Dossiê: Por uma cartografia crítica da Amazônia // Entrevista com Giseli Vasconcelos

gEu fico imaginando os caminhos da vida que sigo considerando sempre como pesquisa experimental, eles seguem ao longo do tempo e parecem não findar…Enfim, Ramiro me encaminhou essas perguntas no fim do ano passado -eu estava no meio da agonia nômade, e ainda no meio do processo burocrático para fechar o projeto junto à lei de incentivo,portanto, o tempo passou (e então eu relaxei) e pude escrever um  pouco sobre esse processo…

Ramiro Quaresma: Como surgiu a idéia para este mapeamento imagético sobre a Amazônia?

Entre2010 e 2011 eu tive que migrar para os estados unidos, onde basicamente passei a residir, ainda que trabalhando em projetos para Belém. Foi essa distancia me empurrou para desenvolver uma maneira de trabalhar remotamente, somente possível a partir do uso de internet. E isso a principio me agoniava demais, perder o olho-no-olho, vivendo na fronteira entre duas realidades num mesmo continente : o norte gelado, rico e frio – versus – o trópico quente, pobre e úmido (interpretando o sentido de frio x úmido,como uma analogia entre corpos e situação de vida cotidiana).

Estou no nordeste dos estados unidos – que é a parte do país mais avançada no que tange a tecnologia digital e de informação, assim como o modelo de conhecimento e política da nova esquerda. É nessa região entre NY e Boston que se concentram 5 das universidades top10 do ranking das melhores do país, são elas: Harvard, Columbia,MIT, YALE e Princenton. É um mundo de uma internet com pelo menos 10anos à frente e com gadgets 3 vezes mais baratos e modernos se comparados ao que temos disponível no Grão Pará (refiro-me à um território cultural mais do que uma precisão de mapa institucional). É também onde se concentra o ativismo verde, com inúmeros projetos, grupos e coletivos ligados às questões de mudança climática global, transgênicos, produção energética etc. Foi um choque cultural doloroso, mas proveitoso que ajudou a enxergar e melhorar a perspectiva sobre o lugar de onde eu vinha,reconhecendo a diferença brutal de acesso a um capital cultural global além de perceber a ostentação e sobrecarga do modelo hegemônico de conhecimento, e que não nos representa.

Milton Santos não saía da cabeça (notadamente o livro Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal), em fazer-nos refletir quanto a geopolítica está presente em nossas vidas e o quanto somos esmagados por um suposto conhecimento que nos reverencia à distância (se vistos comocommodities) mas que não nos garante estrutura, mecanismos e ferramentas para consolidar o NOSSO conhecimento, ou melhor, a NOSSA visão de mundo.A Amazônia é território notório presente na consciência coletiva global, entretanto, sob o ponto de vista midiático, ainda permanece a visão romântica de uma natureza inexorável: como Jacques Cousteaue os botos cor-de-rosa entre plim-plins que insistem em sobreviver no meu subconsciente.

Comecei a pesquisar sobre a incidência do termo Amazônia, Amazon a partir dos mecanismos de buscas gringos, precisamente Google. Eu estava atrás de informações sobre a Amazônia brasileira, principalmente aspectos humanos e urbanos. Primeiramente digitei a palavra AMAZON,quando obtive inúmeras paginas referenciando o maior sites de vendas on-line do mundo. E se adicionava RAINFOREST, caia em inúmeros sites de agencias internacionais com noticias sobre desflorestamento,aquecimento global ou reservas indígenas. E ainda, se acrescentasse AMAZONIA BRASILEIRA, indiferente se com Z ou S, caia em inúmeras páginas de turismo, churrascarias, desastres ambientais ou mesmo,sobre o açaí. Eu não conseguia ver nenhum resquício de informação sobre a urbanidade, o dia-a-dia, cultura popular urbana, ou mesmo aspectos políticos que interferem no processo de urbanização amazônico entre as notícias. Para acessar um site local, um bloco jornalístico, demandaria algumas dezenas de páginas até chegar a informação de interesse. Eu me posicionei como uma gringa, com boa leitura em português, tentando encontrar algo real sobre a Amazônia.

E o pior, se eu seguisse busca a partir de imagens, em sobressalto,reaparecem os rios, rios com a vista de cima, a floresta entre cortada por rios entre Ss e a imensidão verde com algumas representações indígenas. Além disso, uma quantidade significativa de arquivos videográficos, notadamente documentários televisivos sobre a Amazônia como última fronteira da natureza, com um vasto ecossistema a ser preservado. Uma Amazônia vista de cima, a partir de helicópteros, a visão exógena dos que vem de fora e recontam a história do lugar, ou seja, a concepção de um lugar sempre estrangeiro. Então, CUIDADO: a visão imagética magnífica da floresta e rios se sobrepõem à uma alienação da realidade sobre os fatores políticos e sociais que definem e engendram as políticas de desenvolvimento e ocupação da Amazônia.

