8º COLÓQUIO DE FOTOGRAFIA E IMAGEM

8º COLÓQUIO DE FOTOGRAFIA E IMAGEM

TEMA: FILOSOFIAS DA IMAGEM: POÉTICAS DA CAIXA PRETA

http://www.coloquiodefotografiaeimagem.wordpress.com

Desde 2002 a Fotoativa realiza o Colóquio de Fotografia reunindo artistas e pesquisadores locais, nacionais e internacionais com a proposição de estimular a reflexão crítica sobre a relação entre produção imagética e os diversos campos do conhecimento. Através da organização de seminários, cursos, palestras, oficinas e mostras de arte o evento estabeleceu um fórum permanente de produção de conhecimento e troca de informações entre pesquisadores, profissionais e estudantes ligados ao campo da fotografia, da imagem e afins, no estado e fora dele.

Em suas sete edições anteriores o Colóquio de Fotografia e Imagem realizou discussões sobre a fotografia pensada a partir do conhecimento semiótico, histórico, antropológico e da história da arte, colocou em debate a crítica fotográfica e abordou questões em destaque no campo das artes visuais contemporâneas através dos temas “Identidade e Percepção”, “Poéticas e Processos”, “Materialidades da Fotografia” e “Imagem-cidade”.


PÚBLICO ALVO

Fotógrafos, pesquisadores, artistas plásticos, curadores, estudantes universitários e interessados em artes visuais.

AÇÕES PROPOSTAS PARA O 8º COLÓQUIO FOTOGRAFIA E IMAGEM – 2010
O 8º Colóquio de Fotografia e Imagem terá como tema em 2010 “Filosofias da Imagem: Poéticas da Caixa Preta”. O evento pretende estimular a reflexão e o debate através do diálogo entre obras teóricas de referência e a produção contemporânea de pesquisa artística local.


O Colóquio estará estruturado a partir de um ciclo de palestras e fóruns de pesquisa.

O ciclo de palestras contará com renomados pesquisadores locais participantes do processo de recepção da obra de pensadores da imagem no cenário intelectual regional. Cada pesquisador convidado irá abordar uma obra clássica do pensamento estético contemporâneo e debaterá com o público e um mediador convidado.

No fórum de pesquisa trabalhos acadêmicos e processos de pesquisa vinculados a criação artística serão apresentados por pesquisadores e produtores de artes visuais.

CICLO DE PALESTRAS / FÓRUNS DE PESQUISA.


Dia 30.11.10 – Terça – Abertura

19h30 – Palestra: “Fenomenologia e Imagem” – Benedito Nunes.

Mediador: Ernani Chaves

Sobre a palestra de abertura no Colóquio.

Em sua palestra o professor Benedito Nunes abordará elementos da teoria tradicional da imagem e os desdobramentos do pensamento sobre a imagem na fenomenologia. A contribuição dos autores que pensaram o imagético a partir das bases da fenomenologia e teorizaram a imagem na era tecnológica será analisada por Benedito Nunes a partir do pensamento de Sartre, Deleuze, Bérgson, M. Ponty, Roland Barthes, Vilém Flusser  e demais autores.

A mediação da palestra caberá ao professor de Filosofia da UFPA Ernani Chaves, participante notório de uma geração de intelectuais que tiveram sua formação construída no diálogo com o pensamento do professor Benedito Nunes.

Referências:
NUNES, Benedito. Amazônia reinventada. In: II Fotonorte. Amazônia: o olhar sem fronteiras. Rio de Janeiro: Funarte, 1998, p. 36.


Dia 01.12.10 – Quarta

18h30 – Fórum de Pesquisa: “Pintura e realidade” – Flávio Araújo e Pablo Mufarrej

19h30 – Palestra: “O Fotográfico” de Rosalind Krauss – Patrick Pardini.

Mediador: Fábio Castro.


Dia 02.12.10 – Quinta

18h30 – Fórum de Pesquisa: “Crítica, Fotografia e Arte Contemporânea” – Ricardo Macedo e Adriele Silva

19h30 – Palestra: “Filosofia da Caixa Preta” de Vilém Flusser – Cláudia Leão

Mediador: Mariano Klautau Filho.


Dia 03.12.10 – sexta

18h30 – Fórum de Pesquisa: “Retrato e Narrativa – fotografia” – Natali Ikikame e

Simone de Oliveira Moura.

