belém – PA de Helena Quadros e Quando o Marajó é museu: O percurso museológico de Padre Giovani Gallo de Lucia das Graças Santana da Silva.

Sobre o trabalho de Helena Quadros pesquisei a autora e o projeto em questão.

Helena do Socorro Alves Quadros, pedagoga, especialista em Ação Educativa e Cultural em Museus. Especialista em Educação Ambiental. Mestre em Educação. É tecnologista sênior do Serviço de Educação e Extensão Cultural (SEC) da Coordenação de Muselogia e coordena diversos projetos relacionados à educação ambiental no Goeldi. Além disso, é representante titular do Museu Goeldi na CIEA, Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado do Pará. Ganhou um prêmio 2006 do Botanic Gardens Conservation International (BGCI), por meio do programa Investing in Nature – Brasil, a premiação visou financiar os melhores projetos de jardins botânicos brasileiros destinados à conscientização pública sobre conservação de plantas.

Sobre o projeto do Museu Goeldi na Terra Firme econtrei a seguinte descrição:

Um pouco da história – Nos últimos 25 anos, muito foi alcançado pelo projeto que, de início, era uma política de “boa vizinhança”, mas hoje já ganha outras dimensões. A coordenadora do Nuvop e também organizadora da Mostra, lembra de quando o trabalho começou e como as coisas mudaram.

“As pessoas do bairro não conheciam o Museu como instituição de pesquisa, e nem sabiam que poderiam visitar o Parque Zoobotânico (PZB), porque era coisa de “doutor”, relata. Isso começou a mudar quando, em 1985, se abriu a possibilidade dessa comunidade vir ao Parque sem pagar por meio da concessão de ingressos aos centros comunitários do bairro. Com isso, “eles não só passaram a vir ao PZB, como começaram a compreender o Museu como um todo e se interessar pelo projeto”, observa Helena.

Um resultado dessa aproximação entre o Museu Goeldi e a comunidade da Terra Firme é a participação dos seus moradores nas atividades do Museu Goeldi. Hoje, a instituição recebe tanto monitores ambientais, que trabalham no Parque com o Nuvop, como bolsistas que realizam pesquisa sob a orientação de pesquisadores. “A comunidade já encaminha essas pessoas para o Museu, e já é uma forma de dar continuidade ao projeto, que vai precisar desses jovens no futuro”, conta a coordenadora.

Fonte: Museu em pauta/ Goeldi

A Coordenadora apresentando o projeto para representante do IBRAM.

Para o  trabalho de Lucia das Graças Santana da Silva sobre o Museu do Marajó não encontrei nada específico. Porém conhecendo a trajetória desbravadora de Giovanne Gallo em fundar um Museu dinâmico e interativo, que trabalha com a comunidade, o trabalho a ser apresentado deve ser bem interessante.

Fonte: Overmundo

Para apresentações de Posters foram 03 trabalhos selecionados do estado do Pará, no total foram 35, durante o 4° Fórum Nacional de Museus.

O passado é intocável, o futuro é intacto: Imagens de Cidadania – Idanise Sant’ana Azevedo Hamoy

Memória Social e Processo de Musealização em Santa Bárbara do Pará – Maria do Socorro Reis Lima

Projeto Pontearte: Uma ponte entre o MABE e seu entorno – Moema de Bacelar Alves

Idanise Hamoy é professora da Faculdade de Artes Visuais e Museologia da UFPA.

Maria do Socorro Reis tem um blog onde encontrei o seguinte texto biográfico:

Graduei-me em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará. Concomitante, fui bolsista do CNPQ/ Museu Emílio Goeldi tendo formado uma coleção de cerâmica comercializada no Museu Vivo o Mercado do Ver o Peso (Belém-PA). Realizei o mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo estudando as coleções etnográficas Jê-Timbira do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e do Museu Goeldi, com levantamentos destas coleções em outros museus brasileiros como o museu Nacional. Atualmente sou professora efetiva da UFPA no Instituto de Ciências da Arte, nos cursos de Artes Visuais e no curso de museologia recém-criado.