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E isso me remeteu a uma única coisa: visão midiática implantada, do qual permeou a visão do lugar durante minha infância e adolescência(retomando Jacques Cousteau…) moldou gerações e que continua a influenciar uma concepção global ingênua sobre este território. O que ocorre é um alienação informacional, e pior, muitas vezes sustentada por nós mesmos, o que exige uma engenharia reversa para assim re-significar os valores aponto de sermos vozes constantes de um ativismo que garanta a noção,defesa e reação para esse território. Então imaginei que seria importante usar qualquer recurso para retroalimentar primeiramente esse reconhecimento de si – como filho do lugar, voltando às velhas formas tribais de se reunir. E focar caminhos de como agir na contramão deste discurso.

Ramiro Quaresma: Ao conectar Arte e Política a Cartografia propõe uma criação artística mais crítica?

Isso com certeza, é só mais um passo necessário. Há alguns anos vinha acompanhando trabalhos envolvendo formas criativas de cartografia,com resultados que vão desde mapas mentais mais poéticos, até mapas radicais, políticos e/ou georreferenciados. É impressionante como o conceito de cartografia vem sendo experienciado por ativistas e artistas fundamentalmente afim de reinterpretar o espaço ocupado.São resultados que atuam muito mais numa dinâmica coletiva por retomada de consciência, do que simplesmente formar audiência ou simular espetáculos.

Cartografia trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas. Não é o mapa em si mesmo, mas um caminho do qual utilizamos para observar e explorar uma documentação também importante para revirar nossa história, e a nossa história, não começa e morre no Pará. Se agente se restringir às cercanias institucionais geográficas estamos negando nossa natureza humana que carrega similaridades que vão do caribe até mais adiantes das nossas bordas internacionais. To falando das tradições que não nos foram até então roubadas, à custo das resistências indígena e negra (nômades e fugitivos) que foram atravessando rios e florestas, readaptando e mixando realidades. Por isso temos muito mais afinidades com esse povo do que com o eixo centro-sul brasileiro.

As instituições informacionais podem estar nas grandes cidades da Amazônia, entretanto a consciência política a noção vívida do espaço é muito maior nas florestas, várzeas e nas áreas rurais.Mas é nas cidades que a informação midiática se concentra invisibilizando o que temos de melhor, e é na produção cultural que ela se extravasa, seja financiada pelo governo ou mesmo na cena independente. Por isso é muito importante ter a preocupação em construir uma consciência mais de acordo com o nosso sistema devida, mais digna e real. E não viver uma fantasia de um mercado que está nos dilacerando.

À quem estamos de fato fortalecendo se obedecemos a um discurso que nos mantém cegos, surdos e mudos? É preciso dar vazão à uma contracultura e dar espaço para que ela se expresse, e mais, temos muitas vozes com expressão, clareza e percepção admirável – masque não têm visibilidade, que não é fruto somente da opressão corporativa e do Estado, mas também fruto da falta de apoio entre uma rede de informação, que pode muito bem ser manejada colaborativamente por mais jornalistas, designers, arquitetos,artistas enfim, engajados à realidade local. Precisamos de mais ativismo local somando forças à quem interessa, e melhor seria em conectividade com ações globais. Isso é um caminho de futuro.

Ramiro Quaresma: Essa expedição filosófica pela Amazônia profunda terá outros desdobramentos? Mais uma vez parabenizo pelo projeto importantíssimo.

Quero trabalhar por um desdobramento. O projeto que foi aprovado pela Lei SEMEAR com o patrocínio cultural do programa Vivo Lab entre 2010/11,teve duas etapas executadas entre 2011 e 2012. A primeira etapa correspondeu aos encontros imersivos entre Belém e Santarém, o que criou uma aproximação dos conteúdos a serem mapeados. No segundo momento, o que criamos (centre muitas mãos contribuindo) foi uma usina de produção caseira para reunir os conteúdos abordados durante as imersões resultando na produção da publicação impressa, nos remix em vídeos e ainda, num grupo de trabalho para a produção do MapAzônia. Esse processo de patrocínio cultural foi encarado como uma oportunidade experimental, em ter recursos e ferramentas que possibilitassem experiências a serem testadas com um espaço de tempo determinado, principalmente por grupos e indivíduos que trabalham, e se retro-alimentam no circuito da contra-informação.O laboratório, mais do que workshops e/ou debates, é um espaço-tempo muito importante para o fortalecimento de idéias,criatividade e mais, vislumbrar caminhos na produção criativa que estejam mais de acordo com a sua realidade. Além de estimular uma relação de trabalho mais digna e respeitosa (falo de horizontalidade, pagamento justo, espaço confortável e diversão coletiva). Quase não temos instituições ou espaços abertos para esse tipo de atividade em Belém. É meio prankster o negócio, pois sempre temos que fingir para obter o mínimo de acesso.