19h30 – Palestra: “O Ato Fotográfico” de Philippe Dubois – Mariano Klautau Filho

Mediador: Vânia Leal


Dia 04.12.10 – Sábado

15h30 – Palestra: “Câmara Clara” de Roland Barthes – Fábio Castro

Mediador: Marisa Mokarzel

17h30 – Fórum de Pesquisa: “Imagens e palavras” – Danielle Fonseca e Ionaldo Rodrigues

18h30 – Palestra: “Pequena História da Fotografia” de Walter Benjamin e “Sob o signo de Saturno” de Susan Sontag – Ernani Chaves

Mediador: Patrick Pardini


SERVIÇO:

8º COLÓQUIO DE FOTOGRAFIA E IMAGEM

TEMA: FILOSOFIAS DA IMAGEM: POÉTICAS DA CAIXA PRETA

De 30 de novembro à 4 de Dezembro de 2010.

Local: Centro Cultural SESC Boulevard,

Av. Boulevard Castilho França nº 522/523

As inscrições no 8º Colóquio de Fotografia e Imagem podem ser feitas de 16 a 30 de novembro pelo blog do Colóquio ou direto na Associação Fotoativa de 9h até

18h de 2a. a 6a.feira e aos sabados, de 09 as 13h.


Fontes: http://coloquiodefotografiaeimagem.wordpress.com e http://www.fotoativa.blogger.com.br/

Curso “Arte Contemporânea Brasileira (em torno de novas histórias)” com Armando Queiroz – 01,02 e 03 de Dezembro – Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas

 

CURSO ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA [ em torno de novas histórias] com Armando Queiroz – o projeto “em torno de novas histórias- leituras de um acervo”, visa apresentar,sob forma de cursos de curta duração, uma leitura da arte brasileira dos últimos 50 anos. Sua originalidade reside no modo como tais cursos se articulam e no seu processo de organização: cinco curadores emergentes formam um grupo de pesquisa dedicado ao estudo das coleções MAC-Niterói e João Sattamini ( ambas abrigadas no Museu de Arte Contemporânea de Niterói)

Dias 01,02 e 03 de dezembro, de 18h às 21h no Museu Casa das Onze Janelas.

Entrada franca.

 

ARMANDO QUEIROZ

Sua formação artística foi constituindo-se através de leituras,experimentações, participações em oficinas e seminários. Expõe desde 1993 e participou de diversas mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Integrou projetos como: Macunaíma, em 1997, no Rio de Janeiro e Prima Obra, em Brasília, em 2000. Foi bolsista do Instituto de Artes do Pará em 2008 quando
desenvolveu a bolsa de pesquisa Corpo toma Corpo – estudos em videoarte.

Sua produção artística abrange desde objetos diminutos até obras em grande escala e intervenções urbanas. Detém-se conceitualmente às questões sociais, políticas, patrimoniais e as questões relacionadas à arte e a vida. Cria a partir de observações do cotidiano das ruas, apropria-se de objetos populares de várias procedências, tem como referência a cidade. Foi contemplado com o Prêmio CNI SESI MarcantonioVilaça para as Artes Plásticas 2009-2010.

Pará trabalha para instalar a Casa do Patrimônio no Mercado do Ver-o-Peso

Os comerciantes do mercado do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, estarão reunidos no próximo dia 30 de novembro para conhecer o projeto Casas do Patrimônio e assistir ao vídeo, realizado durante o a produção do Inventário Nacional de Referências Culturais realizado sobre o Ver-o- Peso. A iniciativa, coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, por meio da equipe do Departamento de Articulação e Fomento – DAF e da Superintendência do Iphan no Pará, tem como objetivo a implantação do espaço destinado à educação patrimonial e atividades ligadas à cultura, que deverá ser instalado em um dos principais cartões postais de Belém, o Solar da Beira, no mercado Ver-o-Peso. Os trabalhos nesse sentido começaram no início do mês reunindo, no auditório da superintendência do Iphan-PA, entre 9 e 11 de novembro, representantes de diversas instituições na Oficina Casas do Patrimônio: Aspectos Conceituais e Implantação no Estado do Pará.

O objetivo do encontro foi apresentar a proposta para constituição e implantação da Casa do Patrimônio no Estado do Pará e debater sobre o conceito e sua adequação à realidade local. Foram identificadas parcerias interessadas na implantação, manutenção e na realização das atividades na Casa. A equipe do DAF apresentou as atividades de Educação Patrimonial que já acontecem na Rede Casas do Patrimônio, como na Chapada do Araripe – CE, Iguape – SP, Ouro Preto – MG, João Pessoa – PB, Recife – PE entre outras. A oficina possibilitou também bem identificar a possibilidade de implantação de Casas do Patrimônio em outros municípios do Estado, como Óbidos, Vigia e Belterra, incluídos no PAC Cidades Históricas. Existe ainda possibilidade de instalação de Casa do Patrimônio em uma comunidade quilombola, uma proposta da Associação Quilombolas Unidos de São Domingos do Capim.