Moema de Bacelar Alves é Coordenadora da Divisão de Ação Educativa do MABE. Historiadora e Pesquisadora. Sobre o projeto Pontearte:

A partir de uma parceria do Museu de Arte de Belém (MABE) com a Associação Cidade Velha Cidade Viva (CiVViva), foi criado em 2008 o Projeto Pontearte, visando desenvolver atividades com as crianças do Beco do Carmo, tendo como referência o espaço e acervo do MABE.

O projeto visa, entre outros, reconhecer e valorizar a identidade de cada criança, trabalhar o seu convívio tanto em família, quanto com a sociedade em geral, despertar nas crianças o sentido de pertencimento ao bairro em que moram – Cidade Velha –, bem como a valorização de seu patrimônio cultural, além de estimular a produção e conhecimento das diferentes técnicas artísticas.

O Projeto Pontearte conta, neste ano de 2010, com aproximadamente 30 (trinta) crianças e adolescentes entre 05 (cinco) e 11 (onze) anos que realizam atividades sócio-educativas toda terça-feira. As atividades são realizadas em dois turnos, atendendo àqueles que estudam tanto de manhã, quanto à tarde. Pela manhã de 9:00 às 12:00h e de tarde de 15:30 às 18:00h.

OBS: DEVIDO ÀS OBRAS DO PALÁCIO ANTÔNIO LEMOS, O PROJETO ESTÁ ACONTECENDO NO ESPAÇO DO FÓRUM LANDI, NA PRAÇA DO CARMO.


APOIO

AMABE
FÓRUM LANDI

Fonte: Blog do MABE

PLENÁRIA ESTADUAL DO SETOR MUSEOLÓGICO

PLENÁRIA ESTADUAL DO SETOR MUSEOLÓGICO

Museu Histórico do Estado do Pará

O IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus realizará o IV Fórum Nacional de Museus no período de 12 a 17 de julho de 2010 em Brasília – DF, com o objetivo de mobilizar, refletir, avaliar e estabelecer diretrizes para a Política Nacional de Museus.

Este ano, o IV Fórum Nacional de Museus se reverte de grande relevância, pois o mesmo tem como um dos objetivos debater e aprofundar as propostas  aprovadas na II CNC, relativas aos museus e Elaborar e aprovar as Diretrizes do Plano Nacional Setorial de Museus definindo assim os princípios norteadores  da política museológica para todo o Brasil.

O IV Fórum será antecedido por Plenárias Estaduais e Distritais durante o mês de junho, tendo por base cinco eixos temáticos: Produção simbólica e diversidade cultural; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa; Gestão e Institucionalidade da Cultura.

A plenária do Estado do Pará será um espaço importante de discussão e troca de experiências entre todos os seguimentos da sociedade, para a organização e fortalecimento do campo museológico na Região Norte e no Brasil, onde serão debatidas e aprovadas as propostas do Estado que serão encaminhadas e defendidas no IV Fórum Nacional de Museus.

Diante do exposto, temos o prazer de convidar a todos para participar da Plenária Estadual de Museus do Pará que será realizada no dia 21 e 22 de junho, no Museu do Estado do Pará – MEP – Salão transversal – praça Dom. Pedro II s/no – cidade Velha – Belém/PA.

