“da brancura infinita ao olor fugaz em Mais Rapidamente Para o Paraíso de Luciana Magno” – de Luizan Pinheiro

“A carne, a arte arde, a tarde cai, no abismo das esquinas.

A brisa leva traz o olor fugaz do sexo das meninas”.

O Homem Velho.Música de Caetano Veloso do disco Velô e Banda Nova (1984).

da brancura infinita. a pele. a pele que sai da pele. a esconder qualquer voz que a demarque. des.marcação in.visível. o silêncio da própria tessitura que a constitui a inibir qualquer mote. o monte no céu. o cio sob(re) nuvens. mergulha no fundo do branco.azul. desliza sobre o silêncio e desfigura o tanto. ela que lá está. da beleza. o corpo. percurso singelo sobre rodas entontecidas num frêmito de olhares vadios. a brancura rege o tempo da matéria. a fibra sintética floresce por todo o espaço. agora sim. projeta-se no pós.vazio. toma os olhos de todos. como a re.velar a nudez que zomba de Eros. este. apartado da cena. pois sua força já é toda branda. branca. o movimento sobre rodas tira o foco do que poderia ser sedução. tesão. tara. há mais branco aqui do que supunha a vertigem de um felino a vacilar na busca da brancura da carne. do sangue não mais. mas algo mais. o dizer de um lugar perdido de quem o corpo se flagra no vislumbre de um abrigo fluido. nuvem. nudez embranquecida a engendrar na corporeidade de sua imponderabilidade os sentidos de estranhos. acusam movimentos tortos sobre rodas. rotas. lá onde o chão que a descreve permite o fake do antro fechado a falsear o fora. boxing Luciana. antro fechado na composição do mundo.caixa de construção do movimento em duplicidade. o real e o virtual. dose dupla para embebedar corpos. o real é entre. entretenimento do que cabe na arte sua pulsação do jogo. do ardil. entrevisto num devir sobre rodas no que sugere o aberto no fechado. o fora no dentro. o virtual é fluido a emanar do in.color. fluidez da ninfa de púbis setentista a des.aparecer no incorpóreo do espaço virtual. virtualidade oblíqua a definir um todo na tez matizada em róseos e brancos. o desaparecimento é a condição de que o silêncio é todo tomado por ele mesmo. o silêncio. olhos de não.mais.se.ver remetem a um tempo longínquo que a imagem esvazia. esvaziamento todo carregado de uma lentidão que afirma a rapidez a um paraíso desinvestido da referência felliniana. a que se dá no título. e no outro ponto tem.se o rumor de vôo. toco então um Bach. o Richard do poético Fernão Capelo Gaivota. do mesmo o outro vôo. “o paraíso é uma questão pessoal”. todo paraíso pode ser perdido. ou alcançado segundo o que se quer que seja paraíso. ou se todo paraíso que se quer que seja paraíso está sempre longe. no mesmo registro bachiano. “longe é um lugar que não existe”. e se longe é um lugar que não existe nunca se chega ao paraíso nem mais rapidamente ou lentamente. talvez só sonolentamente. durma com um silêncio desse. porque o sono é o possível de uma recomposição ao visual. é esta sensação disparada pelo tempo da videoinstalação na pulsação da brancura infinita de que se sustenta a armadilha-Luciana. pode ser que alguém caia na armadilha in-suspeita. o que nos leva a um outro eixo desta armação crítico.poética intensificada num des.lugar. o corpo. em registro fluido da fêmea no deslize das emanações de um olor fugaz do sexo da moça . o sexo da moça branca nua não se demora no revés do olhar. é menos sexo. mesmo sendo. tudo ali é fugaz. nunca andar sobre aros entontecidos o fora. a fugacidade é corte no vazio de quem entra no jogo da ninfa silenciosa e seu quase.riso. quase.sexo. quase. quasímodos a olhar a moça na sua fuga para o paraíso. deixando em aberto a condição outra do jogo. regido por um pequeno demônio a levar os expectadores sobre rodas a sentirem-se mais leves. num falso.céu adocicado. adocicado sim pela substituição neste críticolhar da fibra sintética por algodão.doce. porque a vida é doce como queria o Lobo que era mau. e por um tempo efêmero a vida passa sobre rodas. a nos dizer de um paraíso que se quer para além da fugacidade que a videoinstalação sugere. construído numa passagem que a arte abre. está.se diante de um dizer que é quase.mudo na sua fração de arte. fração que é força de silêncio. tanto no vôo quanto na queda das rodas. mais lentamente para o paraíso tem uma verdade.fêmea que se expressa num domínio incessante do corpo da obra e do corpo.imagem da artista. toda. a obra. fechada como corpo no cubículo real.virtual de que é necessário pisar. e se “para pisar no coração de uma mulher basta calçar um coturno com pés de anjo noturno” na fina ambigüidade perceptiva de Chico Cesar. para pisar em mais rapidamente para o paraíso de Luciana Magno basta calçar patins.

ao som de Turn do disco The Man Who (1999) do Travis.

Luizan Pinheiro é Doutor em Artes Visuais

(História e Crítica de Arte) pela UFRJ.

Professor da Faculdade de Artes Visuais do Instituto

de Ciências da Arte – FAV/ICA da UFPA e do

Programa de Pós-Gaduação em Artes- PPGARTES do mesmo Instituto.

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