Algumas instituições presentes já assumiram fazer parte da parceira, entre elas a Prefeitura de Belém, Governo do Estado do Pará, ONG Fotoativa, ONG Fórum Landi/UFPA, Centro de Memória da Amazônia/UFPA, ONG Noolhar, Associações de Feirantes do Ver-o-Peso, Associação de Quilombolas de São Domingos do Capim, Prefeitura de Vigia, representantes do município de Óbidos, Belterra e Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia.

Educação Patrimonial nas Casas do Patrimônio
A Casa do Patrimônio é um espaço educativo para aperfeiçoamento da gestão, proteção, salvaguarda, valorização e usufruto do patrimônio cultural. O objetivo é oferecer um espaço de interlocução e diálogo com a comunidade local, de articulação institucional e de promoção de ações educativas, visando fomentar e favorecer a construção do conhecimento e a participação social.

É um espaço cultural, multimídia, voltado para a memória, aprendizagem e divulgação das diversas manifestações culturais. Outras informações sobre o Projeto Casas do Patrimônio estão disponíveis na internet no endereço http://educacaopatrimonial.wordpress.com/casas-do-patrimonio

Mais informações
Assessoria de Comunicação do Iphan
Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br
Daniel Hora – daniel.hora@iphan.gov.br
Mécia Menescal – mecia.menescal@iphan.gov.br
(61) 2024-6187 / 2024-6194 (61) 9972-0050
http://www.iphan.gov.br / http://www.twitter.com/IphanGovBr

Plano Nacional de Cultura é aprovado

O Plano Nacional de Cultura (PNC) foi aprovado, por unanimidade, nesta terça-feira (9/11) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal e segue agora para sanção presidencial. Depois de sua assinatura, o Ministério da Cultura terá 180 dias para definir metas a atingir na implementação do plano.

Demandado pela sociedade por meio da I e II Conferência Nacional de Cultura e em esforço conjunto entre o Ministério da Cultura e o Congresso Nacional, o PNC representa um avanço para a Cultura do país ao definir as diretrizes da política cultural pelos próximos 10 anos.

“A aprovação do Plano Nacional de Cultura é uma vitória muito grande, primeiro, porque institucionaliza os avanços obtidos nos últimos anos pelo governo federal na área da cultura e, depois, porque garante a continuidade das políticas culturais no Brasil”, comemorou o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

A relatora do projeto, senadora Marisa Serrano, afirmou ser necessário ao Legislativo dar continuidade aos projetos em prol da cultura brasileira para que as diretrizes estabelecidas no Plano Nacional sejam eficazes ao marco regulatório do setor:  “O PNC servirá como ponto de partida para um conjunto de políticas culturais a serem construídas”.

O que é o Plano Nacional de Cultura?

O Plano Nacional de Cultura (PNC) é o primeiro planejamento de longo prazo do Estado para a área cultural na história do país. Sua elaboração como projeto de lei é obrigatória por determinação da Constituição desde que o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional nº 48, em 2005.

As prioridades e os conceitos trazidos por ele constituem um referencial de compartilhamento de recursos coletivos que norteará as políticas públicas da área num horizonte de dez anos, inclusive com metas.

Seu texto foi aperfeiçoado pela realização de 27 seminários, em cada unidade da federação, resultantes de um acordo entre MinC e Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

Princípios do PNC

  • liberdade de expressão, criação e fruição
  • diversidade cultural
  • respeito aos direitos humanos
  • direito de todos à arte e à cultura
  • direito à informação, à comunicação e à crítica cultural
  • direito à memória e às tradições
  • responsabilidade socioambiental
  • valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável
  • democratização das instâncias de formulação das políticas culturais
  • responsabilidade dos agentes públicos pela implementação das políticas culturais
  • colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura
  • participação e controle social na formulação e acompanhamento das políticas culturais

Pelo projeto, o governo federal terá 180 dias para definir metas para atingir esses objetivos, que serão medidas pelo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), já em implantação no Ministério da Cultura.

Os estados e municípios que quiserem aderir às diretrizes e metas do Plano Nacional de Cultura terão de elaborar seu respectivo plano decenal em até 180 dias. Para isso, contarão com assistência do MinC. O conteúdo será desdobrado, ainda, em planos setoriais.

