Exposição “Na Passagem da Corda”, 1999 – Coletiva Anual da Associação dos Artistas Plásticos do Pará

coracao armandoEm 1999 a Associação dos Artistas Plásticos do Pará montou uma exposição coletiva temática sobre o Círio de Nazaré, nomes como Armando Queiroz, Emanuel Franco, Maria Christina, Nina Matos, Octávio Cardoso, entre outros. A exposição aconteceu no Museu de Arte de Belém, com apoio da Prefeitura de Belém, e foi um desdobramento do II Encontro dos Artistas Plásticos do Pará. [imagem: Coração, de Armando Queiroz]

[Obra em Questão] – “Palomo” de Berna Reale, por Tadeu Lobato

Quem mais poderia permitir tamanha audácia de um cavalgar silencioso e autoritário se não a própria sociedade instalada em suas poltronas cínicas e autoritárias. O trotar irritante e permanente de um pégasus que sobre ás rédeas de Diomedes, sacia-se da carne humana em oferta infame! O passeio pela cidade quase vazia revela a indiferença e a Conveniência com a maldade. É isto o que queremos,desejamos ? O Rei dos Bistones ? Um corcel infernal a espalhar excrementos na urbe infiel e analfabeta ? É quando todos se calam que as rapinas em vôos rasantes alimentam-se dos já quase mortos, Que em cortejo como o bando de Hellequin, ruminam o fim…Tak…Tak…tak…Tak…Tak.

Tadeu Lobato

09/11/2012 XXI

Lançamento do Dossiê “Por uma cartografia crítica da Amazônia”

De abril a agosto de 2012, em Belém do Pará, iniciou-se a busca de uma síntese. Pontos críticos desse enigma alcunhado Amazônia começaram a se grafar em Dossiê: físico e digital. Surgiram fascículos: “Prólogo: Perigoso e Divertido”, “Vontade de Potência”, “Estamos em greve”, “Redes locais, Autonomia”, “Epílogo: Entre rios, rua e igarapés”.

Coordenado por Giseli Vasconcelos, e tendo na equipe Mateus Moura, Romario Alves, Ícaro Gaya, Lucas Gouvea, Bruna Suellen e Arthur Leandro, e quaisquer colaboradores, o processo (que sempre estará em processo) de construção desse documento aberto pretende, entre outras coisas, olhar do alto, de baixo, de dentro, de fora, na altura dos olhos, no espelho. AMAZÔNIA é o nome da floresta-enigma que está sendo in-plorada. Trabalhoso.

Os vídeos em construção foram denominados remix-texturas (rmx txt ura’s), ‘remix’ enquanto ressignificação do que já existe, ‘texto’ (no sentido máximo, sendo sinônimo de imagem – visual, sonora, conceitual) e ‘urdidura’ (s.f. ação ou efeito de urdir; conjunto de fios no tear por entre os quais se faz a trama; Fig. tramóia, intriga, maquinação).

Colaborativo, o viés do projeto/processo abre à opinião pública às portas digitais.
Há muitos afetos para se construir, muitos paradigmas para se destruir, muitas árvores para compreender. Por outras cartografias.

Fonte: Qualquer Coletivo

 

 

 

DIGA NÃO AO PROJETO DE MUDANÇAS DOS PRÉDIOS HISTÓRICOS DE BELÉM!

ASSINE AQUI A PETIÇÃO!

Em muitas cidades pelo país como Salvador, São Luis, Recife, que investem no turismo, preservam suas origens, seus centros históricos, patrimônios e não deixam de lucrar com isso. Mas em Belém é diferente, porém exatos 22 vereadores aprovaram o projeto que dispõe a alteração do Plano Diretor Urbano do Município de Belém buscando alterar a lei que protege o Centro Histórico de Belém, permitindo que se construam prédios que o descaracterizam. Próximo de 400 anos é triste saber que o poder das construtoras é maior que o amor que devemos ter pela memória, pelo patrimônio histórico, onde surgiu a cidade de Belém. Aquele espaço é o nosso resquício do que já foi à cidade mais portuguesa do Brasil. Realmente, somos a cidade do “já teve”, não deixe isso continuar, o projeto foi aprovado pelos vereadores, porém, fica reservado o poder se sancionar ou vetar ao prefeito de Belém, vamos nos mobilizar para que essas assinaturas possam chegar às mãos do prefeito. DIVULGUE!


Vão destruir o ver o peso e construir um shopping Center
Vão derrubar o Palacete Pinho pra fazer um condomínio
Coitada da Cidade Velha que foi vendida pra Hollywood
Pra ser usada como um albergue num novo filme do Spielberg

 

Por que isto é importante

O projeto do vereador Gervásio Morgado de alterar os prédios históricos de belém foi aprovado.
Nós não podemos deixar que o nosso passado morra ou seja alterado!
Vamos VETAR esse projeto!!!