Então,não findou, a quantidade de material recolhido foi tamanha que valeria a pena criar uma database da pesquisa, e o mais importante,uma publicação robusta e bilíngüe (preferencialmente em castelhano) para reunir todos os textos e imagens acordados e compartilhados. Com isso, gostaria de negociar um espaço de exibição em outros países ou mesmo um painel legendando para amplificar as temáticas abordadas com o estudo e organização do Dossiê.Atualmente estou fazendo parte de um grupo de estudo entre ativistas e artistas em NY – EMERGENYC. Estamos trabalhando muito com os jogos e exercícios do teatro do oprimido além de, ter um acompanhamento especial da equipe do Yes Lab. Eu gostaria de levar essa experiência no próximo retorno à Belém e propor um laboratório aberto, se possível junto com o Labcart (que produziu o MapAzônia) para elaboração de mais um mapa, seguindo passos do trabalho que fizemos juntos em 2012.

FICHA TÉCNICA DO DOSSIÊ: 

Produção Executiva/Direção/Organização: Giseli Vasconcelos

Mediação [Imersivas]: Arthur Leandro

Vídeos RMXTXTURA: Mateus Moura e Lucas Gouvea

MapAzônia
LabCart – Hugo nascimento, Luah Sampaio, Yuri barros
qUALQUER qUOLETIVO – Lucas e Romário
Giseli Vasconcelos

Editores
Arthur Leandro, Bruna Suelen, Giseli Vasconcelos, Ícaro Gaya, Lucas Gouvêa, Mateus Moura, Romario Alves, Clever dos Santos.

Produção/Logística: Romario Alves

Produção/Rede [Imersivas]
TatianaWells, FelipeFonseca e JaderGama

Produção/Logística [Imersivas]: BrunaSuelen

Produção/Áudio [Imersivas]:Carlinhos Vas

Projeto Gráfico: Lucas Gouvêa

Produção Gráfica: Roberto Traplev

Colaboradores
//Armando Queiroz // Ateliê do Porto// A Casa – Laboratório de Permacultura Urbana // Celi Abdoral // Contra Corrente // Espaço Cultural Coisa de Negro // Felipe Fonseca //Fernando D’Pádua // Gil Vieira // Hugo Nascimento // Instituto Nangetu // Integra Belém // João Simões // Lorena Marín // Luah Sampaio // Lucia Gomes // Luiz Augusto Pinheiro Leal // Marie Ellen Sluis //Michele Campos // Pablo de Soto // PARACINE// Paulo Tavares //Radio Cipó Arte & Entretenimento// Ricardo Folhes // Roberto Traplev // Tatiana Wells // Vicente Franz Cecim // Yuri Barros // Parque dos Igarapés // IAP – Instituto de Arte do Pará // Casarão Cultural Floresta Sonora // Casa Puraqué

Fotografias
Arthur Leandro, Giseli Vasconcelos, Bruna Suelen, Espaço Coisa de Negro, Fernando D’ Pádua, Fundação Lúcia Gomes, Isabela do Lago, Keila Sobral, Qualquer Quoletivo, Roberta Carvalho, Samir Raoni

Produção/Experimentação/Videos
qUALQUER qUOLETIVO: Lucas Gouvea, Mateus Moura, Maecio Monteiro, Luah Sampaio, Romario Alves, Icaro Gaya, Hugo Nascimento e Luiza Cabral

Decupagem/Transcrição: Bruna Suelen e Ícaro Gaia

Tradução: Tatiana Wells

Revisão: Bruna Suelen, Erika Morhy, Ícaro Gaya

Agradecimento Especial
Edna Vasconcelos e Edineia Sindona, João Simões

Tiragem
1000 exemplares

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Intervenção urbana reflete a ditadura militar em Belém 48 anos depois

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital.

Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas que imitam sinalização de trânsito os locais onde as prisões e torturas eram executadas. A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe.

Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. “Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel.

Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos.

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados. “A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador.

A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

Texto: Deborah Cabral

A PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA NA ARTE CONTEMPORÂNEA DE BELÉM: UMA ABORDAGEM DA SITUAÇÃO – de Orlando Maneschy e Danielle Barbosa

A PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA NA ARTE CONTEMPORÂNEA DE BELÉM: UMA ABORDAGEM DA SITUAÇÃO

INTRODUÇÃO

Quais as características da produção de vídeo-arte em Belém? Este é um dos motes que nos leva a mergulhar no objeto de nossa atenção. A história da vídeoarte é longa, na verdade foi e continua sendo um território de passagem entre os meios tecnológicos de captação da imagem, evoluindo sua capacidade de expressão através das maneiras de utilização e transmissão de imagens/fatos, sejam fictícios ou reais, por vezes explorando o espaço fora da tela de projeção e provocando os limites de percepção do expectador, envolvendo-o nesse emaranhado de sensações captadas. Este artigo pretende, não somente explorar a produção de vídeo na cidade de Belém do Pará e suas principais características, mas ressaltar a importante contribuição desses artistas em inscrever na história da arte paraense sua percepção a cerca das manifestações nacionais e internacionais da década 1980, onde as gerações independentes estavam em alta como uma das vertentes da produção de vídeo, desencadeando discussões provocativas até chegar às novas artes midiáticas.