Em relação à área museológica, o Plano Nacional Setorial de Museus – que irá compor o Plano Nacional de Cultura – já está em consulta pública. A consulta vai até 13 de novembro, neste sítio do Ibram (www.museus.gov.br). O plano contém diretrizes, estratégias, ações e metas específicas para os museus.

(Com informações da Comunicação Social do MinC)

 

Fonte: Assessoria de Comunicação, Ibram/MinC

 

Exposição “Arte em Papel” – Sala Antonieta Feio – Museu de Arte de Belém





Vivemos cercados por papel e através dele. Nossos documentos, fotografias, outdoors, pilhas de relatórios, cadernos, cartas… Numa leitura dessa relação entre homem e papel, o Museu de Arte de Belém apresenta uma exposição onde o foco é justamente o papel enquanto suporte. Em uma seleção de cerca de quarenta obras entre aquarelas, xilogravura, serigrafia e outras tantas técnicas, a mostra traz preciosidades do acervo que há algum tempo não são mostradas. Artistas locais e de renome nacional como Volpi e Portinari serão expostos mostrando a riqueza que esse suporte oferece.

A exposição, que recebe o título de “Arte em papel”, estará aberta para visitação até o dia 31 de dezembro, na Sala Antonieta Santos Feio, no Museu de Arte de Belém.

Maiores informações e agendamento de visitas – Setor de Ação Educativa: (91) 3114-1028 e educativa.mabe@gmail.com

Exposição de obras de Sarubbi na Galeria Pontes (SP)

Exposição individual de Valdir Sarubbi – Desenhos, pinturas e relevos.

Curadoria: Alex Cerveny.

Abertura: terça-feira, 30 de novembro, às 19 horas.

Dando sequência ao ciclo de palestras e debates sobre a “Identidade Cultural Brasileira” nesse dia haverá uma mesa-redonda com Sheila Mann e Renato Rezende, às 20 horas.

Período: de 30 de novembro de 2010 a 8 de janeiro de 2011 – De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; e sábado das 10 às 17 horas.

Rua Minas Gerais, 80 Higienópolis 01244-010 São Paulo – SP. 55 11 3129-4218 galeria@galeriapontes.com.br

 

Valdir Sarubbi – a força de uma ausência

Não é tarefa simples escrever sobre Valdir Sarubbi; pois tanto sua pessoa como sua obra (ambas homenageadas com esta exposição no décimo aniversário de sua morte) não são afeitas à superficialidades e rotulagens. Ademais, ambas – pessoa e obra – se confundem em mim; em muitos de nós, que fomos seus alunos, seus amigos, seus escolhidos e que o amamos e fomos por ele amados. Acima de tudo, Sarubbi possuía uma profunda capacidade de amar: amava generosamente, com profundo respeito pela individualidade de cada aluno ou amigo, permitindo o florescimento de cada relacionamento com a mesma sensibilidade e esmero que percebemos em suas obras plásticas. Sua morte precoce (ele não concordaria com esta expressão, consideraria uma contradição em termos) inaugurou uma ausência fundamental na vida dos seus entes mais próximos e mais queridos – e também na história da arte no Brasil.

Eu conheci Valdir Sarubbi em 1980, inicialmente como aluno, depois como amigo, em seu “Atelier Livre”. O Brasil começava a respirar os ares mais livres do fim da ditadura militar e, pouco a pouco, com o advento da democracia, uma vida cultural e intelectual mais articulada e institucionalmente organizada foi se restabelecendo no país. Nas artes visuais, as estratégias de resistência e experiências conceituais de artistas como Cildo Meireles, Antônio Manuel, Barrio e outros deram lugar a euforia e gestualidade da chamada Geração 80. Como tende a acontecer em países ainda em formação, desprovidos de uma tradição filosófica forte e, ainda por cima, sujeitos à regimes totalitários, tanto as tendências artísticas dos anos 1970 como as dos anos 1980 tinham algo de “movimento”, de dogmático – uma agenda exterior ao trabalho plástico em si. Isso fica evidente, por exemplo, no depoimento de Brígida Baltar sobre o início de sua carreira: “Lá [no Parque Lage] encontrei uma pré-cena Como vai você geração 80? e os estímulos eram para quanto mais gesto e cor melhor. Eu sofri bastante, tentando me identificar nesse caminho, ‘soltar’ as formas, ainda usando lápis de cor, mas os desenhos eram de uma sutileza fora de lugar. Eu ia tentando exaustivamente, chegar aquela gestualidade toda – como se fosse uma direção certa e única a se seguir”.[1]