“América Tecnofágica: Reciclagem, apropriação e politização das mídias marcam arte” por Giselle Beiguelman (Revista Select)

por Giselle Beiguelman (Revista Select)

Artemídia latino-americana devora tecnologia para globalizar conceitos

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Imagem dos pinhole-vídeos de Direcu Maués 

É senso comum associar a artemídia com a interatividade. Mas interação tornou-se palavra tão recorrente no dia a dia que virou um conceito Bombril: serve para tudo e não define ou qualifica nada, especialmente do ponto de vista estético. Jorra interação por todos os poros da contemporaneidade. Basta ligar a televisão, o rádio, o computador, o celular e lá está a tal da interatividade a nos espreitar. Pode-se mesmo dizer que interação é a commodity da indústria da informática e das telecomunicações, seu produto primário e de base.

Navegando contra essa tendência vem se consolidando na América Latina uma gama de práticas artísticas que chamam a atenção por tensionar o campo da interatividade para além da mera aplicabilidade embutida nos seus projetos industriais, mas sem apelar para um discurso conservador e extemporâneo que a renega. Trata-se de uma onda tecnofágica que devora a tecnologia, triturando-a para reinseri-la aos contextos locais e linká-la ao panorama global.

Nesses projetos, são marcantes as operações de combinação entre a tradição e a inovação, a revalidação das noções de high e low tech e ações micropolíticas de apropriação das mídias. É o que fica claro quando se atenta para a produção de artistas como o brasileiro Dirceu Maués, o colombiano Edwin Sanchez e o mexicano Arcangel Constantini.

Dirceu Maués e a filosofia da caixa preta 2 0

Feito Poeira ao Vento, um dos pinhole-vídeos de Dirceu Maués, artista premiado no 17o Videobrasil

Ele faz câmeras pinholes para capturar imagens que, digitalizadas e editadas em vídeo, são disponibilizadas na internet. As câmeras são de vários tipos e sua engenhosidade e visualidade estabelecem o status de obra de arte. De uma caixa de fósforos, utilizada para capturar um voo de Belém a Brasília, a uma lata redonda de Sonho de Valsa, para fazer uma série de fotos panorâmicas, tudo vira um terceiro olho nas mãos de Dirceu Maués (Brasil, Belém, 1968).

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Acima e abaixo, câmeras desenvolvidas por Dirceu Maués

Em tempos de câmeras digitais que fazem tudo, ele prefere começar por um dispositivo artesanal, concebendo a câmera de que precisa para a imagem que vai ainda inventar. Anacronismo? Nada disso. Puro enfrentamento com a caixa preta, vontade de “ter controle sobre algumas coisas e não deixar o controle todo para a câmera”, diz.

Apesar de o trabalho com pinholes permitir que ele participe da produção da imagem desde a construção da câmera, ele não apaga, mas sim acentua, o rastro ma-quínico do processo de criação, justamente por contradizer a lógica industrial. Maués explica o paradoxo: “Ao mesmo tempo que tenho um controle muito maior sobre tudo, estou aberto aos erros, acasos e imperfeições do processo. As câmeras industriais já vêm com seus programas e subprogramas, muitos botões para apertar. A despeito do número enorme de possibilidades de uso, de certa forma tudo isso representa uma limitação, pois acabamos seguindo padrões e modelos que já estão inscritos na câmera, padrões que perseguem uma certa perfeição que não me interessa muito”.

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À direita, protótipo da pinhole controlada para captura de imagens 3D

A construção das câmeras é, acima de tudo, “uma forma de colocar questões sobre a tecnologia”, afirma Maués. Esse questionamento passa, contudo, longe da vontade de negá-la. Evidências disso são os projetos mais recentes do artista, em que utiliza câmeras artesanais controladas por arduíno (uma plataforma de hardware aberto e de fácil reprogramação). “O objetivo é desenvolver uma pinhole que captura imagens diretamente em película de cinema e uma pinhole 3D”, diz.

Edwin Sanchez e a arte do assalto

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Frames de vídeos gravados pelas Farc, copiados pelo colombiano Edwin Sanchez e usados em Crossing Points

Designer, ele tem parte de seu sustento ancorada no mercado de vídeos institucionais. Em uma prestação corriqueira de serviço, Edwin Sanchez (Colômbia, Bogotá, 1976) foi contratado pelo governo para fazer um vídeo, utilizando material apreendido dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc). Ele fez o vídeo, mas copiou todo o material e o utilizou como base de sua instalação Crossing Points (2010), um dos projetos selecionados para o Videobrasil 2011, em cartaz no Sesc-Belenzinho, em São Paulo, até 29 de janeiro.Os vídeos surpreenderam Sanchez porque apresentavam os guerrilheiros em seu cotidiano, “dormindo, comendo, tomando banho, contando piadas. Como pessoas, camponeses, trabalhadores, amigos, enfim”, conta. Ele afirma que a guerra civil colombiana é também uma batalha midiática, uma disputa de imagens: “Para o Estado colombiano, é importante lutar contra um inimigo forte, que seja perigoso e uma ameaça para a sociedade. Cria campanhas midiáticas de desprestígio e degradação, nacional e internacionalmente, contra seu inimigo, a guerrilha. Por isso acho importante evidenciar esse outro olhar do conflito”.

O projeto já foi apresentado em Bogotá e retoma algumas estratégias do artista. Ele procura sempre lidar diretamente com problemas colombianos que adquirem densidade por se articular a questões globais. Não idealiza o papel do artista na transformação social: “De dentro do circuito da arte, é quase impossível obter uma repercussão real ou afetar instâncias fora desse circuito. Mas isso é uma vantagem também, pois estou trabalhando com material quase roubado de uma instituição do Estado colombiano e, a partir da arte, posso falar sem ser incriminado. A arte permite jogar com a ilegalidade e o testemunho”.