Com a colaboração dos artistas de nossa Região em ceder algumas de suas obras, nos unimos em torno de um grande objetivo, dentro desse subprojeto,o de organizar um Banco de Dados e recuperar alguns trabalhos audiovisuais danificados pelo tempo. Esse resgate histórico da produção de vídeo regional está nos proporcionando um curto acervo dessa modalidade expressiva que surgiu com o alvoroço da década de 1980. Esperamos com essa iniciativa contribuir para a ampliação dos espaços de pesquisa que abrange as áreas de Artes, Comunicação e outras afins, proporcionando a criação de fontes seguras de pesquisas sobre a produção artística audiovisual de Belém.

Frames dos filmes de Antonio Dias , The Illustration of Art I, II e III, 1971. super-8, mudo, cor

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NACIONAIS – Um ponto a ser considerado

O vídeo chegou ao Brasil aproximadamente em meados dos anos 1960 e início dos anos 1970, advindo de algumas experiências realizadas por brasileiros residentes em outros países, como é o caso de Antônio Dias, um dos  primeiros a realizar obras em vídeo ainda que em território estrangeiro. Um dos empecilhos para o avanço dessas produções diz respeito à dificuldade de aquisição de equipamentos como o Portapackda Sony, um gravador portátil de vídeo que proporcionava aos seus usuários a liberdade da captação da imagem através de uma percepção pessoal.

A produção era ainda bastante experimental, os artistas dessa época encontravam-se entre o eixo Rio – São Paulo e muitos já eram consagrados artisticamente, mas o vídeo ainda era um meio a ser explorado. O que se pode realmente dizer é que havia artistas experimentando o vídeo, em busca de um novo suporte artístico diferente dos tradicionais. Daí pode-se falar um pouco de sua primeira categoria, o “vídeo-experimental” da primeira geração, conhecida como “geração dos pioneiros”.

A produção dos pioneiros era caracterizada pela ação performática, ou seja, o corpo em evidência, a interação do corpo real com o corpo tecnológico, na maioria das vezes o do próprio artista, criando uma espécie de auto-retrato, assim como na pintura, porém o vídeo não é estático e permite liberdade para a realização das ações, deixando o artista-performer à vontade para explorar as sensações do corpo. Em 1976 Walter Zaninii, o então diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/SP), presenteou esta instituição com um equipamento portátil para gravação de vídeo e o disponibilizou aos artistas.

Criou então, o Setor de Vídeo do MAC de onde saíram vários nomes que se consagraram nas gerações seguintes, este espaço foi uma espécie de incubadora de entusiastas do vídeo e era coordenado por Cacilda Teixeira Costaii, responsável por desenvolver as três fases do projeto traçado por Zanini.“o estudo histórico do vídeo desde suas primeiras aplicações como uma mensagem artística e a organização de um centro de informação e documentação; realização de exposições dedicadas especificamente a trabalhos em vídeo; organização de uma área operacional para a pesquisa dos artistas em colaboração como o museu” (COSTA 2003: 70-73).

Dentre os artistas que compõem esse quadro do eixo Rio-São Paulo destacam-se: Antônio Dias, Miriam Danowski, Letícia Parente, Paulo Herkenhoff, Ivens Machado, Fernando Cocchiarale, Anna Bella Geiger e Sônia Andrade, esses do Rio de Janeiro. Em São Paulo ressaltam-se os nomes de Regina Silveira, Julio Plaza, Carmela Gross, Donato Ferrari, Gabriel Borba, Marcelo Nietche, Gastão de Magalhães e José Roberto Aguilar. Dessa primeira gama de idealizadores, poucos continuaram suas produções voltadas para o uso do vídeo, já no fim dos anos 1970 partiram para outras propostas.

No início dos anos 1980, quando o primeiro impacto do vídeo parecia declinar, surge a produção independente, um verdadeiro “boom” na história da vídeoarte nacional, esta segunda fase de idealizadores mudaria por completo o percurso da programação exibida na televisão. Ao contrário da primeira geração, os artistas da segunda fase não eram consagrados artisticamente, eram em sua maioria jovens estudantes entre 18 e 20 anos de idade, vindos de diferentes áreas do conhecimento como artes, comunicação, jornalismo, psicologia, filosofia e até mesmo engenharia e física.

A característica da produção de vídeo desse período também se opõe ao que era estabelecido como critério de identificação da primeira geração, a busca não se prendia mais a novos suportes artísticos e tão pouco se preocupavam como o sistema museológico. Acreditavam na conversão da televisão de modo a transformar a imagem eletrônica, com uma produção mais documental evidenciando temas sociais.