Atenciosamente,

Renata Maués

Diretora do SIM/SECULT


DATA: 21 e 22/junho/2010

LOCAL: Salão Transversal / Museu do Estado do Pará – MEP

Dia 21/06

08h – Abertura Oficial

Manhã

08h30 às 09h30 – Eixo 1 – Produção Simbólica e Diversidade Cultural

Palestrante: Jane Beltrão – UFPA

Valmir Carlos Bispo Santos – Superintendente Fundação Curro velho

Mediador: Jeam Lopes – Diretor do Museu do Círio

09h30 às10h30 – Eixo 2 –  Cultura, Cidade e Cidadania

Palestrante: Jussara Derenji – Museu da UFPA

Carlos Henrique Gonçalves – Diretor de Cultura SECULT

Mediador: Rosa Arraes – Museu de Arte de Belém

10h30 às 11h00 – Intervalo

11h00 às 12h00 – Eixo 3Cultura e Desenvolvimento Sustentável

Palestrante: Ecomuseus  da Amazônia ( confirmar nome)

Lélia Fernandes – Diretora do Patrimônio /SECULT (a confirmar)

Mediador:

Tarde

14h30 às 15h30 – Eixo 4Cultura e Economia Criativa

Palestrante: Rosangela Britto ( a confirmar)

Ana Elizabeth Almeida – Secretária Adjunta da SETER ( a confirmar)

15h30 às 15h45 – Intervalo

15h45 às 16h45 – Eixo 5Gestão e Institucionalidade da Cultura

Palestrante: Cincinato Marques Júnior – Secretário de Cultura

Maria Dorotea Lima – IPHAN (a confirmar)

Mediador: Flávio de Carvalho /DEPHAC

Dia 22/06

Manhã

09h00 às 12h00 – Discussão em grupo

Tema: 05 eixos

Tarde

14h30 às 18h00 – Plenária Final

Outros Prazeres ou Aquilo que Amou ter de Volta

Outros Prazeres ou Aquilo que Amou ter de Volta – um diálogo com o acervo da Casa das 11 Janelas – curadoria Orlando Maneschy

com Courtney Smith, Douglas Marques de Sá, Laura Vinci,
Newton Mesquita, Marco Paulo Rolla, Hildebrando Castro,
Adir Sodré, Miguel Rio Branco, Cildo Meireles, Lina Kim,
Nazaré Pacheco, Yiftah Paled, Laércio Redondo,
Marcelo Coutinho, Paulo Climachauska, Rosângela Rennó,
José Guedes, Orlando Maneschy e Cláudia Leão.

Período: de 04 de junho a 11 de julho de 2010

de terça a domingo , de 10h às 16h – feriados : de 09h às 13h.

O Museu Casa das Onze Janelas fica na Praça Frei Caetano Brandão s/ nº, Cidade Velha- Belém/PA. CEP: 66020-310.

Ingresso: R$2,00. Todas as terças-feiras do ano a entrada é franca.

Gratuidade: crianças até 7 anos , adultos a partir dos 60 anos, portadores de necessidades especiais,
grupos agendados e turmas da rede de ensino agendadas . Agendamento : (91) 40098845 – Educativo SIM.

Informações: (91) 40098825/40098823/40098821. E-mail: onzejanelas@gmail.com

http://museucasadasonzejanelas.blogspot.com/

Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

Premiados

Prêmio Diário Contemporâneo: Coletivo Parênteses (SP)

Prêmio Brasil Brasis: Octávio Cardoso (PA)

Prêmio Diário do Pará: Paulo Wagner Oliveira (PA)

Menção Honrosa

Felipe Nunes Pamplona (PA)

Flávio Cardoso de Araújo (PA)

Walda Marques (PA)

Gina Dinucci (SP)

Selecionados

Carlos Alexandre Dodoorian (São Paulo)

Alberto Bitar (PA)

Yuki Hori (SP)

Eliezer Souza Carvalho ( PA)

Mateus Sá Leitão de Castro Soares (PE)

Felipe Pereira Barros (SP)

José Eduardo Nogueira Diniz (RJ)

Eurico de Alencar Filho (PA)

João Alberto Menna Barreto Moura Jr (RS)

Celso de oliveira Silva (CE)

Pedro Motta (MG)

Kenji Arimura (SP)

Grupo UMCERTOOLHAR (SP)

Rodrigo Torres dos Santos (RJ)

Flavya Mutran (PA)

Haroldo Bezerra Saboia Filho (CE)

Sofia Dellatorre Borges (SP)

Flávio Damm (RJ)

SERVIÇO

Mostra Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, de 30 de março a 30 de abril no Museu da UFPA (av. Governador José Malcher, 1192). Informações: (91) 3224-0871/ (91) 8421-5066 e no site www.premiodiariodefotografia.com.br. Realização: Diário do Pará – RBA. Apoio: Vale. 