Arcangel Constantini, o poeta do ruído final

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Icpticayoti retoma a tradição mariachi do contato por choque

Desconstruindo velhos consoles de videogame Atari, fazendo barulho com telefones quebrados, dando, literalmente, choques elétricos nos visitantes de suas obras, Arcangel Constantini (México, Cidade do México, 1970) derrete utopias e aposta em futuros mais sensíveis ao outro. Perambulador de mercados populares na periferia da capital mexicana, onde se vendem inúmeros equipamentos quebrados, ele se alimenta desse lixo industrializado para desfetichizá-lo.

“O que me interessa é o entorno e a percepção da obsolescência em suas distintas facetas. A decadência da matéria, causada pelas forças entrópicas, gera uma degradação constante da forma, como uma espécie de ruído. Enquanto isso, no entorno digital, um bit é um bit: o sistema que o contém é estável, não sofre degradação da informação por causa natural. Os erros nos processos digitais poderiam ser considerados uma referência dessa decadência” diz o artista. Ele traz isso à tona em projetos como Atari-Noise (1999), em que o célebre equipamento de 1977 foi modificado para que seus usuários produzam imagens imprevisíveis, a partir dos botões nativos e dos criados por ele.

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As espigas feitas com o biopolímero PLA, sintetizado do amido de milho, que questionam o política ecológica das corporações.

Em um de seus projetos mais recentes, Plástico/Milho/Plástico (2010), Constantini leva essa dimensão da concretude tecnológica ao limite. Comissionada para o Ano da Biodiversidade, pela Universidade Autônoma do México, a obra consiste em 800 espigas de milho plásticas. Esse plástico foi feito com ácido polilático, utilizado na produção de um poliéster biodegradável, mas não reciclável, derivado do milho, da tapioca e da cana-de-açúcar.

Para alguns, o projeto deve ter soado como a rendição ao sistema dos objetos e o fim da carreira de um dos príncipes do glitch, a incômoda estética do ruído. Quanta ingenuidade… É ele quem explica: “O milho é fundamental para nossa cultura. Mas a globalização permitiu que empresas capitalistas sem escrúpulos, que buscam apenas o lucro, modificassem geneticamente bactérias que processam o amido para passar a produzir o acido polilático, utilizado para o desenvolvimento de plásticos supostamente biodegradáveis, usados nas carcaças tecnológicas de telefones, laptops e brinquedos. O milho é um alimento fundamental de nossa dieta. Em um continente como o nosso, de tão alta taxa de desnutrição, ele está sendo usado para aumentar o mercado proprietário, sem tornar os consumidores conscientes do impacto gerado por essas empresas”.

Publicado originalmente na edição impressa #2.

Fonte: Revista Select


Enquete – Quem foi destaque nas artes visuais no Pará em 2011?

O blog Xumucuís escolheu seis artistas como destaques das artes visuais em 2011. É inegável a qualidade da produção artística em Belém apesar de poucos incentivos e, principalmente, espaços expositivos para dar vazão a esta grande produção. O  Museu Casa das Onze Janelas continua sendo a instituição referência em arte contemporânea, e o Centro Cultural Sesc Boulevard surge como uma das melhores infra-estrutura em espaço expositivo.

Roberta Carvalho ganhou prêmio no Diário Contemporâneo de Fotografia com o projeto #Symbioses, trabalho de grande impacto visual que foi convidado a participar para vários circuitos pelo Brasil. A grande exibição deste trabalho foi na Ilha do Combu, região das ilhas na frente de Belém, como resultado dos micro-projetos para Amazônia Legal da Funarte/MINC com o qual #Symbioses também foi contemplado.

Victor De La Roque ganhou prêmio no I Salão Xumucuís de Arte Digital com a interferência na web “Not Found”. Foi selecionado para o Arte Pará 2011 com a performance “Gallus Sapiens III” e participou da exposição “Caos e Efeito” no Itaú Cultural em São Paulo, que pra mim foi a grande mostra de arte contemporânea este ano no Brasil.

Drika Chagas com “Cidade Labirinto” levou seu grafite para o Centro Cultural Sesc Boulevard com uma grande instalação que foi sendo construída aos olhares do público. Foi uma grande surpresa ver a jovem artista levar seu poderoso grafite para uma galeria de forma tão inventiva e imersiva.

Flavya Mutran é Mestre em Artes e teve seu trabalho “Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis” exposta em Porto Alegre, resultado do prêmio da Funarte, e em Belém, contemplado pelo edital do Espaço Cultural Banco da Amazônia. Flavya mergulhou na web com sua fotografia e pensamento e criou um universo de reflexão da identidade sem perder a potência das imagens.

Keyla Sobral encontrou em sua poesia visual, em seus singelos desenhos, uma forma corajosa e bela de extravasar sua arte e seu íntimo.  A individual “Lá fora é bem melhor do que aqui dentro”  num flerte com a literatura definiu Keyla como artista, em vida e arte. Prêmio Aquisição no Arte Pará 2011, Keyla desenvolveu este trabalho com a Bolsa de Pesquisa do Instituto de Artes do Pará.