Nada mais distante da pessoa e da obra de Valdir Sarubbi do que tais movimentos totalizantes, impositivos ou militantes (por mais que possamos estar de acordo com os princípios e valores defendidos por tal militância). Extremamente consciente do que é ser um artista e como se desenvolve uma linguagem artística sensível, o próprio Sarubbi deixa isso claríssimo em várias ocasiões: “O importante para mim não é o engajamento do artista dentro de tendências ou movimentos específicos, mas uma visão aberta de quem olha a obra de arte para apreciá-la naquilo que ela apresenta de sensível, seja sobre que forma for. O importante para mim é que a arte que o artista faz seja um reflexo dele mesmo e não uma dublagem de tendências artísticas orquestradas pela mídia ou uma simples ilustração de teorias artísticas contemporâneas. Muito importante é o processo criativo do artista, que se desenvolve na medida em que ele cresce como pessoa humana. Sem queimar etapas, sem pressa para atingir o sucesso. Este crescimento se reflete no amadurecimento de sua obra.” [2]

Passado já uma década desde sua morte, constata-se que o Brasil ainda não foi capaz de merecer um artista do porte de Valdir Sarubbi. Se a memória de sua pessoa continua pulsando em cada um de nós – seus amigos – na forma de gestos adquiridos, lembranças e afetos (são inúmeros, por exemplo, os objetos que ainda mantenho da época do Atelier Livre, e que me remetem diretamente à presença do Valdir e suas lições salutares), a ausência de seu nome em compêndios e retrospectivas de arte que têm sido promovidas nos últimos anos no Brasil, já consistentemente democrático e economicamente pujante, é um eloquente lembrete do quanto ainda temos que amadurecer enquanto nação.

Ainda não fomos capazes de assimilar uma obra desgarrada do mainstream e capaz de levar a linguagem plástica a elevados níveis de complexidade e sofisticação. Como poucas, a obra de Valdir Sarubbi, jamais se afastando do rigor de uma sensibilidade refinada e intuitiva, constitui um pensamento. Há uma qualidade investigativa, e quase obsessiva, em séries como Meditação Labiríntica e Antiguos Duenõs de las Flechas, como se houvesse uma procura, um intrincado mapeamento de memórias e afetos (que não buscam ser resolvidos, mas apenas revelados, descobertos, elaborados) – não por acaso o rio, com suas profundezas, sombras e sinuosidades, aparece como uma de suas mais fortes metáforas. É quase sintomático que a memória tenha sido um dos temas mais recorrentes da obra de Valdir Sarubbi. Suas últimas telas, cheias de leveza e luz, atestam sua fé no espírito humano – espírito que ele tanto reconheceu e cultivou em si mesmo e em todos aqueles que tiveram o privilégio de compartilhar sua vida.

Notas:
1 Baltar, Brígida. Passagem Secreta (org. Márcio Doctors). Rio de Janeiro: Funarte/Circuito, 2010.
2. Bittar, Rosana. Sarubbi. Belém: Estacon, 2002.

Renato Rezende

Site oficial de Valdir Sarubbi: clique aqui

 

A GALERIA

“A Galeria Pontes, recém inaugurada, dedica-se exclusivamente à arte popular. É o resultado do olhar amoroso, ensolarado de Edna Matosinho de Pontes que percorreu todo o Brasil à procura de peças que expressassem com inventividade a magia do povo brasileiro e a força da nossa natureza.
Na escolha dos artistas e das peças, Edna deixou a paixão no comando, mas procurou sempre o horizonte da autêntica criatividade. E assim, com paciência e a necessária obstinação, Edna Matosinho de Pontes reuniu um acervo rico e diversificado. As obras são originárias das mais distantes regiões brasileiras – foram produzidas na floresta amazônica, no pantanal de Mato Grosso, no serrado de Goiás, no vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no sertão de Pernambuco, enfim, vieram do vasto mundo que compõe o nosso país. O conjunto forma um panorama da alma brasileira, apresenta um Brasil sonhado pelo seu povo, com exuberância, mística e sensualidade.
A Galeria Pontes é, em si mesma, ensolarada, um arco-íris. Um espaço de muita vitalidade. Energia que não para de brotar, porque a arte popular é germinal, isto é, plena de vida.”

Fábio Magalhães – Museólogo, Crítico de Arte e Curador da Exposição Inaugural da Galeria Pontes, “Olhar Ensolarado”

A Galeria Pontes, inaugurada em setembro de 2008, fica em São Paulo, num casarão tombado pelo patrimônio histórico, entre os bairros de Higienópolis e Pacaembu.

