O Theatro da Paz e os cupins

Não fui pego de surpresa por esta notícia, nada mais me impressiona em se tratando de preservação do patrimônio histórico no Pará. Acredito que não apenas o ex-secretário de cultura Sr. Edílson Moura é o culpado por negligenciar o Theatro da Paz, como também a Diretoria do Patrimônio e a Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, com quadros formados por arquitetos e historiadores, que são os responsáveis pela gestão de questões relativas a preservação e conservação de prédios históricos no Estado do Pará. E lembrando que nada fizeram pelo patrimônio histórico de Belém em quatro anos, não passaram uma mão de tinta em canto nenhum, chamando a gestão de Paulo Chaves de elitista, inventaram um interiorização da cultura que só serviu para eleger Edílson Moura Deputado Estadual. É só ir qualquer cidade e perguntar por alguma ação concreta e perene da gestão passada.  O restauro dos casarões do Comércio e da Cidade Velha anunciados no primeiro ano não saiu da planta e da placa. O desabamento do forro da entrada foi um sinal claro do problema, que foi maquiado para uma reinauguração patética.

Já escrevi em outros posts anteriores que restauro de prédios históricos deve ser acompanhada de um projeto de manutenção, salvaguardando sua estrutura e diminuindo os custos de sucessivas reformas.  O Palácio Lauro Sodré a Secult apenas inaugurou na gestão passada, e hoje sabe-se que está tal como o Theatro da Paz, só falta fazer um comunicado. Cupins se instalaram não apenas no Da Paz, mas também fundações de nossa cidade, do nosso estado, da nossa alma, e devoram nossa coragem ao ponto de nos fazer mendigar “favores” do Estado que só existe para nos servir, manter nossos símbolos erguidos, nossas ruas limpas e seguras e nossas crianças educadas e sadias. Se um governo não foi, nem é capaz de fazer isso, que é o mínimo, pra que serve então?

Espero e confio que o Secretário Paulo Chaves cumpra mais uma vez sua missão. Estamos aqui de olho.

Abaixo as informações da Secult sobre o fechamento:

Secult fecha Theatro da Paz para reforma de emergência

A noite de aniversário do Theatro da Paz e do maestro Waldemar Henrique também foi marcada pelo anúncio do fechamento provisório do teatro para reforma. A notícia foi dada pelo secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, no final do recital especial na noite desta terça-feira (15). Ele explicou para o público presente, que o teatro será fechado a partir desta quarta-feira (16) porque está infestado por cupins e que por esse motivo, a estrutura física do teatro estaria comprometida. A decisão do fechamento provisório do teatro se deu através de um entendimento entre a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O teatro está correndo um sério risco e nós já estamos tomando as medidas necessárias para recuperá-lo o mais rápido possível. Tomamos essa decisão em conjunto com o Iphan, pensando sempre na segurança de todos”, afirmou o secretário. Ele explicou que os problemas dos cupins, foram detectados em setembro de 2009, ainda na gestão passada. Na época, um relatório apontando os problemas estruturais causados pelos cupins foi apresentado para os gestores do governo, porém, nada foi feito.
Assim que assumiu a Secult, Paulo Chaves tomou conhecimento do relatório e entrou em contato com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo para que disponibilizasse técnicos especializados em madeira para fazer o serviço de descupinização do teatro. “As primeiras previdências já foram tomadas e o serviço deve começar o mais breve possível. Porém, enquanto isso, o teatro ficará fechado por medida de segurança durante um tempo indeterminado”, ressaltou Chaves.
A plateia ficou assustada e surpresa com o anúncio do secretário. “É muito triste saber que nosso teatro estava completamente abandonado, entregue aos cupins. Espero que agora as coisas melhorem e nós possamos voltar a assistir espetáculos maravilhosos nesse lugar”, disse a empresária Marina Soares.
Paulo Chaves afirmou que o relatório que aponta todas os problemas estruturais do teatro causados pelos cupins está disponível para quem quiser ter mais conhecimento sobre o caso. “Vamos trabalhar para que logo o teatro volte ao seu esplendor”, garantiu

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7 comentários em “O Theatro da Paz e os cupins”

    1. Nunca entendi o uso que a esquerda usa pra “elitista”, sempre achei a preservação e resignificação da cidade algo a se admirar. O Feliz Lusitânia é um dos maiores projetos de restauro de áreas históricas do mundo, e os espaços viraram museus, espaços totalmente democráticos e imprescindíveis. Sério Marcos, me explica melhor tua concepção do termo. Eu não tenho partido, apenas odeio oportunistas incompetentes.