Marcone Moreira ganhou o maior prêmio das artes visuais no Brasil, o Marcantônio Villaça. Produzindo sua obra em Marabá, com a participação da comunidade, Marcone é um jovem veterano das artes no Pará. Suas grandes obras possuem uma força primitiva, numa forma de arqueologia de artefatos que o artista inventa com os resíduos de uma amazônia em transformação.

Aparelhagens recebem veto ao título de patrimônio (Diário do Pará)

(Foto: Tarso Sarraf – Diário do Pará)

Em relação a esta recente polêmica tenho um posicionamento totalmente contra essa insanidade cultural. Fica claro uma movimentação de políticos tentando angariar votos da grande massa que ouve e dança as aparelhagens, em especial o tecnomelody, nas periferias de Belém. Acredito ser a aparelhagem sonora uma manifestação artística e cultural muito cativante, com suas torres de luz e som, fogos de artifício, porém duvido que torná-la patrimônio seja de alguma valia para a manifestação e, indo além, que esse registro como patrimônio seja compreendido em sua plenitude até pelas pessoas que elaboraram a Lei. Esse registro se faz necessário para ritmos com carimbó ou chorinho, que estão de fora do mercado musical, legal ou ilegal, e precisam de apoio institucional para serem preservados. A aparelhagem não precisa disso, está em franca expansão e a cada dia mais confusa conceitualmente.  Em relação a criação artística esse novo tecnobrega (melody) é um arremedo do House e do Trance feito em estúdios por “músicos” em escala industrial, perderam o caráter lúdico e romântico de aparelhagens como o Diamante Negro e a Brasilândia, viraram uma rave de periferia onde gangs de traficantes orquestram um coletivo regado por “baldes” de cerveja. Um modelo de negócio baseado na reprodutibilidade ilegal de mídias, na poluição sonora e na exaltação dos djs-empresários que monopolizam o negócio. Escuto música paraense há muito pra ficar calado quando um ritmo, que já não tem nada de raiz ou de original, tenta ser a música tipo exportação do nosso estado. Esse é o MEU ponto de vista. Segue abaixo uma materia que demonstra vários pontos de vista sobre a questão veiculada no Diário do Pará.

Aparelhagens recebem veto ao título de patrimônio

Sempre polêmico, o tecnomelody mais uma vez anda causando barulho. E sim, é por causa das suas potentes aparelhagens. Enquanto o ritmo que mistura batidas eletrônicas e brega se torna cada vez mais popular e começa a fazer carreira para além das fronteiras do Estado e até mesmo do Brasil, por aqui, fervilha a discussão do valor desse estilo musical e do seu maquinário tecnológico como marcas da identidade cultural paraense.

Isso porque, no último dia 15 foi vetado pelo governo estadual o projeto de lei que pretendia tornar o tecnomelody e as aparelhagens patrimônios cultural e artístico do Pará. A decisão veio depois do projeto ter sido aprovado por unanimidade na Assembléia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). Com o banho de água fria, DJs e bregueiros prometem lutar para reverter o veto.

Para esclarecer: a ideia de promover o ritmo ao título de patrimônio cultural – iniciativa do deputado estadual Carlos Bordalo (PT) -, seguia promissora, e foi aprovada sem qualquer oposição no último mês de março na Alepa. Mas eis que a inclusão das aparelhagens também como patrimônio causou a discórdia entre deputados e a assessoria jurídica do governador Simão Janete. Segundo nota publicada no Diário Oficial, mesmo admitindo a relevância à proteção ao tecnobrega como ritmo musical exclusivo do Pará, o governador alegou que “o mesmo não se pode afirmar quanto às aparelhagens de som e seus símbolos, os quais não passam de meio material da divulgação do ritmo em questão, que não detém significação cultural ou artística, mas meramente técnica (sem qualquer inovação tecnológica) e comercial (os símbolos, marcas de propaganda)”.

REPERCUSSÃO

“Achar que as aparelhagens são meramente uma máquina de som é até ignorância. As aparelhagens já existem há mais de 60 anos nas festas paraenses. São um símbolo cultural, integram o movimento do tecnomelody que, aliás, sempre foi marginalizado, porque nunca recebeu nenhuma benesse do governo, nunca foi acolhido. Ele existe por muita competência de organização independente, e por isso está fortalecido no mercado”, diz Manoel Machado Júnior, presidente da Associação dos Proprietários de Aparelhagens Sonoras do Estado do Pará, Apasepa, que reúne as mais populares: Rubi, Tupinambá, Príncipe Negro e Superpop.

Ainda segundo o texto do Diário Oficial, Jatene argumenta que, ao pretender tornar as aparelhagens como patrimônio cultural, o projeto de lei transgride a Constituição.

“Assim, como o cerne da lei aprovada é um só artigo (o 1º), onde se constitui a proteção artística cultural para o ritmo (até esse ponto constitucional), se a redação dele fosse até aí, não estaria contaminado pela inconstitucionalidade. Mas, ao estendê-la para o meio sonoro e marcas de divulgação do ritmo, foge do conceito destinado à proteção cultural e artística imaterial. Então, acaba por torná-la inconstitucional em seu todo”, conclui o governador em seu pronunciamento.

