A catedral e o caos

Foi entregue à sociedade paraense no primeiro dia do mês de setembro de 2009 as obras de restauro e revitalização da Catedral Metropolitana de Belém, a Sé para os íntimos. E intimidade é exatamente o termo pra definir este prédio histórico que é um referencial nas reminiscências de todos que moram ou passaram pela nossa cidade de Belém. A Sé vista de quem chega de barco é uma visão surreal. Hoje com a pintura revitalizada ao sol do equador é quase uma aparição de tão alva e radiante. À noite com a nova iluminação pontual e em cores com feixes de LED está moderna e utilizando consumo consciente. Uma obra que será certamente um marco em se tratando de restauro de igrejas no Brasil e no mundo. Toda essa beleza e imponência impactam ainda mais no momento de descaso e caos urbano pelo qual passa todo o centro histórico.

O projeto de restauro iniciou na gestão passada do governo do Estado e foi sabiamente priorizado, tendo garantidos seus recursos. Outro fator que ainda não está bem contemplado é a questão de preservação do entorno, mas é deveria ser um trabalho que englobaria o Governo do Estado, a Prefeitura de Belém. Persistem por todas as calçadas adjacentes os postes de luz com suas caóticas fia e a múltiplos setores da sociedade. A Secretaria de Cultura faz a parte que lhe cabe, resta às outras Secretarias e à população contribuírem com suas parcelas de responsabilidade. Ainda persiste o trafego de veículos pesados, apesar de existir uma lei que limita em horários os veículos de carga não se leva em conta as linhas de ônibus urbano em toda a área restaurada, estes veículos bem mais prejudiciais às estruturas, e por vezes ocupando mais de 50% nas estreitas calçadas, constituindo infração e um perigo para os transeuntes e portadores de necessidades especiais. O casario da ladeira entre o Forte do Presépio e Santo Alexandre está ainda ocupado por cortiços e uma das casas já caiu. A Feira do Açaí persiste no ambiente de subemprego, violência, álcool, prostituição e drogas, tudo visto do mirante do Forte do Presépio. O poder judiciário em todas suas esferas ocupa inúmeros imóveis na área, e isso não aumenta as perspectivas de solução dos problemas apenas criam outros por sobrecarregarem de veículos toda a área desde a Rua João Diogo até quase a Avenida Tamandaré. Não entrarei na questão dos ambulantes e bancas de pirataria, pois é endêmico, tal um parasita que se reproduz e destrói o hospedeiro, no caso nossa cidade. São incontáveis situações de involução urbana que transformam iniciativas como a revitalização da Sé em ilhas de preservação cercadas por ignorância e abandono por todos os lados.

As obras de revitalização do Patrimônio histórico feitas no Núcleo Feliz Lusitânia (Igreja de Santo Alexandre, Arcebispado, Casario da Padre Champagnat, Casa das Onze janelas e Forte do Presépio), o Palácio Lauro Sodré e a Catedral Metropolitana de Belém são obras hoje essenciais para Belém do ponto de vista histórico e turístico, acabam por ser encaradas pela grande maioria da população como obras elitistas em cujos eles espaços não são bem-vindos. O tema é vasto e aberto à discussão para toda a sociedade.
Esses vídeos pescados no Youtube, um institucional e outro feito por independentes,  exemplificam a situação.

A grandiosidade artística e arquitetônica:

O caos urbano:

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