Em seu acervo estão obras de G.T.O., Mestre Eudócio, Maurino de Araujo, Antonio Julião, Poteiro, Bajado, Waldomiro de Deus, Tota, Adir Sodré, Miguel dos Santos, Sil e outros nomes significativos da arte popular brasileira contemporânea.

 

“A Pele do Invisível” de Pablo Mufarrej e Ricardo Macêdo – Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas [Prêmio SECULT de Artes Visuais]

A pele do invisível

Este trabalho propõe que prestemos atenção ao mínimo, ao ignorado e ao trivial . As pequenas coisas do chão, aos objetos e organismos triviais que compõe nosso dia-a-dia – uma mosca, uma planta, uma pedra, etc. Na busca por uma percepção mais fina do ignorado, no intuito de ir atrás de seus potenciais estéticos, de sua camada latente de poesia, dentro de sua casca embrutecida pela desatenção do cotidiano (pessoas não param mais para contemplar as coisas), os artistas Ricardo Macêdo e Pablo Mufarrej mergulham em um mundo invisível aos olhos para trazê-lo à tona através de pinturas e objetos.

Com este objetivo os artistas esboçam em suas pinturas, desenhos, objetos e vídeo, suas visões sobre essas camadas de vida “insignificantes”. Ampliam em microscópios de varredura eletrônica as camadas de um minério para pintá-lo a partir de uma leitura poética e estetizante.

Os procedimentos técnicos vão desde a ilustração científica e a pintura convencional às experimentações com aquarela, guache, tinta acrílica e vernizes. Incluindo também algumas linguagens como o vídeo e a instalação.


Ricardo Macêdo

 

Os artistas Pablo Mufarrej e Ricardo Macêdo

Pablo Mufarrej – 27 anos

pablomufarrej@gmail.com

Formado em Educação Artística – Habilitação em Artes Plásticas (Universidade Federal do Pará).  Professor desde 2008 da disciplina Artes nas Escolas Dr Carlos Guimarães e Almirante Tamandaré. Foi instrutor de oficinas de nos cursos de xilogravura, serigrafia, desenho e pintura da Fundação Curro Velho (2001 a 2007).

Currículo resumido – principais exposições

 

• Lugar-Comum, Museu de arte de Belém/PA de 11/12/07 à 13/01/2008. Resultado da

Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística – Instituto de Artes do Pará – 2007.

• Lugar-Comum, FUNCAST, Castanhal /PA – Março e Abril de 2008.

Olhares Cruzados Sobre a Natureza na Gravura Francesa e Brasileira ,Ano da França no Brasil, Museu Casa das 11 janelas , Belém /PA, 2009.

• Arte Pará 2005- Contemporâneo, Museu de Arte do Estado, 2005. (3º Grande Prêmio)

• 3ª Bienal de Gravura de Santo André, Paço Municipal de Santo André – SP, 2005. (artista convidado).

• Evidências, Kunsthans/Wisbaden – Hessen, Alemanha, 2003.

 

Ricardo Macêdo – 35 anos

ipsun@hotmail.com

Formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará e Design de Interiores pela Escola Técnica Federal. Começou a carreira artística como desenhista e pintor abstrato em 1996. Mas, desde 2004, utiliza-se também de algumas linguagens como: fotografia, performance e vídeo. Suas pesquisas giram em torno dos seguintes temas: identidade, complexidade, história, comunicação e alteridade. É editor do blog novas-medias.blogspot.com.

 

Currículo Resumido – principais exposições

– Salão ARTE PARÁ – Projeto “Relações intercambiáveis”, 2010. – Salão ARTE PARÁ – Projeto “Cafetinagem” com Bruno Cantuária e Luciana Magno, 2010. – Prêmio SECULT de Artes Visuais, com Pablo Muffarrej na Casa das Onze Janelas, 2010. – Prêmio de Artes Visuais Banco da Amazônia, com Bruno Cantuária, 2010. Exposição INDICIAL – Fotografia Contemporânea, SESC Belém, 2010. – Exposição “Espaços Autônomos” no Museu Histórico do Estado do Pará, 2009. – Exposição coletiva “Cartografias Contemporâneas” SESC Santana. São Paulo, 2009.

 

“re.van.che” de Laerte Ramos – Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas [Prêmio SECULT de Artes Visuais]

RE.VAN.CHE

Trabalhando com as interrelações, o artista apresenta um resultado de grande potência em seu projeto “re.van.che” que para a sua realização, Laerte Ramos convida uma lutadora de Tae Kwon Do – Marryanne Hörman, atleta da seleção brasileira de TKD, para quebrar uma de suas esculturas hiper realistas de cerâmica em uma ação/fração na abertura de sua individual na Casa das Onze Janelas. As esculturas enganosas são cópias perfeitas de luvas de boxe, banco de corner, entre outros acessórios de lutadores elaborados por ora em cerâmica, são denunciados pelo ato/quebra que a lutadora proporciona via ação ao público.