Fonte: blog do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

Obra em Questão // “Sine Die” de Nina Matos

A obra da semana achei no blog  paz575 galeria de arte, mantido por Wagner Lungov. Um texto sobre a obra da artista paraense.

sinedie-2005

Vi este quadro em 2006 na mostra Rumos do Itaú Cultural. Recentemente, por estar abrindo a galeria, entrei em contato com a autora, Nina Matos. Dados sobre ela e outras de suas obras podem ser encontrados aqui.

Vamos agora direto à “Sine Die”. É muito interessante como hoje a pintura usa recursos formais da fotografia/cinema e vice versa. Esta tela é um bom e muito bem sucedido exemplo. Por recursos formais quero dizer que ela utiliza nosso repertório de maneiras de dizer alguma coisa, através da forma como os elementos da cena são organizados e representados. Maneiras que aprendemos vendo filmes e fotos em situações que representavam perigo, alegria, melancolia, suspense, mistério… e depois estes mesmos significados são ativados quando o recurso formal é utilizado em situações novas, como quando olhamos para “Sine Die”.

A primeira coisa é o efeito de profundidade de campo como acontece com as lentes. Esse efeito resulta do fato de que, principalmente as lentes para situações de pouca luz, só conseguem dar nitidez em uma faixa bem estreita de distâncias. Quer dizer, pouca coisa fica no foco. Tudo que está mais distante ou mais próximo que a faixa de nitidez, fica desfocado. É claro que em pintura isso não é absolutamente necessário. Fica a critério do artista. Pintores do século XIV gostavam de fazer, por exemplo, alguém lendo uma carta no primeiro plano e pela janela podemos ver o que acontece no horizonte distante. Tudo com uma riqueza de detalhes impressionante. Bem, com lentes isso não é possível. Na pintura “Sine Die” Nina Matos escolheu, embora pintasse, fazer como se víssemos a cena através de uma lente. Observe que a palavra “céu” escrita no chão, no primeiro plano, está perfeitamente nítida. Ela usou inclusive a textura da tela para aumentar esta sensação. Também as marcas de giz e as frestas no cimentado estão bem “focados”. Dali pra frente tudo começa a ficar mais fluído e embaçado como em um típico exemplo de perda de profundidade de campo.

E por que isso? Bem, é aí começa a história. A mocinha, que seria afinal o tema do quadro, já está saindo do plano de foco, seus contornos vão como que se diluindo como o resto. Isso fica mais acentuado pelo fato dela estar de costas e claramente em movimento com o pé esquerdo ainda, ou quase, suspenso no ar. É como se tudo estivesse montado para um retrato convencional. Se ela tivesse ficado no céu, de frente para nós, estaria bonitinha na foto, com sua roupa de colegial, feliz, sorridente e bem focada . Mas ela está deixando o céu e começando uma nova empreitada com o pé esquerdo. Fico me perguntando se esse pé esquerdo, conhecido pela expressão popular de começar alguma coisa com o “pé esquerdo”, funciona também em uma forma visual. Fico na dúvida se ele ativa algum tipo de significação negativa em uma forma que não seja a escrita ou falada. O que é claro, em qualquer caso, é que ela nos virou as costas e foi embora. Aí vejo um outro recurso da linguagem de cinema. Há uma indicação de surpresa ou, se quiser, certa decepção com esse movimento da nossa jovenzinha pois o observador perdeu um pouco o equilíbrio. Veja que o horizonte, a rua e as linhas do chão não batem muito bem entre si. Parece que a câmera balançou um pouco. Esse é um recurso que os diretores de cinema usam para nos colocar na cena. Quando a existência de um narrador não faz parte da história e o observador igualmente tem um acesso sem explicação ao desenrolar da trama, temos o caso em que o público é tratado apenas como a “quarta parede” em relação ao palco. Este tipo de tratamento foi introduzido no teatro na época de, e discutida por, Diderot, quem criou a expressão “quarta parede”. Foi adotado nas artes cênicas inclusive no cinema mais tarde. Situação muito diferente é quando a câmera balança, quando está no nível dos olhos. Veja que a cabeça da mocinha está próxima e um pouco acima do horizonte. Estamos até um pouco abaixo dela. Esse recurso é clássico nas seqüências de perseguições. Para acentuar o desespero do perseguido: nós assumimos o ponto de vista do perseguidor. Mas aqui acontece ainda algo diferente: as barras escuras nas laterais do quadro e o ponto de vista mais baixo, dão um efeito de clausura, de barreira que nos impede de seguí-la ou detê-la. Ficou só a balançada que dá um efeito de incompreensão do gesto da mocinha.

