Exposição “Moderna Para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú” – MHEP

Belém recebe mostra com fotografias modernistas brasileiras da Coleção Itaú

Para esta exposição, o curador Iatã Canabrava selecionou um recorte da Coleção Fotografia Modernista Brasileira Itaú, com fotografias de José Oiticica Filho, Marcel Giro, German Lorca, Thomaz Farkas e Geraldo de Barros, incluindo suas mais recentes aquisições: duas fotos vintage de José Yalenti

De 25 de março a 15 de maio, o Museu Histórico do Estado do Pará, em Belém, recebe a exposição Moderna Para Sempre – A Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú. Nesta itinerância, a mostra apresenta 87 obras, incluindo as novas aquisições de duas vintage de José Yalenti: Reflexo – da qual uma cópia limitada já pertencia ao acervo – e Ovaladas, ambas de 1950. A vernissage acontece às 19h do dia 25 de março.

Com curadoria do fotógrafo Iatã Canabrava, Moderna Para Sempre passou antes pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), em Porto Alegre, e pelo Centro de Arte Contemporânea e Fotografia da Fundação Clóvis Salgado, em Belo Horizonte.  As fotografias remontam ao período entre os anos 40 e 70 do século passado, quando na esteira do modernismo europeu e americano da década de 20, os artistas brasileiros entraram na discussão sobre os limites da arte fotográfica. Ao todo, aparecem 87 imagens de 26 artistas – 16 delas, vintage. Este recorte da coleção de fotografias do Itaú mergulha, sobretudo, no movimento fotoclubista brasileiro.

“Esta exposição reforça o esforço do grupo Itaú para dar acesso ao público de todo o país aos diferentes recortes de sua coleção”, afirma Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “Nossa parceria com o Museu Histórico do Estado do Pará para que os paraenses possam apreciar recorte tão significativo deste acervo reafirma o compromisso do grupo Itaú com o público, a arte e a cultura brasileiras.”

Segundo Canabrava, o fotoclubista brasileiro começou em São Paulo no Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, e se alargou para os outros fotoclubes. Em geral era composto de amadores da fotografia que, livres das obrigações de um trabalho comercial, puderam experimentar e ousar quebrando regas e padrões. Nesses núcleos aterrissaram artistas como Geraldo de Barros, Thomaz Farkas, José Yalenti e German Lorca, presentes na exposição (veja a relação de nomes abaixo).

“Nas imagens destes fotógrafos encontrarmos as buscas de formas e volumes, abstracionismos e surrealismo, em uma evidente influência das antigas vanguardas européias”, conta o curador que pesquisa o assunto há cinco anos. Os trabalhos destes artistas começaram pictorialistas, imitando os padrões da pintura do século XIX. Com o desenvolvimento e crescimento econômico do país desembocaram no celeiro da fotografia moderna brasileira, a chamada Escola Paulista.

“Esta, por sua vez, por meio de experimentações estéticas e por vezes científicas redirecionou o rumo do fazer fotográfico como já estava ocorrendo na Europa e EUA desde décadas anteriores, conta o curador. “A partir deste momento, texturas, contra-luzes, enquadramentos sóbrios, linhas geométricas, solarizações, fotomontagens, fotogramas, entre outros tópicos passam a integrar o vocabulário criativo.”

Algumas obras

As duas imagens adquiridas no ano passado pela coleção, Reflexo e Ovaladas – ambas produzidas em 1950 por Yalenti – são apontadas pelos especialistas como exemplos que demonstram porque ele é reconhecido mestre do contraluz e da geometrização de motivos. Entre as 21 obras deste fotógrafo presentes na mostra, vale destacar, ainda, Miragem e Paralelas e Diagonais, por meio das quais o espectador se depara com formas inusitadas, migrando o tempo todo de uma intenção abstracionista a um surrealismo inesperado.

Entre outras raridades está a foto Praticáveis, na qual German Lorca ironiza o banal com simplicidade. Em Telhas, Thomas Farkas constrói com criatividade um novo olhar sobre os já tão fotografados telhados. “Mesmo com o título ao lado da fotografia, duvidamos de qualquer referência a telhas ou telhados”, observa o curador. “Esta imagem nos leva a um passeio por luz e movimento, e particularmente lembra as bandeiras de Volpi, que na verdade não nasceram bandeiras, mas sim telhados.”

Paulo Pires, que expôs pela primeira vez em 1950 no Foto Cine Clube Bandeirante, e fundou, posteriormente, o Íris Foto Grupo de São Carlos, incorpora dois elementos à sua fotografia: o banal, que pode ser visto em Composição com Torneira, e a metrópole paulistana em vertiginoso crescimento, com seu trabalho sobre o Copan de Niemeyer, como ser observa na foto Linhas. “Esta imagem mostra o desnudamento do símbolo maior da cidade de São Paulo, o Copan, ainda em andaimes de madeira”, assinala Canabrava.

O abstrato-geométrico de Ademar Manarini faz par perfeito com Arabescos em Branco, de Gertrudes Altschul, rara representante do gênero feminino no fotoclubismo deste período. Se junta a este grupo a imagem Formas, de Eduardo Salvatore, de quem vale ressaltar o importante papel no cenário fotoclubista como um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirante, entidade da qual ele foi presidente entre 1943 a 1990. Scavone, em Abstração #5, completa o conjunto, em uma foto eternamente contemporânea de cartazes rasgados, enquanto, Tufi Kanji, Délcio Capistrano e Chakib Jabor  constituem uma espécie de grupo surrealista do fotoclubismo brasileiro.

LISTA DE ARTISTAS

Ademar Manarini

André Carneiro

Chico Albuquerque

Chakib Jabour

Dalmo Teixeira Filho

Délcio Capistrano

Eduardo Enfeldt

Eduardo Salvatore

Francisco Albuquerque

Francisco Quintas Jr.

Georges Radó

Geraldo de Barros

German Lorca

Gertrudes Altschul

Gunter E.G. Schroeder

João Bizarro da Nave Filho

José Oiticica Filho

José Yalenti

Julio Agostinelli

Lucilio Correa Leite Júnior

Marcel Giró

Nelson Kojranski

Osmar Peçanha

Paulo Pires

Rubens Teixeira Scavone

Tufi Kanji

Thomaz Farkas

SERVIÇO

Moderna Para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú

Data: 25 de março a 15 de maio

Local: Museu Histórico do Estado do Pará

(Praça D. Pedro II, s/n – Cidade Velha – Belém)

Vernissage: 25 de março, às 19h.

Horário de visitação: Terça a sábado de 10h às 18h; domingos e feriados de 10h às 16h

Ingressos: RS 2,00 (entrada franca as Terças)

Informações: (91) 4009 9835

Informações para a imprensa:

Caco Ishak: 91.8232-8882 / cacoishak@gmail.com

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