Edilson Santos, dono de uma das maiores aparelhagens do Pará, o Príncipe Negro, critica o ponto de vista do governo. “Você consegue ver o tecnomelody sem aparelhagem? Não existe isso. A aparelhagem é como se fosse o trio elétrico da Bahia, só que fixo. Se lá o trio é patrimônio do estado, porque aqui as aparelhagens não podem ser?”, argumenta DJ Edilson, que há 22 anos toca nas picapes.

O momento é de contra-ataque. Pelo menos é o que planejam os artistas ligados ao tecnomelody. “Estamos revoltados. A primeira iniciativa é procurar apoio dos deputados e buscar uma solução. A situação é lamentável. Eu espero que o veto não tenha sido por questões de ordem política, já que o deputado que propôs a lei é de oposição ao governo”, diz Manoel Machado.

Bordalo explica que os argumentos do governador estão sendo analisados, e que o veto não representa uma decisão definitiva para o futuro do projeto de lei.

“Já que se estabeleceu um conflito entre a Comissão de Constituição e Justiça da Alepa e a Assessoria Jurídica do Governador, o documento volta para a Câmara para que sejam apreciadas as argumentações de veto. E eu acredito completamente que não teremos que mudar nada no projeto, porque não há nada nele de inconstitucional. Vou defender a derrubada do veto”.

Brasil está de olho no ritmo

Enquanto a polêmica toma corpo na Câmara, fora dela também não faltam opiniões. O músico Felipe Cordeiro, que ganha projeção nacional com seu novo disco, que transita por vários elementos do brega, considera o projeto um tanto oportunista. “Me parece um pouco inadequado. Há outras manifestações populares à frente nessa causa, como o carimbó, principalmente. Há uma certa dose de oportunismo pelo momento do tecnobrega. O brega, sim, é uma das marcas mais fortes daqui. Mas o tecnobrega é recente, é uma manifestação urbana, que de certa forma tem a proteção de grupos de mercado”, argumenta o artista, filho de Manoel Cordeiro, nome de vanguarda da lambada paraense.

Para Bordalo, é hora de brigar pela aprovação do projeto. “Recentemente, a banda Deja Vu tentou patentear o tecnomelody como ritmo baiano. Precisamos defender o que é nosso”, diz.

Mais do que o apelo cultural, há quem destaque a imponência econômica do estilo musical. “No Sul e Sudeste, há muitas pesquisas que investigam as raízes do tecnomelody, o que ele representa como cadeia produtiva. Ou seja, o Brasil todo está interessado nisso. Inclusive ele foi apontado como uma das maiores oportunidades de negócio aberto de toda a América do Sul”, diz o presidente da Apasepa, Manoel Machado, referindo-se ao livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música”, publicado em 2008 pela Fundação Getúlio Vargas. (Diário do Pará)

A inauguração do Palacete Pinho e considerações acerca do patrimônio histórico em Belém

A inauguração do Palacete Pinho, restaurado depois de 7 anos de ingerência patrimonial, gera várias discussões. A primeira que levanto é quanto ao seu uso e a sustentabilidade do patrimônio histórico, já vimos várias ações parecidas que pela falta de manutenção e recursos os prédios precisaram ser restaurados poucos anos depois (ou nunca). Precisa ser elaborado, junto com o IPHAN um projeto de manutenção contínua, pois o dinheiro público não pode ser desperdiçado continuamente. Quanto ao uso é imprescindível que a instituição que ocupe o prédio tenha um projeto de sustentabilidade, não se pode depender de trâmites burocráticos intermináveis para desentupir um calha ou trocar uma telha. O uso cultural-artístico e social do espaço, no caso do Palacete Pinho, pode ser uma ponte de integração com as comunidades das cercanias tão carentes de espaços como bibliotecas e cinema, por exemplo. O MABE, dentro da estrutura da Prefeitua de Belém, seria a instituição adequada para gerir o espaço e lhe dar o uso adequado, galeria, auditório, biblioteca, arte-educação, enfim. Outra questão preocupante é o fluxo de veículos pesados na Doutor Assis, abala de forma contínua a estrutura, prejudicando-a dia-a-dia. Deveria ser pensando um desafogamento do tráfego em toda a Cidade Velha e Comércio (uma utópia). Ainda é cedo para agradecer este novo espaço, ainda é uma incógnita, não sei se podemos comemorar ou nos preocupar ainda mais.