Última coisa que eu vejo é que ela não está indo em direção ao vazio completo. É algo que claramente se opõe ao campo nítido, claro e bem marcado, onde se encontra o observador. Existe alguma coisa, como que um “escuro materializado”, algo no ar à frente dela. Parece que ela vai entrar em uma sombra com densidade desproporcional à iluminação da cena. A escuridão e as sombras como opostas ao céu e à luz, formam um daqueles pares de opostos muito fortes em nossa cultura representando o bem e o mal. A tela representa lindamente essa presença oposta, sempre mantendo o caráter de uma cena externa. Não é fácil pintar o escuro em pleno dia. Como resultado, o sentimento de perda ao vermos essa mocinha que nos deixa, é muito intenso. A incerteza de para onde ela vai nos enche de apreensão. A nossa impotência, criada pelas barras escuras que nos aprisionam, é angustiante.

Sine Die, é uma expressão em latim. Significa “sem data”. Nina diz que para ela a tela representa algo atemporal, sem localização determinada no tempo. Não é então um fato particular. Talvez possa ser lido como que algo recorrente, um sentimento ou situação que faz parte de nossas vidas, algo que todos experimentamos e que todos conhecemos. Muito bom! Uma tela para não se cansar de olhar.

Por Wagner Lungov in blog.paz575.com

“Conversas Ampliadas” arte contemporânea paraense nas Onze Janelas

CONVERSAS AMPLIADAS

O Museus Casa das Onze Janelas está divulgando um grande ciclo de conversas com artistas contemporâneos paraenses com desdobramento do projeto de ampliação de seu acervo, premiado no edital Marcantônio Villaça.

Segue abaixo a agenda e vamos acompanhar de perto esta oportunidade rara prar artistas e pesquisadores da arte.

“CONVERSAS AMPLIADAS”, que consiste na atividade de encontros e diálogo entre artistas visuais e o público, referente à mostra “Ampliação da Coleção de obras de Artistas Paraenses do Museu Casa das Onze Janelas” – Proposta de aquisição de acervo , contemplada no Edital Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2008 – FUNARTE/DEMU/IPHAN

Programação:

Horário: 19:00

Dia : 22/10/2009

Artistas: Jocatos, Margalho e Werley Oliveira.

Dia: 28 /10/2009

Artistas: Berna Reale, Lise Lobato e P P Condurú.

Dia: 04 /11/2009

Artistas: Armando Queiróz e Emanuel Franco.

Dia: 11 /11/2009.

Artistas: Acácio Sobral, Geraldo Teixeira, Jorge Eiró, Ruma e Ronaldo Moraes Rego

Local:Museu Casa das Onze JanelasSala Valdir Sarubbi ,

Praça Frei Caetano Brandão, s/n Tel.: 40098825.

Programação Educativa:

Milena Claudino ,Bianca Shiguefuzi, Cilene Nabiça

e Fagner Monteiro- 40098821- 40098823