Paulo Chaves fala sobre novos projetos para gestão

Segue abaixo uma entrevista com Paulo Chaves, Secretário de Cultura do Estado do Pará, concedida ao jornal Diário do Pará.

 “Obrigado. Mas ainda não sei se devo agradecer.” Foi assim que Paulo Chaves Fernandes, recém-nomeado secretário de Estado de Cultura do governo Simão Jatene (PSDB), recebeu os parabéns por telefone. Dizendo-se grato por ocupar novamente o cargo (Paulo Chaves foi titular da Secult por doze anos consecutivos, de 1995 e 2006), ele faz duras críticas ao governo de Ana Júlia Carepa (PT) e aponta alguns caminhos para a Secult.

Acompanhe a entrevista:

P: Qual será a grande meta de sua gestão?

R: A grande meta é retomar caminhos que estávamos traçando. Não só na área da cultura, mas contribuir para o governo como um todo, para que o Estado retome o desenvolvimento que nós queremos. Não é uma visão específica da Secretaria da Cultura. Sou partidário do PSDB, assumo essa posição como uma peça que trabalha em conjunto com o todo do governo. A meta agora é “vamos pensar juntos”. Em relação à cultura, vamos retomar a linha de trabalho de onde paramos no governo anterior. É a hora de avaliar os caminhos já trilhados. Veja o estado dos espaços criados pela nossa gestão. Um triste exemplo é o Mangal das Garças, que está abandonado. Outro é a Estação das Docas, onde o serviço decaiu tanto que essa foi a primeira vez sem réveillon no local. A Pará 2000 (Organização Social ligada ao governo do Estado, que atua como gestora do Complexo Feliz Luzitânia, da Estação das Docas e do Mangal das Graças) foi deixada para nós com uma dívida de quase 5 milhões de reais. Temos fornecedores com mais de quatro meses sem receber. São coisas que não dá para adiar, senão vira uma bola de neve. Existe uma urgência de revitalizar esses espaços que geram renda, emprego, turismo e dão uma levantada no ego da população. Infelizmente, ao invés de pensarmos no que fazer de novo para a nossa gestão, teremos que enxugar despesas, diminuir custeios e honrar os compromissos de imediato.

P: Além de arrumar a casa, não há mais nada em vista?

R: Ainda é cedo para firmar compromissos, mas posso adiantar que a menina dos olhos do governador é o Parque Ambiental do Utinga. Nossa intenção é preservar aquela região de manancial, que tem um papel importantíssimo no abastecimento da capital, mas sofre constantes invasões devido à expansão urbana. Queremos recuperar o espaço por meio do uso social. No plano que desenvolvemos para o local, pretendemos criar um aquário de grande porte para peixes de rio e um teleférico, que além de nos proporcionar um belo passeio, irá ajudar no controle do espaço. Além disso, queremos estimular grandes exposições artísticas e audiovisuais, buscando sempre a integração da natureza com a obra. Seria uma especie de galeria a céu aberto, onde seriam expostas intervenções urbanas. Para isso precisamos ter recursos que ainda não sei se dispomos. Da parte de arquitetura e urbanismo, a Secult pode tirar de letra, pois dispomos de técnicos e infra-estrutura. Mas o projeto vai demandar um estudo de topografia e de impactos ambientais.

P: Existe alguma previsão do começo das obras?

R: Ainda estou no escuro. Não antecipei as coisas, mesmo porque não tinha sido nomeado oficialmente. Deixei o Simão muito à vontade. Apesar de estar ao lado dele durante toda a campanha, nunca me senti credor pelo meu apoio. Trabalho por convicção ao partido e à figura dele. Agora que estou de volta ao cargo, começo a pensar em tudo. Ainda não falei com o governador, mas uma das sugestões é revitalizar o Cemitério da Soledade, em parceria com a Prefeitura, transformando-o num parque. Como sei que a dívida é grande em todas as áreas, no primeiro ano não será possível investir muito.

P: Muitos consideram os grandes projetos de sua gestão como elitistas. Qual sua opinião?

R: Não é uma opinião da população, pode ter certeza. Se estamos de volta ao governo, é porque o povo queria trilhar esse caminho novamente. Se for consultar a população em relação a esses espaços, você vai ver a insatisfação em relação à forma com que estão sendo mantidos. Eu sou uma testemunha disso. Todos me paravam na rua e reclamavam de como era grande o descaso com o patrimônio da cidade. Além disso, meu trabalho não se resumiu a grandes obras. A Lei Semear foi criada durante a minha gestão, grandes eventos como o Festival de Ópera e a Feira do Livro foram pensados pelo governo do PSDB. Hoje em dia a Feira do Livro está completamente descaracterizada, é um furdunço de show e mais nada. Havia lançamento de obras de autores locais, publicações de livros, CDs. Não se pode confundir qualidade com elitismo. Essa é uma visão caolha, de má-fé.

P: O senhor não vê nada de positivo na gestão do PT?

R: O que eu vi foi um retrocesso do Pará. O que foi feito de concreto eu não consigo enxergar.

(Fonte: Diário do Pará)

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