      1. Me diz então um espaço criado pela gestão passada onde pobre ou qualquer pessoa entre? Não existe. E a discussão do meu blog não é sobre a disputa de classes, é sobre arte e patrimônio, sobre gestão e ingerência. A questão pobre entra ou não entra, nesse ou naquele lugar, é uma discussão sobre educação e auto-estima, coisas que o paraense está realmente carente.

  1. Tenho conhecimento de que em museus de outros estados a entrada chega a custar 15 reais e nas feiras também se paga, aqui o custo é mais baixo ou gratis. E onde é gratis qualquer cidadão pode entrar, só não maltrapilho, nem cheira-colas, como é na maioria dos nossos espaços publicos onde qualquer um vai e faz o que quer, tal como nas nossas praças, calçadas e paradas de onibus. Ser de pobre quer dizer ser imundo? Ou deve existir lugar que só pobre entra?
    Muitos que reclamam de elitismo são os mesmos que detonam o nosso brega, querem ter orgulho de que afinal? Antes a falta de museus e espaços de cultura era mais um dos inúmeros defcitis colecionados pela nossa desfigurada capital. Deveriamos continuar nessa situação e se orgulhar de ver o nosso centro historico no completo abandono, maior do que está hoje?
    É verdade que a cultura em todas as gestões deixou alguma coisa de fora, e ainda por muito tempo vai deixar, talvez pra sempre, mas isso não é alguma coisa que possa ser reclamada por quem não faz cultura, por quem está apenas observando de longe. Eu lamento que a cultura não chegue e nem se desenvolva nos bairros, mas quem dos que reclamam de elitismo estão enfiados n’alguma periferia tentando construir cultura? Reclamam, reclamam, mas estão indo lá tirar suas fotos no forte e levando seus amigos na estação, ou indo pras casas de show que surgiram em consequencia da revitalização do espaço.
    Mas como servidor publico da cultura posso garanti que esta ultima gestão além de não revitalizar, nem resignificar nada ainda fez o pior: desvitalizou e dessiginificou tudo o quanto pôde. Goteira, infiltração, lixo, entulho, poeira, desolação, vi isso no sistema integrado de museus e mais recentemente nos dois predios da fundação curro-velho.
    Eles não são elististas? Eles são o que então se deixam os espaços de cultura às traças? E mais do que isso, a casa da linguagem foi toda dividida, seus espaços de fazer cultura foram cedidos para terceiros, dentre os quais o navegapará (era lá a CENTRAL no navegapará) e – que tem a ver? – a Superintendencia de Comercio Exterior!!!!
    …pelo menos o paulo chaves, elitista ou não, além de criar novos espaços, NÃO DESTRUIU O CURRO-VELHO!

  2. E concluindo,
    ele deixaram um lastro de provas documentais no proprio curro-velho que revalam o que estavam fazendo no interior. Os documentos fotograficos revelam, atraves de cartazes, fluxonogramas e outras evidencias ESCRITAS que surgem nas fotos o foco central de tudo: REELEIÇÃO.
    Analisei inúmeras pastas de cliping do curro-velho (recortes de jornal com noticias sobre a instituição…deveriam ser sobre a instituição). Alem de estar um completa bagunça sem ordem, os incontáveis clipings não tinham muito sobre o curro-velho. 80% do material que a acessoria de comunicação estava guardando eram de noticias da ana julia, do pt, dos deputados do pt, dos sem-terra, dos indigenas, do lula, e até do hugo chavez!
    Eu não sei o q deu na cabeça desse puxa-saco pra fazer o trabalho que outras secretarias deveriam estar fazendo nas suas acessorias de comunicação. Ja pensou se eu for chegar la na acessoria de comunicação do curro velho e passar quatro anos clipando toda a vida do jatene? A clipagem do curro deve ser sobre o curro, nada mais!
    Mas agora as coisas estão melhorando por lá,nada mais de dar ou eemprestar o acervo ou os espaços da instituição por amizade ou por favor politico, como vi acontecer com meus proprios olhos uns caras virem do nada emprestar equipamento pra peça deles que aconteceria em um outro espaço distante do predio, como quem empresta açucar do vizinho.

    1. O Curro Velho retornou a quem conhece a instituição pois foi quem a criou. Comentário pertinente. Esse é um espaço de debate, você realmente entendeu o cerne da questão. Seja benvindo e volte sempre.

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