Segue abaixo a matéria publicado sobre esta inauguração:

Rua Doutor Assis, 586, Cidade Velha. No logradouro está o Palacete Pinho, construção imponente e símbolo de riqueza em Belém. Construído em 1897, pertenceu à família do comendador Antônio José de Pinho – um rico empresário local – até final da década de 1970, quando o imóvel foi vendido. Nesse período inicia a conturbada história de tentativas de recuperação do patrimônio. Na década seguinte, o imóvel foi comprado por uma rede de supermercados, sob alegação de que seria transformado em fundação cultural, mas na verdade foi utilizado como depósito de produtos, o que contribuiu para sua degradação. A situação chegou ao limite em 1986, quando o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 1992, o Palacete Pinho foi desapropriado pela Prefeitura de Belém, que passou a ser gestora do imóvel. Sem iniciativas de conservação, avançava o estado de degradação do prédio, que chegou a sofrer saques de azulejos e balaústres, entre outros bens, sendo ainda ocupado por moradores de rua. Em 1995, sob coordenação da arquiteta Jussara Derenji, surgiu o primeiro projeto municipal de restauração do palacete, mas não foi possível captar verbas. Apenas em 2003 a captação de recursos foi aprovada via Lei Rouanet. As obras se estenderam desde então, sendo realizadas com muitas intervenções e em meio a problemas administrativos. Finalmente restaurado e reestruturado, o Palacete Pinho será inaugurado hoje, às 19h, em comemoração ao aniversário de 395 anos de Belém, celebrado amanhã.

Para além da restauração, prossegue a confusão na administração do patrimônio: na última sexta-feira, 7, o prefeito Duciomar Costa admitiu, durante entrevista coletiva, que ainda não se sabe o que será feito do Palacete Pinho.

Segundo Raimundo Pinheiro, presidente da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), entre as possibilidades estão um centro cultural (com eventos, exposições e cursos), uma escola de artes e/ou música ou ainda alguma secretaria municipal. De maneira retórica, ele demonstra não estar entrosado no assunto e garante que em até 30 dias será anunciada a finalidade do imóvel. “Tivemos uma série de problemas técnicos e jurídicos. O nosso grande esforço foi concluir a obra, e o que vai funcionar aqui é o de menos. É fundamental olhar para o presente, deixar o passado, e ver que está sendo resgatado um patrimônio histórico de Belém”, diz.

Questionado se seis anos (período da gestão Duciomar) não seriam suficientes para se pensar num projeto completo, com finalidade de uso e estruturação de um corpo técnico para o pleno funcionamento do Palacete, Raimundo Pinheiro reitera que agora é importante pensar em inaugurá-lo, mesmo sem desígnio. “A prefeitura está pensando agora o melhor uso do Palacete. Após a inauguração, será feita a entrega de comendas e depois abriremos para visitação pública”, diz.

Pressão para agilizar as obras

De acordo com George Venturieri, arquiteto da Fumbel desde 1997, pelo projeto inicial de restauro, o Palacete Pinho seria transformado em escola de música. Ele informa que existe uma sala projetada para concertos musicais, que contém palco e foi preparada acusticamente para esta atividade. O porão também possui isolamento acústico. Mas haveria um problema essencial: não existe corpo técnico para a fundação de um estabelecimento público de ensino musical. “É claro que foi preciso justificar a reforma para um uso. Mas se não tiver um corpo funcional para administrar e gerir, nada se institui. Foi o que aconteceu”.

George Venturieri é um dos arquitetos que fazem parte do corpo técnico da Fumbel e que, juntamente com engenheiros e historiadores, foi responsável pelo acompanhamento das obras feitas pela Estacon Engenharia, empresa vencedora da licitação. A fiscalização das obras ficou por conta da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb). Ele diz que a maior dificuldade para a conclusão das obras de restauro foram os problemas administrativos. “Obra de restauro não é uma obra comum. Às vezes é preciso reconstruir o que não existe mais, como azulejos e ladrilhos hidráulicos”, explica. A obra custou aproximadamente R$ 7,8 milhões, sendo mais de R$ 4 milhões captados com as empresas Vale e Eletrobras, via Lei Rouanet, e R$ 3 milhões de contrapartida da prefeitura.

“Era uma obra que incomodava porque não estava pronta. E a população cobrava”, comenta.

Ainda de acordo com outro funcionário da Fumbel, Leonardo Freitas, chefe de divisão do Departamento de Patrimônio Histórico, as obras só foram aceleradas por conta das cobranças do Ministério Público Federal, que em 2005 acusou a prefeitura de ter paralisado a restauração quando faltavam menos de 10% para sua conclusão.

O procurador regional da República, José Augusto Potiguar, responsável pelo caso, demonstrou que até aquele momento a prefeitura havia recebido R$ 6,1 milhões para a restauração, mas não havia aplicado o recurso devidamente. “Recebemos muitas recomendações do Ministério Público para que a obra fosse finalizada. Faltavam 20% da obra para ser concluída”, informa Leonardo, com dado diferenciado.

Em 1997, obras de restauração emergenciais já haviam sido feitas. As obras com recursos incentivados começaram oficialmente na gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues, no final de 2003. Em pouco mais de um ano, calcula-se que entre 80% e 90% das obras já estavam prontas quando Duciomar Costa assumiu a prefeitura. E na sua gestão, levou mais de cinco anos para concluir o restante.