Laerte Ramos
1978, vive e trabalha em São Paulo

Graduação: Bacharel em Artes Plásticas 1997/2001
Licenciatura em Artes Plásticas 1997/2002
Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP

>> Bio

Laerte é natural de São Paulo/SP e teve seus primeiros ensinamentos artísticos  sobre esculturas em argila, madeira, pedra e metal durante os anos escolares, em sua infância e adolescência, na Escola Waldorf Rudolf Steiner entre os anos de 1985 à 1996. Na época seus grandes mestres eram refugiados de guerra vindos da Suíça e Alemanha, contando com a influência de uma educação germânica “pós guerra” e “alternativa”, o assunto bélico esteve sempre presente em todo o aprendizado lúdico-infantil de Laerte, o que influência até hoje toda a sua produção.

Ao ingressar na FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado no curso de Artes Plásticas em 1997 (1997/2001 bacharel e 2002 licenciatura), interessou-se de imediato pelos meios reprodutivos de imagem como a xilogravura e a serigrafia. No início de sua trajetória, Laerte deu ênfase na produção de suas xilogravuras que contavam com um arsenal de maquinários sobre-rodas estampados de negro em folhas brancas contrastantes. Estas imagens iam se multiplicando através do artista-operário até conquistarem outras folhas, paredes, campos, paisagens e espaços expositivos. Desde cedo, a preocupação em espalhar as edições das gravuras em exposições pelo país de uma maneira democrática, foi uma regra constante na intensa produção das gravuras. Nesta época, sem os avanços tecnológicos de comunicação via internet, Laerte pesquisava nas bibliotecas os endereços e editais de museus e centros de artes para poder divulgar seus trabalhos, e ao mesmo tempo compartilhar cultura e aprender com outros artistas de regiões distintas sobre as poéticas artísticas que nosso país nos propicia. Com a produção de xilogravura, ganhou o “Prêmio Don Alvar Nuñes Cabeza de Vaca” na XII Mostra Brasil de Gravura no Museu de Gravura de Curitiba/PR, e nos anos seguintes, o extinto Prêmio Philips de Arte para Jovens Talentos por duas vezes, e o importante prêmio na mostra trienal de gravura Lelocleprints04, no Museé dês Beaux-Arts du Le Locle, Suíça.

Com a oportunidade de participar das residências artísticas, Laerte ingressou na lista de artistas residentes da FAAP e morou por seis meses na Cité dês Arts em Paris, e em seguida fez outra residência na iaab/Beyeler Foundation em Basel/Suíça. A convite, participou do Brazilie Landenproject que consistiu em uma residência em um dos mais renomados Centros de Cerâmica, o EKWC/European Keramic Work Centre em s’Hertogenbosch na Holanda. Nesta última residência, Laerte teve a oportunidade de expandir e aprimorar seus projetos tridimensionais, que tinham como raiz-mãe a xilogravura, que através do paralelo entre a reprodutibilidade e “tridimensionalidade chapada” que haviam em suas gravuras, as quais eram representadas bidimensionalmente em papel estampado, assim ocorreu o encontro com a cerâmica devido a maneira de reprodução via molde que esta técnica permite.

Dentro de suas pesquisas sobre reprodutibilidade, a estamparia naturalmente se tornou constante, assim a roupa e a performance tornaram-se também metier dos trabalhos de Laerte devido a sua experiência pessoal com suas duas marcas de roupa “Miya” e “ramOrama”, das quais era sócio e participava ativamente das produções das roupas. Mais uma vez cortar tecido, enfestar, modelar em papel, imprimir em silkscreen, desenvolver desenhos técnicos e produzir em série eram ações constantes nas produções das marcas, experiência vivenciada com semelhância entre os fazeres de moda e os fazeres da arte, no caso: cortar madeira, usar a matriz de xilogravura, o papel e a impressão. Entendendo o ganho de misturar/adicionar moda e arte, Laerte começou a se interessar pelo cruzamento e adição de moda/design/arquitetura/esporte entre outros em seus trabalhos e projetos.

