Exposição “Miriti das Águas” – Estação das Docas

O projeto Miriti das Águas pretende fomentar o artesanato em miriti, por meio da realização de uma exposição que envolveu no seu preparo a participação direta da comunidade de artesãos de Abaetetuba. Concomitante ao processo de desenvolvimento da mostra, também foi realizado o Concurso de Artesanato em Miriti, no intuito de incentivar o aparecimento de novos talentos e consagrar os já existentes neste domínio do saber-fazer artesanal paraense.

O projeto expositivo teve como concepção as representações das paisagens amazônicas, em especial a dimensão simbólica envolvendo a dinâmica rio-rua, tão presente no nosso cotidiano amazônico. Apresentamos, assim, o resultado da pesquisa etnográfica associada aos estudos das Coleções do Museu do Círio. O Museu da Imagem e do Som efetivou o registro das narrativas de caráter oral dos artesãos e artesãs e editou um documentário audiovisual sobre este saber-fazer artesanal em miriti, enfatizando o processo técnico e tecnológico de feitura do brinquedo em miriti.

Organizamos a ambientação artística e estética concebida pelo artista visual Emanuel Franco, em parceria com um grupo de artesãos. São grandes formas estruturadas em miriti, que serviram de sustentação para exposição dos brinquedos, assim chamadas: a) Esfera da Natureza (contendo brinquedos representativos da fauna e da flora, bem como os barcos); b) Cubo do Cotidiano e Trabalho (soca-soca, serrador, dentre outros); Cilindro do Círio (promesseiro, ex-votos, dentre outros).

Outra ideia presentificada em todo o circuito expositivo é aquela referente ao Círio, representado pela figura da corda, principalmente a linha sinuosa do movimento das mãos ao segurar a corda. Essa dimensão linear, um dos elementos constitutivos da visualidade ou plasticidade das formas, pode ser representada por vários elementos e figuras relacionados ao imaginário amazônico, entre elas destacamos a mitológica “cobra grande”. Uma das instalações criadas em miriti pelos artesãos e artesãs são “mãos que carregam uma corda e/ou uma cobra/brinquedo” que conduz a berlinda com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Outros elementos representativos do patrimônio cultural belenense são três grandes maquetes em miriti, onde aparecem: a Sé, a Berlinda e a Basílica, realizadas no âmbito do projeto Acorda em parceria com o IPHAN-Pará.

O atual projeto se baseou na exposição “Procissão dos Miritis” (2005), no entanto, foi ampliado em relação a esta primeira versão, com a colaboração do SEBRAE/PA e os apoios da Associação dos Artesãos de Miriti de Abaetetuba (ASAMAB) e a MIRITONG.

Sistema Integrado de Museus e Memoriais

Secretaria de Estado de Cultura do Pará

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Museu do Círio

O Museu do Círio finalmente contemplou a maior festa do estado do Pará em toda a sua dimensão simbólica, cultural e humana. A expografia anterior era de um vazio que irritava os visitantes, nada informativo e monótono. O Museu hoje revela o Círio em painéis, ex-votos e instalações e consegue transmitir a grandiosidade da manifestação. O uso das cores no espaço expositivo, a tipologia popular criada por Pedro Moura para os títulos dos painéis, a programação visual, os vídeos, a espiral/labirinto que leva a santa de miriti, o instalação sobra a Festa da Chiquita com o “veado de ouro” representando a parte profana da festa,  tudo foi realizado de forma criativa. Enfim um Museu do Círio digno da manifestação mais importante dos paraenses.

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O Museu do Círio fica na Rua Padre Champagnat, Casario da Igreja de Santo Alexandre, na Cidade Velha. Abre de terça a domingo, das 09h as 16h.

Novo Museu do Círio

Depois de alguns adiamentos parece que dia 15 de janeiro de 2009 será a inauguração da nova expografia do Museu do Círio, uma realização da Secult e Sistema Integrado de Museus e Memoriais, feita em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (MinC) e a Associação dos Amigos dos Museus do Pará.

Sendo o Museu do Círio naturalmente um espaço de grande atração de público devido ser um grande memorial a maior festa religiosa do Brasil essa revitalização se fazia necessária para contemplar a diversidade e a especificidade de seu acervo, composto predominantemente por ex-votos de romeiros. A expografia anterior não refletia a dimensão e a complexidade simbólica do Círio, não passava de uma composição cênica de vitrines e plotagens que não estimula a reflexão muito menos a interação com o visitante.

O Museu do Círio é hoje o museu que mais reflete as diretrizes modernas de museus, pois interage com a comunidade e extrapola seu espaço físico. O Projeto Pontão de Cultura Acorda levou seus técnicos para diversos municípios do Pará cobrindo as diversas procissões em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré que acontecem pelo estado, com oficinas de capacitação e registro das manifestações que resultou na exposição itinerante Nazaré de Todos Nós.

O Museu do Círio é certamente o mais paraense de todos os museus, e também o mais vivo e dinâmico.