Pode-se dizer que com o seu comportamento irreverente diante das câmeras, Glauber Rocha foi uma das pessoas mais influentes na tentativa de transformar os parâmetros tradicionais de exibição que a televisão estabelecia e inspirou vários grupos de produtoras independentes da época, dentre elas destacam-se a TVDO (Leia-se TV Tudo) e Olhar Eletrônico. Os independentes traçaram estratégias de uma produção vanguardista, investiram numa percepção mais ampla da realidade e uma de suas características era o registro em forma de documentários, suas temáticas levantaram novos questionamentos a cerca dos problemas enfrentados pela sociedade, resgatando valores culturais e instigando no expectador o senso crítico diante dos problemas em questão. Essas problemáticas resultaram em uma centena de trabalhos inspirados pela própria televisão, mas empregavam uma nova linguagem, muito mais dinâmica e inovadora.

Já a terceira geração de idealizadores do vídeo, que iniciou sua produção nos anos 1990 ficou conhecida como uma geração de criadores, suas idéias não se distanciavam muito da proposta dos independentes, na verdade esse grupo absorveu um pouco da curta e recente história do vídeo, das experiências adquiridas através dos outros grupos para efetivar suas conquistas.

Os artistas desse período se concentraram em produções mais autorais e eram menos descompromissados com os interesses sociais, “o único compromisso que une todos os representantes desta última geração é a investigação das formas expressivas do vídeo e a exploração de recursos estilísticos afinados com a sensibilidade de homens e mulheres da virada do século”. (MACHADO, 2007: 19-20).

Dentre os nomes que compunham este novo cenário dos criadores, vale ressaltar: Lucila Meirelles, Walter Silveira, Lucas Bambozzi, Carlos Nader, Marcelo Masarão, João Moreira Sales, Rodrigo Minelli, Patrícia Moran, Josely Carvalho, Arnaldo Antunes, Diana Domingues, Simone Michelin, Betty Leirner, Almir Almas, Inês Cardoso e os parceiros Jurandir Muller/Kiko Goifman e Maurício Dias/Walter Riedweg, Éder Santos e Sandra Kogut esses dois últimos consagrados internacionalmente.

Vídeo de Eder Santos, Roberto Berliner e Sandra Kogut produzido em 1988, para a canção escrita pelo poeta Chacal e musicada por Ricardo Barreto.

Vale ressaltar também que a geração da década de 1990 já nasceu assistindo TV, os tão sonhados equipamentos tecnológicos que proporcionavam o encantamento visual passaram a ser mais acessíveis nessa época, decerto que a cada nova geração o avanço tecnológico acompanha o ritmo das produções e a busca por tecnologias que  proporcionavam o deslocamento dessas informações acompanhavam o passo da evolução midiática.

A vídeoarte do Brasil passou por muitas dificuldades referentes à falta de equipamentos, mas apesar desse motivo, pode-se dizer que se comparado à produção internacional, os artistas brasileiros não ficam distantes em termos de criação e destacam-se por suas produções.

AS PRIMEIRAS INFLUÊNCIAS NA DÉCADA DE 1980 EM BELÉM

Depois do alvoroço das décadas de 1960 e 1970 que desencadearam árduas discussões referentes aos meios de comunicação de massa e dividiu opiniões a cerca da captação e utilização da imagem na arte, a proliferação do vídeo como uma modalidade artística alcançou as mais distantes regiões do mundo e não poderia ser diferente em nosso país.

Em mais de 40 anos de história, a vídeoarte ainda demorou a conquistar um amplo espaço na Região Norte. Sabe-se que ela existiu e ainda existe com algumas variáveis de nomenclatura, seja em salões de arte, sejam em mostras que o introduziram como linguagem artística no final dos anos 1980 em Belém, como: vídeo-experimental, vídeo-poema, simplesmente vídeo ou mais recentemente vídeo-instalação e vídeo-performance.

Somente na década de 1980, quando o cenário nacional foi movido de conquistas no âmbito político é que no Pará começa a surgir esse interesse  pelo audiovisual numa perspectiva ainda meio cinematográfica e teatralizada. Em Belém, vídeoarte era uma palavra que se ouvia falar pouco e a busca por esse conhecimento a até mesmo as influências vieram de outras regiões do Brasil, muito relacionada a experiências do cinema de autor e do vídeo-experimental, onde eram apresentadas em mostras de vídeo e exposições de arte.

As primeiras experiências audiovisuais em Belém começaram a aparecer quando um grupo de estudantes de áreas de conhecimentos diversificados se uniu por um interesse em comum, produzir algo diferente na cena artística contemporânea paraense. O foco principal dessas produções era o estudo da utilização da imagem e seu caráter representacional, dentro da busca da construção de uma perspectiva pessoal, provocando uma mudança radical no sentido visual e sonoro das experiências realizadas.

