Aparelhagens recebem veto ao título de patrimônio (Diário do Pará)

(Foto: Tarso Sarraf – Diário do Pará)

Em relação a esta recente polêmica tenho um posicionamento totalmente contra essa insanidade cultural. Fica claro uma movimentação de políticos tentando angariar votos da grande massa que ouve e dança as aparelhagens, em especial o tecnomelody, nas periferias de Belém. Acredito ser a aparelhagem sonora uma manifestação artística e cultural muito cativante, com suas torres de luz e som, fogos de artifício, porém duvido que torná-la patrimônio seja de alguma valia para a manifestação e, indo além, que esse registro como patrimônio seja compreendido em sua plenitude até pelas pessoas que elaboraram a Lei. Esse registro se faz necessário para ritmos com carimbó ou chorinho, que estão de fora do mercado musical, legal ou ilegal, e precisam de apoio institucional para serem preservados. A aparelhagem não precisa disso, está em franca expansão e a cada dia mais confusa conceitualmente.  Em relação a criação artística esse novo tecnobrega (melody) é um arremedo do House e do Trance feito em estúdios por “músicos” em escala industrial, perderam o caráter lúdico e romântico de aparelhagens como o Diamante Negro e a Brasilândia, viraram uma rave de periferia onde gangs de traficantes orquestram um coletivo regado por “baldes” de cerveja. Um modelo de negócio baseado na reprodutibilidade ilegal de mídias, na poluição sonora e na exaltação dos djs-empresários que monopolizam o negócio. Escuto música paraense há muito pra ficar calado quando um ritmo, que já não tem nada de raiz ou de original, tenta ser a música tipo exportação do nosso estado. Esse é o MEU ponto de vista. Segue abaixo uma materia que demonstra vários pontos de vista sobre a questão veiculada no Diário do Pará.

Aparelhagens recebem veto ao título de patrimônio

Sempre polêmico, o tecnomelody mais uma vez anda causando barulho. E sim, é por causa das suas potentes aparelhagens. Enquanto o ritmo que mistura batidas eletrônicas e brega se torna cada vez mais popular e começa a fazer carreira para além das fronteiras do Estado e até mesmo do Brasil, por aqui, fervilha a discussão do valor desse estilo musical e do seu maquinário tecnológico como marcas da identidade cultural paraense.

Isso porque, no último dia 15 foi vetado pelo governo estadual o projeto de lei que pretendia tornar o tecnomelody e as aparelhagens patrimônios cultural e artístico do Pará. A decisão veio depois do projeto ter sido aprovado por unanimidade na Assembléia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). Com o banho de água fria, DJs e bregueiros prometem lutar para reverter o veto.

Para esclarecer: a ideia de promover o ritmo ao título de patrimônio cultural – iniciativa do deputado estadual Carlos Bordalo (PT) -, seguia promissora, e foi aprovada sem qualquer oposição no último mês de março na Alepa. Mas eis que a inclusão das aparelhagens também como patrimônio causou a discórdia entre deputados e a assessoria jurídica do governador Simão Janete. Segundo nota publicada no Diário Oficial, mesmo admitindo a relevância à proteção ao tecnobrega como ritmo musical exclusivo do Pará, o governador alegou que “o mesmo não se pode afirmar quanto às aparelhagens de som e seus símbolos, os quais não passam de meio material da divulgação do ritmo em questão, que não detém significação cultural ou artística, mas meramente técnica (sem qualquer inovação tecnológica) e comercial (os símbolos, marcas de propaganda)”.

REPERCUSSÃO

“Achar que as aparelhagens são meramente uma máquina de som é até ignorância. As aparelhagens já existem há mais de 60 anos nas festas paraenses. São um símbolo cultural, integram o movimento do tecnomelody que, aliás, sempre foi marginalizado, porque nunca recebeu nenhuma benesse do governo, nunca foi acolhido. Ele existe por muita competência de organização independente, e por isso está fortalecido no mercado”, diz Manoel Machado Júnior, presidente da Associação dos Proprietários de Aparelhagens Sonoras do Estado do Pará, Apasepa, que reúne as mais populares: Rubi, Tupinambá, Príncipe Negro e Superpop.