PARTICIPE

Solenidade de reinauguração do Palacete Pinho (Rua Doutor Assis, 586, Cidade Velha). Hoje (11), às 19h, com entrada franca. (Diário do Pará)

Fonte: Diário do Pará

Exposição “Confluências JAPANAMAZÔNIA” – Galeria Fidanza, Museu de Arte Sacra

A escolha da Galeria Fidanza, no Museu de Arte Sacra, pra abrigar o projeto Confluências JAPANAMAZÔNIA  já foi o primeiro acerto, de muitos, desta exposição com  curadoria de Mariano Klautau e Makiko Akoa. A atmosfera do lugar e as possibilidades de iluminação (dedolight e spots) da galeria fornecem um dos melhores espaços da cidade para exposições de fotografia. Confluências… foi idealizado por Makiko Akao, da Kamara Kó Fotografias, e o projeto teve por objetivo “registrar através de imagens a sutileza e a poesia dessa coexistência em diversos municípios do Pará, onde foi detectado que é possível ser brasileiro e ser japonês(…)” e como fotógrafos para este mapeamento Miguel Chikaoka, Paula Sampaio e Alberto Bitar, escolha mais do que acertada por serem artistas que extrapolam o simples registro e adicionam ao branco e preto movimento e emoção. Os textos da exposição que revelam essas memórias Japão/Amazônia foram elaborados por Rose Silveira e, um ponto positivo da exposição, traduzido para o japonês.  A programação visual do designer Gil Yonezawa utilizou, tanto nos impressos como na exposição, utilizou o cinza e o preto, bem pertinentes com as fotografias em b/p, e fazendo um interessante jogo com a tipologia fugiu do clichê (arial, times, tahoma, verdana, garamond) e padronizou todas as peças. A ótima diagramação das fotografias no espaço expositivo teve como ponto final do percurso um mosaico de imagens que remeteu à uma sensação de saudade de um mundo que acabamos de conhecer. O vídeo que compõe a exposição utiliza criativamente a seqüência fotográfica (frames) das imagens selecionadas, e ampliam o objetivo memorialista do projeto e deixam evidente ao público o processo de captura da imagem/momento, árduo e paciente. Confluências JAPANAMAZÔNIA é um projeto artístico e etnográfico que deveria servir de modelo para outras incursões pelo universo cultural e imagético da Amazônia.

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Exposição Confluências JAPANAMAZÔNIA

Realização Kamara Kó Fotografias

Concepção e Coordenação do Projeto Makiko Akao

Fotografias Alberto Bitar, Miguel Chikaoka e Paula Sampaio

Curadoria Mariano Klautau Filho e Makiko Akao

Tradução Japonês Haroldo Sato e Yuka Amano

Assessoria de Imprensa Suely Nascimento

Programação Visual Gil Yonezawa

Produção Lana Machado e Makiko Akao

Tratamento de Imagens Labtec L@boratório Foto Digit@l

“O Percurso do Olhar” Luiz Braga – Sala Valdir Sarubbi, Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas

A exposição de Luiz Braga na Sala Valdir Sarubbi, do Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas, é uma oportunidade única de conhecer a obra deste fotógrafo paraense. A leitura das obras presentes na exposição mostra claramente o quanto a fotografia contemporânea no Pará é influenciada pelo trabalho de Luiz Braga. Em branco/preto ou em cores, e na mais recente incursão em nightvision, o autor capta a essência do universo amazônico, seus contrastes e nuances, a poética ribeirinho-suburbana. O vídeo presente na entrada da exposição, “Lugares de Afeto”, com direção de Jorane Castro, foi muito feliz em fazer com o artista o seu “percurso do olhar” e contribui muito para a compreensão da exposição. As cores utilizadas como background para as imagens, e o simples e objetivo projeto luminotécnico, destacaram muito bem obras do artista sem interferir na leitura da exposição, que traça uma linha do tempo na carreira do artista. A parede com as ampliações das obras mais marcantes do artista é um painel antropológico do “ser” amazônico, a miscigenação, o contraste social, e uma melancolia, que o paraense tenta disfarçar, mas que Luiz Braga em suas expedições consegue captar como ninguém. Ao visitar a exposição não viajamos apenas no espaço-tempo do artista, mas em nosso imaginário, que ao longo de sua carreira Luiz Braga ajudou a formar. Um percurso por nossa própria identidade.

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Ficha Técnica da Exposição

Leitura e Design da Exposição

Armando Queiroz e Nina Matos

Cenotécnica e Montagem

João Duarte, Marcos Moreira e Renata Belich

Administrativo

Jhivago Andrade e Sâmia Corrêa

Educadores

Bianca Shiguefuzi, Cilene Nabiça, Fagner Monteiro e Milena Claudino

Luminotécnica

Marcelo Carvalho

Vídeo

“Lugares de Afeto” de Jorane Castro

INFORME

O Museu Casa das Onze Janelas, vem informarmar que a ação Conversa com o Artista – Luiz Braga, com a participação da Crítica de Arte convidada Marisa Mokarzel, programada para acontecer hoje, 17/09, foi transferida para o dia 20 de outubro (quarta-feira) às 19h.

Informamos, também, que devido a relevância da ação museal de difusão de seu acervo , o Museu Casa das Onze estendeu a mostra LUIZ BRAGA o percurso do olhar até o dia 30 de dezembro de 2010.

Contamos com a sua presença no encontro do dia 20/10 ou durante o período expositivo, lembrando que tais ações de difusão de conhecimento, configuram-se em um passo importantíssimo para a preservação e resgate da memória da fotografia no Pará.

“da brancura infinita ao olor fugaz em Mais Rapidamente Para o Paraíso de Luciana Magno” – de Luizan Pinheiro

“A carne, a arte arde, a tarde cai, no abismo das esquinas.