Quando a câmera VHS surgiu, veio junto a possibilidade de utilizá-la para registrar as linguagens e misturá-las possibilitando as relações híbridas observadas hoje em algumas produções. Na época a palavra audiovisual significava trabalhar com uma série de imagens fotográficas seqüenciadas que davam movimento à história a ser contada. Os equipamentos eram de difícil acesso e a produção só era possível por intermédio de amigos que já realizavam trabalhos de cunho publicitário ou por instituições recentemente criadas para difundir a pesquisa nessa modalidade que a cada dia aumentava mais seu número de adeptos.

Ainda no início dos anos 1980 foi criado o Centro Regional de Artes Visuais da Amazônia (CRAVA), uma iniciativa que reuniu vários pesquisadores e iniciantes do âmbito artístico visual, em sua infra-estrutura contava com o que havia de melhor dos aparatos tecnológicos utilizados para a produção e transmissão de imagens, com forte ênfase para o cinema, mas que também funcionou como um espaço para a expressão do vídeo como manifestação autoral.

Mesmo sem saber ao certo qual denominação usar para essas experiências, esses jovens realizadores começaram a pesquisar as imagens, fixas e em movimento, através de câmeras de vídeo, por vezes sem a pretensão de constituir obras de arte.

Ainda nos anos 1980 o canal Music Television (MTV) começa a ser exibido no Brasil trazendo o hit do momento e que serviu de inspiração para algumas dessas produções, o Rock’n Roll e com ele os videoclipes musicais e influenciou vários adeptos do âmbito artístico nacional e internacional. Por sua vez, a poesia e a literatura também contribuíram como fonte de inspiração, que resultou em trabalhos envoltos de uma carga emocional e sensível, deixando transparecer um pouco do momento vivenciado seja no âmbito social ou pessoal. O cinema de autoral europeu também era uma fonte de inspiração para vários realizadores.

Essas linhas de inspiração do vídeo no território paraense abriram caminhos por onde se podia redescobrir uma nova perspectiva e assim foram surgindo as primeiras produções audiovisuais na década de 1980 na região da Grande Belém. Dentre os nomes mais importantes que marcaram o início dessa construção de imagens em movimento partindo da fotografia, da televisão, do cinema e trilharam caminhos no vídeo, há de se destacar os nomes de: Aníbal Pacha, Nando Lima (que apesar de trabalhar com cenários para peças teatrais inseria o vídeo como elemento de composição de alguns espetáculos e também foi bastante influenciado pelos videoclipes), Jorane Castro, Dênio Maués, Mariano Klautau Filho, Orlando Maneschy (orientador desta pesquisa), Marta Nassar (que, a despeito de criar em cinema, seus curtas-metragens circulavam com algumas características do vídeo e particularmente são identificados com a linguagem da vídeoarte) e Val Sampaio, esses nomes propiciam o aparecimento de outros que iriam se destacar nas décadas seguintes, e que produzem vídeos em períodos distintos, ainda de caráter experimental fazendo referência à pintura, à fotografia e ao próprio cinema.

Frames do vídeo Pandora, de Mariano Klautau Filho.

Podemos citar, aqui, alguns trabalhos fundamentais, como Secreta Cinza (Val Sampaio e Mariano Klautau FIlho), Cenesthesia (Jorane Castro, Dênio Maués). Apesar das significativas experiências realizadas por nossos curiosos artistas da década de 1980, em sua maioria não classificavam essa produção como vídeoarte, mas como experiências realizadas que foram a tentativa de uma ruptura de suporte.

Depois das primeiras experiências dos anos 1980 e 1990, que tentavam romper com a tradição do cinema e da televisão, encontramos trabalhos que articulam já irão se assentar dentro do campo do vídeo e ser exibido no cenário da arte, ora chamado simplesmente de vídeo, ora de vídeoexperimental. Dentro do campo específico das artes visuais temos hoje uma nova gama de jovens idealizadores que vem produzindo em vídeo e colecionam em seus currículos várias exposições em salões nas diferentes vertentes ou subcategorias do vídeo.

Nomes como Alberto Bitar, Armando Queiroz, Dirceu Maués, Melissa Barbery, Roberta Carvalho e Keyla Sobral. Flavya Mutran, Vitor Souza Lima, Victor De La Rocque (ganhador do Grande Prêmio do Salão Arte Pará 2008), Luciana Magno, Josynaldo Vale, Carla Evanovitch, Neuton Chagas, são alguns destaques que obtiveram êxito em suas produções transitando pela linguagem do vídeo na arte contemporânea paraense.

Vermelho ( video arte, 2005/2007 ), de Melissa Barbery

Hoje vídeoarte paraense é algo que ainda está em crescimento e aos poucos vai se concretizando, com trabalhos que determinam seu foco principal no vídeo e seus desdobramentos espaciais, pois apesar das fronteiras de atuação do cinema e do vídeo terem sido apagadas mesmo tendo um campo se atuação definido, vivemos um momento de fusão que é difícil classificar por ser híbrido de sentidos e formas de representação, percebemos hoje elementos da vídeoarte dentro do cinema e elementos do cinema dentro da vídeoarte.