Ainda segundo o texto do Diário Oficial, Jatene argumenta que, ao pretender tornar as aparelhagens como patrimônio cultural, o projeto de lei transgride a Constituição.

“Assim, como o cerne da lei aprovada é um só artigo (o 1º), onde se constitui a proteção artística cultural para o ritmo (até esse ponto constitucional), se a redação dele fosse até aí, não estaria contaminado pela inconstitucionalidade. Mas, ao estendê-la para o meio sonoro e marcas de divulgação do ritmo, foge do conceito destinado à proteção cultural e artística imaterial. Então, acaba por torná-la inconstitucional em seu todo”, conclui o governador em seu pronunciamento.

Edilson Santos, dono de uma das maiores aparelhagens do Pará, o Príncipe Negro, critica o ponto de vista do governo. “Você consegue ver o tecnomelody sem aparelhagem? Não existe isso. A aparelhagem é como se fosse o trio elétrico da Bahia, só que fixo. Se lá o trio é patrimônio do estado, porque aqui as aparelhagens não podem ser?”, argumenta DJ Edilson, que há 22 anos toca nas picapes.

O momento é de contra-ataque. Pelo menos é o que planejam os artistas ligados ao tecnomelody. “Estamos revoltados. A primeira iniciativa é procurar apoio dos deputados e buscar uma solução. A situação é lamentável. Eu espero que o veto não tenha sido por questões de ordem política, já que o deputado que propôs a lei é de oposição ao governo”, diz Manoel Machado.

Bordalo explica que os argumentos do governador estão sendo analisados, e que o veto não representa uma decisão definitiva para o futuro do projeto de lei.

“Já que se estabeleceu um conflito entre a Comissão de Constituição e Justiça da Alepa e a Assessoria Jurídica do Governador, o documento volta para a Câmara para que sejam apreciadas as argumentações de veto. E eu acredito completamente que não teremos que mudar nada no projeto, porque não há nada nele de inconstitucional. Vou defender a derrubada do veto”.

Brasil está de olho no ritmo

Enquanto a polêmica toma corpo na Câmara, fora dela também não faltam opiniões. O músico Felipe Cordeiro, que ganha projeção nacional com seu novo disco, que transita por vários elementos do brega, considera o projeto um tanto oportunista. “Me parece um pouco inadequado. Há outras manifestações populares à frente nessa causa, como o carimbó, principalmente. Há uma certa dose de oportunismo pelo momento do tecnobrega. O brega, sim, é uma das marcas mais fortes daqui. Mas o tecnobrega é recente, é uma manifestação urbana, que de certa forma tem a proteção de grupos de mercado”, argumenta o artista, filho de Manoel Cordeiro, nome de vanguarda da lambada paraense.

Para Bordalo, é hora de brigar pela aprovação do projeto. “Recentemente, a banda Deja Vu tentou patentear o tecnomelody como ritmo baiano. Precisamos defender o que é nosso”, diz.

Mais do que o apelo cultural, há quem destaque a imponência econômica do estilo musical. “No Sul e Sudeste, há muitas pesquisas que investigam as raízes do tecnomelody, o que ele representa como cadeia produtiva. Ou seja, o Brasil todo está interessado nisso. Inclusive ele foi apontado como uma das maiores oportunidades de negócio aberto de toda a América do Sul”, diz o presidente da Apasepa, Manoel Machado, referindo-se ao livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música”, publicado em 2008 pela Fundação Getúlio Vargas. (Diário do Pará)

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10 comentários em “Aparelhagens recebem veto ao título de patrimônio (Diário do Pará)”