A brisa leva traz o olor fugaz do sexo das meninas”.

O Homem Velho.Música de Caetano Veloso do disco Velô e Banda Nova (1984).

da brancura infinita. a pele. a pele que sai da pele. a esconder qualquer voz que a demarque. des.marcação in.visível. o silêncio da própria tessitura que a constitui a inibir qualquer mote. o monte no céu. o cio sob(re) nuvens. mergulha no fundo do branco.azul. desliza sobre o silêncio e desfigura o tanto. ela que lá está. da beleza. o corpo. percurso singelo sobre rodas entontecidas num frêmito de olhares vadios. a brancura rege o tempo da matéria. a fibra sintética floresce por todo o espaço. agora sim. projeta-se no pós.vazio. toma os olhos de todos. como a re.velar a nudez que zomba de Eros. este. apartado da cena. pois sua força já é toda branda. branca. o movimento sobre rodas tira o foco do que poderia ser sedução. tesão. tara. há mais branco aqui do que supunha a vertigem de um felino a vacilar na busca da brancura da carne. do sangue não mais. mas algo mais. o dizer de um lugar perdido de quem o corpo se flagra no vislumbre de um abrigo fluido. nuvem. nudez embranquecida a engendrar na corporeidade de sua imponderabilidade os sentidos de estranhos. acusam movimentos tortos sobre rodas. rotas. lá onde o chão que a descreve permite o fake do antro fechado a falsear o fora. boxing Luciana. antro fechado na composição do mundo.caixa de construção do movimento em duplicidade. o real e o virtual. dose dupla para embebedar corpos. o real é entre. entretenimento do que cabe na arte sua pulsação do jogo. do ardil. entrevisto num devir sobre rodas no que sugere o aberto no fechado. o fora no dentro. o virtual é fluido a emanar do in.color. fluidez da ninfa de púbis setentista a des.aparecer no incorpóreo do espaço virtual. virtualidade oblíqua a definir um todo na tez matizada em róseos e brancos. o desaparecimento é a condição de que o silêncio é todo tomado por ele mesmo. o silêncio. olhos de não.mais.se.ver remetem a um tempo longínquo que a imagem esvazia. esvaziamento todo carregado de uma lentidão que afirma a rapidez a um paraíso desinvestido da referência felliniana. a que se dá no título. e no outro ponto tem.se o rumor de vôo. toco então um Bach. o Richard do poético Fernão Capelo Gaivota. do mesmo o outro vôo. “o paraíso é uma questão pessoal”. todo paraíso pode ser perdido. ou alcançado segundo o que se quer que seja paraíso. ou se todo paraíso que se quer que seja paraíso está sempre longe. no mesmo registro bachiano. “longe é um lugar que não existe”. e se longe é um lugar que não existe nunca se chega ao paraíso nem mais rapidamente ou lentamente. talvez só sonolentamente. durma com um silêncio desse. porque o sono é o possível de uma recomposição ao visual. é esta sensação disparada pelo tempo da videoinstalação na pulsação da brancura infinita de que se sustenta a armadilha-Luciana. pode ser que alguém caia na armadilha in-suspeita. o que nos leva a um outro eixo desta armação crítico.poética intensificada num des.lugar. o corpo. em registro fluido da fêmea no deslize das emanações de um olor fugaz do sexo da moça . o sexo da moça branca nua não se demora no revés do olhar. é menos sexo. mesmo sendo. tudo ali é fugaz. nunca andar sobre aros entontecidos o fora. a fugacidade é corte no vazio de quem entra no jogo da ninfa silenciosa e seu quase.riso. quase.sexo. quase. quasímodos a olhar a moça na sua fuga para o paraíso. deixando em aberto a condição outra do jogo. regido por um pequeno demônio a levar os expectadores sobre rodas a sentirem-se mais leves. num falso.céu adocicado. adocicado sim pela substituição neste críticolhar da fibra sintética por algodão.doce. porque a vida é doce como queria o Lobo que era mau. e por um tempo efêmero a vida passa sobre rodas. a nos dizer de um paraíso que se quer para além da fugacidade que a videoinstalação sugere. construído numa passagem que a arte abre. está.se diante de um dizer que é quase.mudo na sua fração de arte. fração que é força de silêncio. tanto no vôo quanto na queda das rodas. mais lentamente para o paraíso tem uma verdade.fêmea que se expressa num domínio incessante do corpo da obra e do corpo.imagem da artista. toda. a obra. fechada como corpo no cubículo real.virtual de que é necessário pisar. e se “para pisar no coração de uma mulher basta calçar um coturno com pés de anjo noturno” na fina ambigüidade perceptiva de Chico Cesar. para pisar em mais rapidamente para o paraíso de Luciana Magno basta calçar patins.

ao som de Turn do disco The Man Who (1999) do Travis.

Luizan Pinheiro é Doutor em Artes Visuais

(História e Crítica de Arte) pela UFRJ.

Professor da Faculdade de Artes Visuais do Instituto

de Ciências da Arte – FAV/ICA da UFPA e do

Programa de Pós-Gaduação em Artes- PPGARTES do mesmo Instituto.