Tudo é uma questão de transição de suportes e o vídeo encontra-se mais uma vez num rito de passagem para os meios mais recentes de representação e interação com o público, apesar de ainda ser um pólo pequeno de pessoas que trabalham com técnicas que se fundem em Belém. Verificamos, ainda, impressões pessoais que deixam revelar o diálogo com a região, como a chuva e as características locais, os casarões antigos abandonados, e toda uma gama de referências e citações culturais.

Todas essas impressões ampliam as proposições artísticas do vídeo para a videoinstalação em muitos casos observados, trazendo-nos hoje a um cenário rico e multifacetado em suas experiências visuais, constituindo o que podemos chamar hoje de vídeoarte paraense.

AS PRIMEIRAS EXIBIÇÕES DE VÍDEOS NOS SALÕES DE ARTE NO PARÁ

Como podemos perceber ao longo desta história da passagem do cinema para o vídeo e como essas categorias que apesar de próximas ainda conseguem ser distinguidas uma da outra, existe de fato uma produção em Belém ainda caminhando para uma concretização de território. Entre os vários salões de arte que hoje encontramos em nossa região, destaca-se o Salão Arte Pará, criado em 1982 pelas Organizações Romulo Maiorana e que se tornou o principal salão de arte da Região Norte do país, além de outros posteriores à sua criação como o Salão Unama de Pequenos Formatos, o Salão Primeiros Passos do CCBEU e vários outros que aos poucos vão ganhando destaque.

Hoje podemos contar também com o apoio de centros destinados às exposições como o Museu Histórico do Estado de Belém (MHEP), o Museu de Arte Sacra (MAS), o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, integrantes do Sistema Integrado de Museus (SIM), o Museu de Arte de Belém (MABE), a Galeria Theodoro Braga, o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) e o Museu da Imagem e do Som (MIS), entre outros. Sem esquecer de mencionar também a importância das instituições que tem o seu interesse voltado para a democratização da Arte, facilitando o acesso ao público e atraindo novos talentos, a fim de aprimorar os conhecimentos nas diversas áreas do campo artístico, é o caso da Fundação Curro Velho, da Casa da Linguagem, do Instituto de Artes do Pará (IAP), do Instituto de Ciências da Arte da UFPA (ICA/UFPA), da Universidade da Amazônia (UNAMA), e Fundação Romulo Maiorana.

Depois das primeiras tentativas que difundir a produção local de vídeo, este somente entrou nos espaços dos salões de arte no II Salão Paraense de Arte Contemporânea, em 1992, com o vídeo Delírio, de Val Sampaio, e depois regressa em 2001 na 20º edição do Salão Arte Pará, com obras de dois artistas de cidades diferentes, Bruno de Carvalho do Rio de Janeiro, com o vídeo Dyspepsia e Mima Lunardi do Rio Grande do Sul com um vídeo Sem Título. Mas foi em 2002 que o Salão Arte Pará exibiu a primeira obra em vídeo de um artista paraense, intitulado Dóris, realizado por Alberto Bitar e Paulo Almeida, os primeiros artistas a exibir esta modalidade dentro de um Salão de Arte de nossa região. Em sua 22º edição, o Salão Arte Pará contou com a participação do vídeo Paisagem Urbana em Três Atos também dos primos Alberto e Léo Bitar. A partir dessa iniciativa, outros salões passaram a integrar em seus editais a aceitação desta modalidade como obra artística, em 2004 o Salão Unama de Pequenos Formatos exibiu entre suas obras, os vídeos Fragmentos de Segundo Plano dos primos Alberto e Leo Bitar, Víboras de Artur Árias e Carlos Vera Cruz e Cem Anos de Paulo Almeida.

O Salão Arte Pará por sua vez exibiu o vídeo Correspondências (do espinho/ da vida/ da arte), uma vídeo-instalação do artista Acácio Sobral, garantindo-lhe o Primeiro Grande Prêmio, neste período o vídeo já começava a ganhar espaço dentro dos salões. Ainda nesta edição do salão, contamos com a participação de artistas de outras cidades como Paula Trope do Rio de Janeiro, Cláudia Barbian do Rio Grande do Sul, Eduardo Srur e Fenando Huck de São Paulo e Léo Tafuri de Minas Gerais.

Na sua 24ª edição, o salão exibiu os vídeos Pintura de Emmanuel Nassar, Quase Todos os Dias de Alberto e Léo Bitar, E-Happy de Artur Árias Dutra e Minutos de Silêncio de Roberta Carvalho e Keyla Sobral, garantindo à estas o 2° Grande Prêmio do salão.