  1. DE CERTA FORMA EU E ATE CONCORDO COM O GOVERNADOR EM NAO QUERER TORNAR AS APARELHAGENS PATRIMONIO HISTORICO, PORQUE NAO DEIXA DE SER VERDADE QUE MOVIMENTA O TRAFICO, ISSO E UMA VERDADE QUE NAO PODE DEIXAR DE SER DITA. POREM O TECNOBREGA TEM SIM QUE SE TORNAR PATRIMONIO DO PARA, SE NAO OUTROS VAO SE ADIANTAR E O PARA VAI MAIS UMA VEZ SER PASSADO PARA TRAS, COMO JA E DE CONSTUME.
    PORTANTO GOVERNADOR ABRE OLHO E NAO DEIXA O PARA PERDER MAIS ESSAM, SO PRA VARIAR.
    DEVEMOS LEVAR EM CONTA QUE O PARA TEM MUITO MAIS COISAS IMPORTANTES PRA SE PREUCUPAR…

    1. Um ritmo que vive de apropriação de músicas estrangeiras, gospel e etc. não pode reclamar de ser copiado. Outro caminho é o registro da obra, mas aí vão ter que usar a criatividade e parar de roubar músicas feitas, o que acho difícil. Eles estão ganhando muita grana tem é que parar de reclamar. Tem muita coisa por trás do fenômeno aparelhagem, não é apenas cultural a discussão, é principalmente econômica, social e política.

  2. Queria entender o paralelo entre festas aparelhagens e festas raves. Achei extremamente infeliz o paralelo, mesmo que eu concorde com a tua posição sobre o veto. Além de tudo, as raves nasceram de movimentos periféricos e se existe alguma relação, que seja essa. É bom ter conhecimento de causa antes de demonizar uma subcultura.

    1. Obrigado pelo comentário. Este blog não tem pretensões acadêmicas nem antropológicas, escrevo sobre o que me ocorre. Você também não opina sobre a questão, apenas discorda do meu ponto de vista. As festas ditas “rave” e as festas de tecnomelody não contribuem em nada com a cena cultural, são apenas uma arena de catarse sonora a base de entorpecentes. Evito ambas. A festa “rave” já implodiu em seu próprio vazio conceitual, o tecnomelody vai pelo mesmo caminho.

  3. Não opinei por não ter entendido o ponto de semelhança que tu tentaste exprimir. O auge da cena rave já implodiu em Belém, como você afirmou. Voltou pra onde não deveria ter saído (pro bem de quem aprecia), pro underground. E por que as festas raves não contribuem em nada com a cena cultural? As raves são exemplo claro de superação de barreiras geográficas com festivas que agregam culturas e pessoas de distintas localidades, com o interesse simples de ouvir música, que pela linguagem que fala, transpõe essas barreiras. Além de incentivar, potencializar e apresentar outras subculturas como: O vegetarianismo, o movimento gay organizado, o movimento pela legalização da Canabis, o neo-hippie, os nômades circences, o anti-consumismo e muitas outras.
    Acredito que o teu problema com “as ditas raves” seja gosto musical. Pois saiba você, que em localidades onde o cenário é mais bem organizado existem opções musicais que vão muito além do eletrônico. Estive um evento na Bahia onde ouvi projetos excelentes de música experimental 100% orgânica e também interações audio-visuais dignas de instalações em galerias de arte. E ainda por cima a organização do evento transportou e alocou parte de uma aldeia indígena para realizar vivencias e oficinas de pintura e artesanato.

    E sim, as pessoas consomem drogas e procuram a catarse sonora assim como fazem desde o período onde Baco era adorado. Seja ouvindo pagode, rap, eletrônica, rock ou carimbó as celebrações culturais incentivam a busca ao prazer.

    Te aconselho a dar uma olhada nesse documentário sobre o maior festival do mundo de cultura trance (não sou entusiasta e nem ouço em casa, mas respeito os desdobramentos positivos dessa cultura). Entenda as preocupações que rondam os ravers antes de afirmar que a coisa beira o “vazio conceitual” http://www.youtube.com/watch?v=cEWgz_x2OgE

    Espero que ajude a limpar esse vazio conceitual que a massificação da música eletrônica incutiu na cabeça das pessoas.