Pensando o lugar/arquitetura, o projeto “Jambolhão” (premiado pelo 11˚ CIF – Cultura Inglesa Festival), ganha o espaço tridimensional “agigantado” trazendo a oportunidade dos espectadores poderem usar a escultura vermelha em fiberglass para subir, sentar, brincar, trazendo o corpo do espectador para a obra. Dando continuidade aos projetos interativos, a instalação “Batalha Naval” conta com dois extensos campos de batalha com duas cabines entre um espaço e outro, onde haviam telefones vermelhos para os espectadores se comunicarem e jogarem a Batalha Naval, que por sua vez se moviam conforme as jogadas dos adversários.

Recentemente, o artista foi contemplado com o Prêmio Interações Estéticas/Funarte em Marabá/PA onde realizou o projeto “retra%15″que conta com a reprodução do corpo humano moldado em gesso na escala 1:1, e destes moldes são confeccionadas esculturas em cerâmica esmaltada branca que são divididas em 16 partes e unidas com rejunte de azulejo nas juntas dos corpos humanos reproduzidos. Ao mesmo tempo, projetos como “Territórioland”“Lastlândia”“Spy Vs Spy”, “Transpherâmica”, “Sneakers & Tees”“Arma Branca” estão em desenvolvimento aguardando ainda um espaço nas próximas fornadas de Laerte Ramos.

Atualmente vive e trabalha no recém inaugurado atelier “casamata/Studium Generale” na região do Pacaembú em São Paulo/SP com sua família e dois cachoros.

>> Exposições Individuais/Solo Exhibitions:
2011
Gravura Brasileira, São Paulo, SP.
2010

Arma Branca – Galpão Baró/EmmaThomas, São Paulo, SP.
retra%15 – Prêmio Interações Estéticas Funarte 2009 – GAM/Galpão das Artes de Marabá, PA.
Re.van.che – Casa das Onze Janelas, Belém, PA.
2009
Re.van.che – Paço das Artes, São Paulo, SP.
2008
Territórioland – Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ.
(P&B) – Palácio das Artes/Fundação Clóvis Salgado – Belo Horizonte, MG.
Territórioland – Centro Universitário Maria Antônia – São Paulo, SP.
Acesso Negado Vs Acesso Negrado – Prêmio Projeteis/Funarte, RJ.
Casa na Cidade – Campinas, SP.
1 x 1- Metrô São Bento/Boom SP design – São Paulo, SP.
Exquadrilha – FCC/Fundação Cultural de Criciúma, Criciúma, SC.
2006
Solda – Museu de Arte da Pampulha, MG.
c.a.s.a – Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, CE.
Jambolhão – Galeria do Centro Brasileiro Britânico, São Paulo, SP.
2005
Galeria Homero Massena, Vitória, ES.
2004
Acesso Negado, Casa Triângulo, São Paulo, SP.
2003
Casa Triângulo, São Paulo, SP.
Casa de Cultura da América Latina – Brasília, DF.
Galeria Vicente do Rego Monteiro, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, PE.
Museu de Arte de Ribeirão Preto – Unidade Centro de Convenções, SP.
2001
Cité Internationale des Arts – Paris, França.
Casa Solar do Barão, Museu da Gravura de Curitiba, PR.
3° Fluxo – Banco Central do Brasil, São Paulo, SP.
Espaço Cultural CEMIG, Belo Horizonte, MG.
Projeto Artes Visuais 2001 – Centro Cultural São Francisco, João Pessoa, PB.
2000
Centro Cultural São Paulo, SP.
Câmara de Cultura Antonini Assumpção, São Bernardo do Campo, SP.
Ambiente Urbano, Sala Celso Garcia Cid, Universidade Estadual de Londrina, PR.


“Identidades Móveis” de Bruno Cantuária e Ricardo Macêdo

IDENTIDADES MÓVEIS


O projeto “Identidades Móveis” propõem que prestemos atenção na instabilidade das identidades e a forma complexa com que a mesma se apresenta nos dias atuais. A exemplo disso, podemos perceber nos meios virtuais como Facebook, Orkut, Second Life, a criação de avatares ou a criação de outras personalidades e “identidades”. Hoje então, não temos um caminho estável e fixo para a condição identitária, temos variadas opções.
O trabalho foi efetivado por Ricardo Macêdo e Bruno Cantuária, tendo como mote essa fluidez da identidade. Pessoas desconhecidas e amigos foram escolhidos para que os dois artistas pudessem por um tempo ocupar seu lugar em meio a suas atividades diárias, vivenciando um pouco de suas vidas no trabalho, na escola, no lazer. Tendo como resultado, além da vivencia dessas personalidades, registros em fotografia e vídeo, no intuito de propor uma compreensão mais complexa a respeito da identidade.

Ricardo Macêdo