Em 2006 já era considerável o número de participantes nesta modalidade, dentre os artistas vindos de outras cidades, destacam-se os paraenses Graziela Ribeiro Baena com o vídeo L’artista e Dirceu Maués com o vídeo Feito Poeira ao Vento. Mas foi em sua 26º edição que o salão investiu num novo espaço de discussões a cerca desta modalidade, apresentando um ciclo de projeções que reuniram diversos nomes da arte do vídeo paraense expondo seus trabalhos em uma Mostra de Vídeos que aconteceu paralela à programação do evento.


Nessa edição do salão, o vídeo compôs cenários e ações, nunca esteve tão presente como um meio pelo qual se esboçam diálogos com a pintura, escultura, objetos e intervenções urbanas registrando determinadas questões pertinentes ao momento presente, possibilitando um diálogo com a cidade, propiciando reflexão e olhares sensíveis na maneira em que são abordados os temas.

Essa Mostra de Vídeo teve curadoria da crítica-pesquisadora em artes Marisa Mokarzel e a assessoria de Alexandre Sequeiraiv, que após diversas discussões e reflexões sobre esta produção, resolveram reuni-las garantindo um breve mapeamento classificando quatro grupos de blocos temáticos exibidos na Mostra, são eles: “Cor e Linha: Vídeo-Pintura”, “Belém, Pará que Te Quero Bem”, “Vídeo Animação” e “Contemporâneo”.

Desde o início da pesquisa, nosso principal objetivo em prosseguir por uma concretização de um Banco de dados e um Acervo de obras em vídeo, diz respeito a um único intuito, garantir aos estudantes e pesquisadores acesso à essas produções e intensificar discussões e hoje podemos dizer que grande parte das conquistas se deu através da persistência dos artistas mencionados neste artigo, todos sem exceção, contribuíram para este resultado.

Nossa pesquisa histórica deixa claro que existe sim um trabalho consistente de vídeoarte em nossa região e que merece atenção especial e olhar arguto para não apenas mapear sua produção e escrever sua história, mas construir uma reflexão necessária e urgente sobre esta linguagem no Pará.

NOTAS:

I Walter Zanni é professor titular aposentado da Universidade de São Paulo – USPA, Presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, foi diretor do Museu de Arte Contemporânea

de São Paulo – MAC/SP e fundador do Setor de Vídeo do mesmo Museu em 1977.

II Cacilda Teixeira da costa é curadora independente, Doutora em Artes pela Universidade de são Paulo e foi coordenadora do Setor de Vídeo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo em 1977 e 1978.

III Marisa Mokarzel é Doutora, em Sociologia, Mestra em História da Arte, Professora do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem da Universidade da Amazônia (UNAMA) e Diretora do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém do Pará.

IV Alexandre Romariz Sequeira possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará (1985) e especialização em Semiótica e Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (2005). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Plásticas.

REFERÊNCIAS:

MACHADO, Arlindo. Arte e mídia. Rio de Janeiro. Editora Jorge Zahar, Edição 2007.

MACHADO, Arlindo. A Arte do Vídeo. São Paulo. Editora Brasiliense. 2º Edição, 1990.

MACHADO, Arlindo (Org.). Made in Brasil: Três décadas do vídeo brasileiro. Editora Iluminuras e Itaú Cultural, 2007.

MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas & pós-cinemas. Campinas – São Paulo. Editora Papirus, 1997. – (coleção campo imagético).

MELLO, Christine. Extremidades do Vídeo. Tese de Doutorado em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2004.

OLIVEIRA, Relivaldo Pinho de (Org.). Cinema na Amazônia: textos sobre exibição, produção e filmes. Belém. CNPq, 2004.

RUSH, Michael. Novas mídias na arte contemporânea; NASSER, Cássia Maria

(Trad.); MICHAEL, Marylene Pinto (Revisão de Trad.), São Paulo, Editora Martins Fontes, 2006. (Coleção a).

VERIANO, Pedro. Cinema no Tucupi. Belém. SECULT, 1999.

ZANINI, Walter. “Primeiros Tempos as arte/tecnologia no Brasil” IN: DOMINGUES, Diana (Org.). A arte no século XXI – A humanização das tecnologias. EDUSP:

São Paulo, 1997.

Autores

ORLANDO MANESCHY

Artista, Professor e Curador Independente. É doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo [Signo e Significação nas Midias] (2005). É Professor Adjunto do Instituto de Ciências da

Arte – ICA da Universidade Federal do Pará, onde ministra cursos na graduação e pós graduação. Atua em projetos de arte no Brasil e no exterior.

DANIELLE BARBOSA

Graduada do Curso de Educação Artística da FAV/ICA/UFPA e ex-orientanda e ex-bolsista do CNPQ no sub-projeto Mapeamento da Produção Videográfica na Arte Contemporânea de Belém.

Fonte: ANPAP – 18º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas
Transversalidades nas Artes Visuais – 21 a 26/09/2009 – Salvador, Bahia