  4. Eric, conheço bem esses festivais de música eletrônica bem organizados que acontecem mundo afora, realmente eles congregam vários segmentos artísticos, tribos urbanas e, principalmente, geram receita e empregos onde se realizam. A festa “rave” é um termo pejorativo e não abarca a estrutura desses grandes festivais como você citou, mas se encaixa perfeitamente pra identificar as festas de “sítios” que rolaram nos últimos 10 anos em Belém e cercanias. Essas festas, transmutadas, hoje se realizam com torres de aparelhagem e dj’s de tecnomelody, mudou pouco a música e continua o mesmo ambiente obscuro e perigoso. Quanto a manifestações de expressões de identidade e lutas sociais, a celebração à bacante não é o melhor lugar pra acontecer. Vamos conversando.

  5. o tecno melody e cultura sim, pq e dele que saem grande cantores e cantoras paraenses da periferia, e as aparelhagens e que tocam essas musicas criadas por estes artistas, o proprio povo paraense tem seu preconceito com a sua propria musica.
    tecnomelody e musica e cultura e existem varias aparelhagens que sao simbolos do pará ! dale Pop, Rubi entre outras sao um maximo, festa de aparelhagem e show….

  6. O que acontece com o tecnomelody e com as aparelhagens hoje e o que aconteceu com o carimbó no passado “preconceito da classe burguesa de belém” dizem inteligente e de bom gosto mais a mesma classe de “intelectuais” que ligavam o carimbó ao mau gosto a “coisa de negro pobre do interior” hoje defendem como cultura e patrimônio do estado ou seja eles não sabem o que dizem … e outra coisa violência e uso de drogas nas festas de aparelhagem não é incentivada pelas aparelhagens e muito menos pelas letras de tecnomelody isso é um problema do estado do governo… eu gosto de tecnomelody, vou em festas de aparelhagem, não uso drogas e sou trabalhador…

  7. MEU CARO AMIGO INFEZLIMENTE ESTOU AQUI PRA DIZER AO CONTRÁRIO DE TODA ESTA ASNEIRA DITA AQUI.
    EU COMO DJ DE APARELHAGEM VENHO LENBRAR QUE O MOVIMENTO DAS APARELHAGENS COMEÇOU MUITO ANTES DE VC TER NASCIDO,ANTES DO FORRÓ,DO SERTANEJO ,DA LAMBADA ANTES ATÉ DA SELEÇÃO BRASILEIRA SER CAMPEÃO MUNDIAL DE FUTEBOL.
    A PRIMEIRA APARELHAGEM SURGIU EM AGOSTO DE 1941 DEVIDO AS MUITAS GUERRAS PELO MUNDO,EM MEIOS DE MUITA DITADURA ENTÃO UM SENHOR QUE MORAVA EM ICOARACI RESOLVEU MONTAR UMA PEQUENA APARELHA PRIMEIRA APARELHAGEM SURGIU EM AGOSTO DE 1941 DEVIDO AS MUITAS GUERRAS PELO MUNDO,EM MEIOS DE MUITA DITADURA ENTÃO UM SENHOR QUE MORAVA EM ICOARACI RESOLVEU MONTAR UMA PEQUENA APARELHA PRIMEIRA APARELHAGEM SURGIU EM AGOSTO DE 1941 DEVIDO AS MUITAS GUERRAS PELO MUNDO,EM MEIOS DE MUITA DITADURA ENTÃO UM SENHOR QUE MORAVA EM ICOARACI RESOLVEU MONTAR UMA PEQUENA APARELHA PRIMEIRA APARELHAGEM SURGIU EM AGOSTO DE 1941 DEVIDO AS MUITAS GUERRAS PELO MUNDO,EM MEIOS DE MUITA DITADURA ENTÃO UM SENHOR QUE MORAVA EM ICOARACI RESOLVEU MONTAR UMA PEQUENA APARELHAGEM.
    COM ALTO FALANTE PESADO E TAMBÉM OS VINIS QUE ELE MESMO CONTROLA

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