Xumucuís de Valdir Sarubbi

A instalação “XUMUCUÍS” foi criada por Sarubbi para participar da Pré-Bienal de São Paulo em 1970.

Artistas de todos os estados brasileiros foram chamados pela primeira vez a participar de uma seleção de artistas que representariam o Brasil na XI Bienal Internacional de São Paulo.

Valdir Sarubbi foi um dos 30 artistas selecionados.

Na Bienal Internacional, o artista ampliou seus bastões sonoros, que se tornaram um dos grandes sucessos do público que visitou a Bienal. A interação entre público e obra era completa, pois mexia com todos os sentidos de quem participava da instalação.

Vinte e dois anos depois Sarubbi remontou essa instalação quando foi convidado pela Deutsche Welle (radio internacional alemã) para expô-la em Colonia, Alemanha, durante as festas de comemoração dos 40 anos de sua inauguração.

Depois essa instalação permaneceu 2 anos na Alemanha, participando da exposição “AGUA, MMIRI, WASSER” , que reuniu artistas alemães, brasileiros e africanos que sempre trabalharam com a temática “ÁGUA”. Esta mostra, patrocinada pelo DEUTSCHE BUNDESSTIFTUNG UMWELT percorreu as seguintes cidades: Arnstadt, Munique, Rheine, Potsdam, Rügheim e Nuremberg.

A importância desse trabalho de Sarubbi foi resgatar o brinquedo “Pau de Chuva” e trazê-lo para São Paulo em 1970, quando era totalmente desconhecido pelo público paulista.

ASSUNTO
Trata-se de uma instalação que segue a coerência de meu trabalho, que sempre foi feito a partir de raízes amazônicas. Meu tema constante tem sido o RIO.

A instalação consiste em trinta e seis bastões de tamanhos diferentes que variam de 0.50m a 2.00m, montados em forma de totens sobre uma leve armação, que podem ser deslocados de suas
bases para serem manuseados pelo público.

Os bastões são levíssimos, recobertos com camadas de papel de seda franjado, de carater bem popular no estado do Pará, nas cores vermelho e branco.

0 público é convidado, através de um cartaz afixado ao lado do trabalho, a participar do mesmo. Tomando-se um dos bastões e girando-o lentamente em várias direções e dando voltas completas, ele emite sons de ÁGUA escorrendo, cachoeira, corredeiras, chuva caindo ou o que mais permitir uma imaginação fértil.

Os sons partem sempre do elemento ÁGUA. Quando várias pessoas estão manuseando os bastões, que emitem sons diferentes conforme o modo de manusear, é possivel se formar um som de música aleatória, bastante agradável e relaxante. Aliás, esse foi o motivo principal do convite feito pela Deutsche Welle, que divulga bastante a música experimental.

Na 11a. Bienal Internacional de São Paulo, em 1971, mostrei uma outra instalação que também usava esses objetos sonoros.

PROPOSTA
0 artista se propõe atingir as pessoas na maior parte de seus sentidos. Da visão, proporcionando uma experiência estética da forma, da cor e da organização dos objetos. Da audição, proporcionando ruidos relaxantes da Natureza. Do tato, através de uma relação acariciante com o franjado do papel de seda.

CONCEITO
“XUMUCUlS” tenta ser o tratamento atual de um tema popular.

Acredito que numa terra subdesenvolvida como a nossa é muito válida a utilização de elementos nativos para a criação de uma arte com características modernas. Embora os meios de comunicação tragam com rapidez considerável a todas as cidades o produto da Arte contemporânea internacional, não se pode negar que os condicionamentos regionais influam o artista que se propõe a fazer uma arte shéia, sincera, moderna e original.

Sou um homem que nasceu no interior do Brasil e dentro de mim existe muito do que vi na minha infância e do que vivi naquela época e naquele lugar. 0 artista é um cronista do seu tempo e do seu lugar e para isso ele se vale de todos os elementos que estão a sua disposição. Fazendo Arte com esses elementos (sofisticados, nobres ou primitivos) e tentando vários objetivos (sendo o mais importante deles, a comunicação) o artista hoje retrata sua época e seu lugar das maneiras mais variadas.

0 importante para mim não é o engajamento do artista dentro de tendências ou movimentos especificos, mas um visão aberta de quem olha a obra de arte para apreciá-la naquilo que ela apresenta de sensível, seja sobre que forma for. 0 importante para mim é que a arte que o artista faz seja um reflexo dele mesmo e não uma dublagem de tendências artísticas orquestradas pela mídia ou uma simples ilustração de teorias artísticas contemporâneas. Muito importante é o processo criativo do artista, que se desenvolve na medida em que ele cresce como pessoa humana. Sem queimar etapas, sem pressa para atingir o sucesso. Este crescimento se reflete no amadurecimento de sua obra.

Para uma perfeita comunicação entre o homem e a obra de arte creio necessário uma grande pureza e uma enorme sinceridade de ambas as partes.

Todos os caminhos são válidos para um artista percorrer. E eu tentei percorrer com este trabalho um caminho que me é muito caro e que me marcou profundamente: o da arte simples de meu povo e de meus ancestrais.

Originalmente estes objetos são pequenos brinquedos feitos com madeira de buriti (palmeira) e espinhos de tucum (palmeira), dentro dos quais se colocam sementes que, ao passar pelos labirintos de espinhos, emitem sons de Água escorrendo. Servem como chocalhos para brincadeiras de criançãs bem pequenas. Os sons são relaxantes e levam as criançãos a dormir.

ESPAÇO
A instalação será montada no centro de uma sala ampla, preferencialmente branca ou negra, para proporcionar aos espectadores visões diferentes de qualquer lado por onde eles se aproximarem para participar da experiência de sensorização com o trabalho.

TITULO
“XUMUCUlS” é o nome de um pequeno rio que existe no interior do estado do Pará, Brasil, onde nasci. A substantivação foi dada pela estreita relação entre o nome do rio e o som emitido pelos objetos.

CARTAZ
“APANHE UM DOS BASTÕES, GIRE-O LENTAMENTE EM VÁRIAS DIREÇÕES, DANDO VOLTAS COMPLETAS. VOCÊ VAI OUVIR SONS, APÓS ISSO, INVENTE OUTROS MOVIMENTOS, CRIANDO NOVOS SONS, QUE DESEJA OUVIR.”

Fonte: Valdir Sarubbi

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